quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Álbuns de figurinhas dos anos 60, 70 e 80 que deixaram muitas saudades

À exemplo do que fiz há mais de cinco anos quando publiquei no blog esse post, hoje, novamente, vou fugir da proposta principal do Livros e Opinião que é a de fazer postagens exclusivamente literárias, para explorar um outro tema. Em minha opinião, acredito que valerá a pena essa pequena ‘escapulida’ de assunto, afinal de contas, os famosos álbuns de figurinhas não deixaram de ter, no passado, a sua função didática e de entretenimento, iniciando na leitura muitos devoradores de livros. E o post de hoje é dedicado, inteiramente, à eles: os álbuns de figurinhas.
Apesar de já ter tratado do assunto no post que escrevi em 2011; no de hoje, abordarei apenas os detalhes relacionados aos álbuns de figurinhas do passado que fizeram parte da infância de muitas pessoas que viveram a geração dos anos 60, 70 e 80. Vale lembrar que em 2011, o post explorava não só esses álbuns (escrevi sobre apenas sobre dois), mas também enciclopédias e revistas.
Quer emoção maior do que ter nas mãos, álbuns que marcaram a infância de gerações de leitores. Quem não se lembra dos saudosos pacotinhos de figurinhas que comprávamos nas bancas, torcendo para que não viessem cromos repetidos? Dos emblemáticos álbuns que davam prêmios? Das figurinhas carimbadas? Dos jogos de bafo que praticávamos durante o recreio das aulas no primário?
Os 10 álbuns da lista desse post farão muitos leitores viajar décadas atrás, na época em que éramos crianças inocentes ou então garotos despertando para a puberdade. Vamos à eles!
01 – Chapinhas de Ouro (1977)
Em 1977, a editora Dimensão Cultural lançou um álbum que revolucionou todo o mercado do gênero. As figurinhas de papel cediam o seu lugar para as chapinhas de metal redondas estampadas. Estou me referindo ao álbum Chapinhas que era dividido em diversas categorias: Marcas Famosas da Época, Copa do Mundo de 1930 a 1978, Desenhos Animados, Super-Heróis, Olimpíadas e muitas outras.
Como eu estava acostumado com os álbuns tradicionais, estranhei muito o Chapinhas de Ouro e acabei não me familiarizando muito com ele. Na época em que foi lançado tinha os meus 16 anos e estranhei o peso do álbum com todas aquelas chapinhas. Coisa de loko! Por isso, preferia aqueles tradicionais com os cromos de papel. Eram mais práticos, pelo menos para mim.
Mas tudo bem, cada pessoa com a sua opinião. Se o Chapinhas de Ouro não fez a minha cabeça, por outro lado deve ter se tornado a coqueluche na vida de muitas crianças e adolescentes de outrora.
02 – Perdidos no Espaço (1968)
A série “Perdidos no Espaço” lançou bordões  inesquecíveis. Quem não se recorda do antológico Robô B9 disparando o alerta: “Aviso! Aviso! Perigo! Perigo! Perigo! Tem ainda o Dr. Smith com a frase: “Não tema, com Smith não há problema”. Mas nada supera aquele bordão que ele soltava quando se encontrava em apuros: “Oh dor! Oh dor!”.
No final dos episódios vinha o tradicional aviso: “Não percam na próxima semana no mesmo horário e canal, mais um filme da série perdidos no espaço”.
Cara, juro que estou emocionado com essas lembranças, pois vivi o período de pura magia dos seriados de TV dos anos 60 e 70. “Perdidos no Espaço” foi um dos ases dessa época.
O seriado contava a saga da família Robinson e da nave Júpiter 2 na exploração do espaço em busca de novas civilizações, mas graças a um sabotador atrapalhado (advinhe quem?), que também se encontrava a bordo da Júpiter 2, eles saíram de sua rota, ficando  'Perdidos no Espaço'. 
O sucesso da série acabou gerando um álbum lançado no Brasil em 1968. A responsável pelo lançamento foi a Editora Verão que já havia colocado no mercado outros produtos semelhantes com os temas de  “Bonanza” e “Pra Frente Brasil”, esse, em homenagem a conquista do tri-campeonato da nossa seleção no México em 1970.
