sábado, 1 de agosto de 2015

Sobre a Escrita

Só mesmo os fãs de carteirinha de Stephen King para entender a importância de “Sobre a Escrita”. Imaginem os alquimistas, durante a Idade Média, fazendo das tripas coração para descobrir a pedra filosofal que – segundo as lendas – tinha o poder de transmutar metais inferiores em ouro. Ok, se você é um dos fãs invioláveis de King – assim como eu – pode se sentir como um daqueles alquimistas ao ter descoberto a tal pedra lendária, mas... desde que esteja de posse do livro.
Pôrra José Antônio! Mas por que você está endeusando tanto essa obra? É simples galera: em “Sobre a Escrita”, além de dar uma aula sobre como escrever um livro corretamente, King escancara a sua vida aos leitores, desde a sua infância até a fase das ‘vacas gordas’. Resultado: os fãs acabam ganhando dois livros valiosos em um só. Mêo! Quer presente melhor do que isso para um ‘super-fã’ do cara?!
Logo de início, no primeiro prefácio (o livro tem três!) o autor explica os motivos que o levou a escrever uma obra de não ficção e ainda por cima sobre a arte  da escrita, dando dicas valiosas de como se tornar um escritor, ao menos razoável. Depois dos três prefácios – não quero falar escrever sobre os outros dois para não estragá-los com spoilers (são curtos, mas muito especiais) – King ‘ataca’ com as suas memórias, revelando detalhes da infância, vivida em grande parte na casa de suas tias, já que sua mãe, abandonada pelo marido, foi obrigada a sair pelo mundo à procura de um emprego onde pudesse sustentar seus dois filhos. King conta em detalhes essa fase.
Ele também relata as molecagens das quais participou com o seu irmão mais velho. Cara, tem cada uma! A experiência científica (trabalho de escola) que deixou  parte do bairro sem luz, além de todos os eletrodomésticos das casas vizinhas queimados é hilário.
King optou pela narrativa cronológica, contando os fatos marcantes de sua infância-adolescência e por fim, da fase adulta. Ele não esconde absolutamente nada, revelando todos os seus segredos vividos em cada uma dessas fases: segredos felizes e outros nem tanto.
Ao ler essa parte do livro descobrimos que King já nasceu com um talento nato para a escrita, começando a escrever pequenas histórias ainda criança, sempre incentivado pela sua mãe.
O mestre do suspense abre o seu coração, não escondendo nem mesmo a fase mais obscura de sua vida quando  mergulhou de cabeça no álcool e nas drogas, só conseguindo livrar-se do abismo, graças a ‘comida de rabo’ (me desculpe o termo chulo, mas é o que mais se adéqua ao contexto) de sua esposa. Se não fosse a atitude ‘bruta’ de Tabitha King, hoje o seu esposo seria um alcoólatra, além de viciado em drogas pesadas, e talvez, nem metade do escritor que é atualmente.
Já na segunda parte, o livro se dedica exclusivamente à escrita, King arrebenta e dá uma verdadeira aula de como escrever um texto corretamente, dispensando advérbios, voz passiva, parágrafos mau estruturados, etc. Não bastasse essa aula, ele ainda revela detalhes sobre as suas obras mais importantes e como surgiram as idéias e as oportunidades de escrevê-las. Você vai conhecer as origens de “Carrie, A Estranha”, “O Iluminado”, “A Dança da Morte”, “Misery – Louca Obsessão”,”Buick 8” e outras.
“Sobre a Escrita” é fechado com duas chaves de ouro. A primeira, a narração em detalhes do acidente quase fatal que o matou em 1999 e como a vontade de escrever o ajudou em sua recuperação. E a segunda chave: a publicação de parte do rascunho de uma de suas obras famosas (segredo... Ehehehe, só faltava eu revelar o nome da obra...) e como ele transformou esse rascunho num manuscrito final, com todas as correções, pronto para publicação.
Acho que chega né? Só basta dizer: - “Se você é fã de Stephen King, tem a obrigação de ler esse livro”. Por outro lado, se você é um escritor iniciante, essa obrigação se torna um mandamento.

Fui!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...