quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Uma Criança de Sorte: Memórias de Um Sobrevivente de Auschwitz

Se existiu algo parecido com o inferno, este ‘algo’ foi o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde um milhão de judeus perdeu a vida. No auge da carnificina, o conjunto de campos da cidade polonesa, implantado pelos nazistas, exterminava 20 mil pessoas por dia. Delas, muitas eram crianças que por não serem aptas ao trabalho forçado iam direto para as câmaras de gás. Cara, se ha uma forma de medir a desumanidade na história mundial ao longo dos anos, sem dúvida o extermínio desses menores ocupa o primeiro lugar da tabela.
De acordo com alguns historiadores, os campos de Auschwitz eram os mais violentos e desumanos de todos. Neles, as crianças recebiam os mesmos castigos impostos aos pais. Os menores que mais sofriam eram os deficientes físicos,  mentais e epiléticos, passando depois para os mais franzinos, doentes e os grupos considerados inferiores aos da raça ariana. Os nazistas fechavam o cerco seletivo com os ‘culpados’ de terem avós judeus.
Acreditem, essas crianças enfrentaram os mais cruéis e insanos meios de tortura e morte. Algumas eram jogadas pelas janelas ou então agarradas pelos cabelos e atiradas com violência em caminhões com passagem apenas de ida; outras tinham a estrela gravada com ferro em brasa no corpo, quase sempre nas costas ou no rosto. Fazia ainda parte do pacote os fuzilamentos, as câmaras de gás disfarçadas de chuveiros e as terríveis e bizarras experiências médicas com o carniceiro Dr. Josef Mengele.
Um antigo professor de história - da época dos cursinhos pré-vestibulares - me relatou algo que estilhaçou a alma: o genocídio durante o Holocausto chegou a tal ponto que muitas crianças eram jogadas vivas às fornalhas. Putz, putz e putz!!
Mêo, se ao recordar esse quadro diabólico, você – assim como eu – já fica com o seu emocional abalado, imagine então, os judeus - que viveram tudo isso? Agora, pense no emocional das crianças que presenciaram todas essas cenas pavorosas?! A maioria que conseguiu sobreviver ao Holocausto sem seqüelas, principalmente mentais, optou  pelo silêncio, pois queria apenas esquecer todo o sofrimento; mas uma delas preferiu revelar tudo o que viu e sentiu neste horror: Thomas Buergenthal. Nasceu, assim, o livro “Uma Criança de Sorte”. Aos seis anos, Buergenthal foi enviado para o gueto de Kielce, na Polônia. Com dez,  separado de sua família, foi para... adivinhe onde? Auschwitz, lá mesmo. Apesar da pouca idade, conseguiu sobreviver a todo o festival de terror que já narrei no início do post. “Uma Criança de Sorte” traz as memórias dessa criança do passado, hoje um proeminente professor, juiz de direito e escritor com formação na cobiçada Universidade de Harvard. O autor eslovaco ganhou em 2008, o prêmio Gruber Prize for Justice por defender os direitos humanos.
 Li o livro de Buergenthal e recomendo para todos os leitores que quiserem conhecer de maneira aberta, sem segredos, a vida por detrás das cercas de Auschwitz. Numa linguagem fluida, ele esmiúça a rotina do campo de concentração e quais ‘táticas’ foi obrigado a utilizar para sobreviver à matança em massa.
Ele conta que primeiramente foi separado de sua mãe – com apenas cinco anos – e pouco depois perdeu o seu pai, sendo obrigado a ‘se virar’ no meio das monstruosidades do campo nazista para continuar vivo.
Um dos momentos mais emocionantes da obra é aquele em que o autor revela o esforço quase sobre-humano de seu pai para livrá-lo da câmara de gás e das experiências com Mengele. Ele revela que calculava o tempo em Auschwitz pelo numero de horas que precisava esperar para receber a próxima refeição ou pelos dias que restavam até o momento em que Mengele faria uma de suas seleções mortais.
Todo o sofrimento vivido  no Holocausto exerceu em Buergenthal  um impacto substancial, fazendo com que se tornasse professor de direito internacional, advogado de direitos humanos e juiz internacional.
Um livro indispensável para todos que quiserem conhecer detalhes sobre um dos períodos mais tristes da nossa história.
Detalhes técnicos
“Uma Criança de Sorte”
Autor: Thomas Buergenthal
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 224

Ano: 2012

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