Além das figurinhas do seriado de TV; o álbum nos brindava com outras sessões, cujos nomes estavam relacionados com o espaço sideral, temática principal de “Perdidos no Espaço”. Coisas do tipo: “O Homem e o Universo”, com cromos sobre a conquista do universo pelo homem; “Galáxia da TV”, com os artistas famosos da televisão daquela época; “Satélites do Riso”, sobre os principais comediantes daqueles tempos; “Estrelinhas do Espaço”e por aí afora..
“Perdidos no Espaço”, em minha humilde opinião foi um dos melhores álbuns dos anos 60. 
03 – Astros do Ringue (1979)
Os programas de luta-livre no Brasil passaram por diversas fases e cada uma delas com um nome diferente. Tudo começou com na extinta TV Excelsior, em 1965, com o nome de Telechat Vulcan. Dois anos depois, o programa iria para a Rede Globo e já mudaria o nome para “Telecatch Montilla”. Nos anos 70 seria a vez da Record adotar o já famoso show de luta livre como “Os Reis do Ringue”. Teve ainda a fase da TV Bandeirantes; no final dos anos 70 e início de 80 como “Astros do Ringue”.
A minha geração viveu muito mais as fases da Record e da Bandeirantes. No meu caso, lembro perfeitamente dos Reis e também dos Astros do Ringue. Fase que vive antes dos meus 18 anos. Após chegar em casa, depois das peladas de futebol com os amigos, tomava um banho rápido e me amoitava no sofá, na frente TV para assistir ao programa. Dali não saía até o final da atração.
Os meu ídolos eram Fantomas, Mister Argentino, La Múmia, King Kong e seu filho Renê, além de  um sujeito que lutava vestido de executivo, sempre segurando uma pasta tipo 007. Ele tinha uma secretária ‘bonitaça’ que entrava com ele no ringue antes dos duelos. Tinha ainda os lutadores que eu mais ‘odiava’: Homem Montanha, Michel Serdan (que tempos depois, entrou para o time dos mocinhos), Aquiles – esse tinha o hábito de morder as orelhas dos oponentes – e Belo, conhecido como ‘O Carrasco Português”.
Como fã incondicional do programa, não podia me refutar de adquirir o álbum de figurinhas que teve várias edições. Particularmente, me lembro de três edições: “Astros do Ringue” (1967), “Os Reis do Ringue” (1970) e “Astros do Ringue Internacional” (1979). O álbum que ainda tenho guardado é o de 1979 da editora Guarani. Ele é dividido em várias partes. Em ‘Eles Comandam o Show’, os destaques são as figurinhas do Homem Montanha, Gran Caruso e Cangaceiro que eram os donos da Companhia de lutas, além do apresentador do evento, Alexandre Santos. Na sessão ‘Os Grandes Ídolos’ temos, entre outros, Michel Serdan, Sancho Pança e Senhor X. E por aí vai. O álbum tem várias divisões.
O meu está guardadinho. Volta e meia, lá estou eu, folheando-o e matando saudades daqueles tempos.
04 – A Turma do Paulistinha (1980)

Quem viveu os ‘loucos anos 80’vai se lembrar desse álbum que fez a cabeça da molecada daquela época, e porque não, também dos adultos.
“A Turma do Paulistinha” foi lançado em 1980 pela Secretaria da Fazenda como parte de um concurso que distribuía 51.448 prêmios. Para concorrer era preciso juntar notas fiscais simplificadas e cupons de máquinas registradoras, no valor de qualquer compra. Os consumidores que conseguissem juntar um total de Cr$ 500,00 em notas, ganhava o direito de preencher uma cartela com todos os dados pessoais para trocá-la por um álbum que vinha acompanhado por uma ficha de inscrição.
Conforme as pessoas fossem juntando mais notas ou cupons de compras no valor de Cr$ 500,00, as trocavam por pacotinhos que continham 10 figurinhas.
Cara, foi uma verdadeira coqueluche no início da década de 80! Todos sonhavam em completar o álbum. Após cumprida a missão de colar as figurinhas e preencher todo o álbum, só restava ao consumidor levá-lo à um posto de troca e solicitar o seu cupom para concorrer a diversos prêmios, entre os quais: 20 automóveis (4 Belinas, 4 Fiats 147, 4 Wolkswagen 1.300, 4 Dodges Polara e 4 Chevettes), 500 gravadores, 8 mil jogos de frescobol, 252 refrigeradores, 96 aparelhos de som 3 em 1 e muitos mais.
05 – Álbum de Figurinhas com Prêmios (1990)
Ahahaha!! Como nóis era ingênuu! Êta! Lembram-se daqueles álbuns que davam prêmios? Pois é, nós gastávamos toda a nossa mesada comprando figurinhas e o premio raramente ou muitas vezes, nunca saía.
Estes álbuns - com temas de super-heróis ou personagens de desenhos animados da época -  por incrível que pareça acabaram tornando-se cults. Eles surgiram nos anos 70 e duraram por aproximadamente três décadas.
Eram álbuns regionais, lançados por empresas que ofereciam prêmios para os colecionadores que conseguissem completar cada página. Mas, meu amigo... o problema era completar as tais páginas! Uma verdadeira missão impossível.
Como a empresa que dava os prêmios era a mesma que controlava de forma direta a produção das figurinhas, sempre tinha um cromo de cada página que era produzido em pequeno número; verdadeira agulha no palheiro. Acredito que algumas dessas ‘figurinhas difíceis’ nem sequer eram produzidas pelas empresas. Resultado: na ânsia de completar a página para ganhar o prêmio, você comprava um ‘caminhão’ de pacotinhos de figurinhas, ficava com um montão delas repetidas e toda vez que olhava para a ‘marvada’ da página, via que faltava um cromo para completá-la. Que raiva!
Quando comecei a colecionar esse tipo de álbum, a sua produção já estava praticamente no final. Acho que até mesmo a criançada desconfiou que se tratava de um golpe ou ‘semi-golpe’ de algumas empresas. No meu caso, são fui descobrir perto dos 30 anos. Que vergonha para mim.
Comprei o álbum de uma empresa, não me lembro o nome, e parei de preenchê-lo pela metade. Acho que acabei caindo na real. O pior nisso tudo foi um ex-vizinho que vivia dizendo que havia ganhado uma panela de pressão. Só que ele nunca mostrava a tão falada panela ou então a página do álbum completada. Até hoje, não sei se ele estava tirando onda com a minha cara ou se, realmente, ele tinha sido premiado.
06 – Álbum de Figurinhas Ping Pong Copa do Mundo de 82 (1982)
Se você é da geração dos anos 80, posso afirmar que esse álbum fez parte da sua vida. Não só o álbum, mas também a famosa marca de chiclete.
Cara, não teve um brasileiro, amante do futebol, que não se encantou com a seleção do Telê em 1982. Por causa do carrasco Paolo Róssi, milhares de brasileiros choraram com a tragédia do estádio Sarriá quando a Itália despacharia do campeonato, a seleção que encantou o mundo.
A Kibon, detentora da marca Ploc, percebendo a aura de otimismo que crescia em torno do time de Telê, bem antes da Copa, decidiu fechar um acordo publicitário com a CBF e lançar o seu álbum de figurinhas da Copa de 82 em terras espanholas. Foi um sucesso. Estourou em vendas. De cada 10 brasileiros, mais da metade tinha o álbum; adultos e crianças.
Figurinhas com os grandes nomes daquela competição fizeram a alegria da galera. Quem não se lembra de Zico, Toninho Cerezo, Sócrates, Falcão, Leandro e Valdir Perez pelo lado do Brasil? Zoff e o famigerado Paolo Rossi pela Itália ou ainda do craque Maradona defendendo a Argentina? Figurinhas hiper-disputadas.
Hoje, tudo isso faz parte da nossa memória, inclusive o chiclete Ping Pong que parou de ser fabricado. ‘Culpa’ do concorrente Ploc produzido pela Adams que era mais macio e vinha com adesivos que viravam tatuagens.
07 – El Cid
O álbum El Cid lançado em 1965 pela editora Egide também fez muito sucesso e hoje é vendido à peso de ouro nos sebos.
Devido a fama do filme que levou multidões aos cinemas na década de 60, o lançamento de um álbum com os personagens da trama seria um caminho mais do que normal.
Rodrigo Diaz de Bivar, mais conhecido por El Cid, foi um herói espanhol do século XI que uniu os católicos e os mouros do seu país para lutar contra um inimigo comum: o emir Ben Yussuf (Herbert Lom). Após vários anos de cruzada pela libertação do país, o herói morreu antes da batalha final, alvejado no peito por uma flecha moura. Mas aqui cabe uma observação importante. Após receber a flechada fatal, El Cid em seu leito de morte, vendo o desânimo de seu exército com a situação, exigiu aos seus generais que tão logo, ele viesse a morrer, o seu corpo fosse amarrado firmemente na sela de seu cavalo para que os seus comandados pensassem que ele estivesse vivo. E foi assim, que durante a batalha final, os mouros ao verem o exército espanhol sendo liderado pelo seu grande comandante El Cid – que julgavam estar vivo - se colocaram em fuga.
História fantástica que gerou um álbum também fantástico.
08 – Galeria da Disney (1976)
Há mais de 30 anos chegava nas bancas de todo o País, o álbum Galeria da Disney. Uma edição de capa branca com o Tio Patinhas no centro e cercado por pequenas fotos de outros personagens famosos da Disney. Eram 256 cromos para a alegria da garotada.
O sucesso desse lançamento foi tanto que anos depois, a mesma Editora Abril resolveu lançar uma segunda edição, dessa vez com a capa vermelha e figurinhas autocolantes.
Segundo os colecionadores, a figurinha mais difícil era a da Baleia Agapito do desenho do Pinóquio. Para se ter uma idéia, haviam colecionadores que conseguiam completar todo o álbum, com exceção desse cromo. Os garotos da época chegavam a disputar a baleia a ‘tapas’. Alguns vendiam a figurinha a preços bem consideráveis ou então trocavam por algum outro bem de consumo que lhes interessava.
É, pessoal, a tal Agapito fez sucesso nos anos 70.
09 – Ídolos da TV – Astros e Estrelas (1967)
O movimento da Jovem Guarda estava bombando quando a Editora Verão colocou no mercado o álbum “Ídolos da TV – Astros e Estrelas”. Todos aqueles que viveram a onda do ‘Iê-iê-iê’ compraram esse álbum e viveram a febre de preenchê-lo com as figurinhas de seus ídolos.
Entre as sessões mais populares estavam: ‘Pra Você Cantar’ que trazia a letra de três  músicas, duas interpretadas pelo Roberto (A namoradinha de um amigo meu e Negro gato) e outra pelo Erasmo (Gatinha manhosa), ao lado de suas respectivas figurinhas; ‘Os Outros Que Fazem a Onda’ com os cromos da Wanderléa e Eduardo Araújo, entre outros; ‘Galeria do Riso’, onde os destaques eram Moacir Franco, Guto e Renato Corte Real; e por aí afora.
Um álbum que marcou a vida de todos que viveram os saudosos anos 60. A época da Jovem Guarda.
10 – Mundo Animal (1976)
A Editora Abril lançou em 1976, um álbum que foi considerado uma verdadeira enciclopédia do mundo animal, com informações sobre animais de todos os continentes, inclusive daqueles em extinção.
Um detalhe curioso: os cromos eram semelhantes as ilustrações da famosa enciclopédia “Os Bichos”, da também Editora Abril, lançada no início dos anos 70.
“Mundo Animal” começava com figurinhas de animais pré-históricos, da África, das três Américas, Ásia e Ártico. As sessões do álbum são completadas com animais da Europa, Oceania e também domésticos.
Com 34 páginas e 246 figurinhas foi considerada uma verdadeira biblioteca do reino animal para os estudantes primários e secundaristas daquele ano. Talvez, até mesmo para você que está lendo este post. 

Um comentário:

  1. Aproveitando o gancho,um livro que tem como tema os álbuns de figurinha é o sensacional Gênio do Crime

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...