terça-feira, 11 de julho de 2017

Livros didáticos dos anos 70 que deixaram saudades das nossas antigas escolas

Tem dias que estamos voltados para o saudosismo. Acontece comigo, com você, enfim, com qualquer um. Pode ser saudades daquela festa de décadas atrás com os amigos que já se foram, saudades da boemia universitária, saudades das arruaças da infância, e por aí se vai.
No final da tarde de ontem, bateu forte uma nostalgia dos meus tempos de alunos do primário e secundário. Saudosos anos 70. Época das desajeitadas e pesadonas  carteiras de madeira e ferro onde os alunos sentavam-se em duplas ou sozinhos; das canetinhas Sylvapen – aquelas, brancas e decoradas com pequenas flores das cores da respectiva tinta -, da cola goma arábica, do mimeógrafo e saudades, principalmente, do material didático daqueles tempos. Putz, que Santa Nostalgia! Sinto não ter mais nenhum desses livros e cartilhas escolares do passado que contribuíram tanto para a minha formação.
No post de hoje, resolvi recordar vários materiais de leitura que foram responsáveis pelo meu aprendizado e consequentemente num grande devorador de livros. Acredito, também, que muitas  pessoas que estão lendo esse post se tornaram leitores ávidos graças as nossas saudosas obras didáticas dos anos 70.
E aí? Prontos para começarmos a retroceder no tempo? Então, vamos lá.
01 – Desenhocop
Este caderninho espiral de capa grossa surgiu no final dos anos 60 e imperou também no início de 1970. O tal do Desenhocop causou uma verdadeira revolução no ensino daquele período, provocando frisson em alunos e professores de educação Artística (nos anos 70, eles eram chamados de professores de Desenho). Como eu não tinha nenhuma aptidão para desenhar, confesso que devo à esse santo caderninho mágico, as minhas notas, pelo menos, razoáveis na matéria.
O Desenhocop tinha um conjunto de folhas finas de papel vegetal com desenhos que abrangiam grande variedade de temas escolares e também do nosso dia a dia. Cada série escolar tinha o seu Desenhocop específico, por isso, o conjunto de temas tinha uma grande variedade, entre os quais vultos da nossa história, religião, ciências, etc.
Como ele funcionava? Simples. Bastava o aluno passar o lápis no contorno do desenho para que ele fosse reproduzido no caderno ou no papel almaço. Depois era só reforçar as linhas copiadas e pronto! A cópia do desenho estava pronta para encarar a fase de pintura. O Desenhocp fazia todos nós, estudantes dos anos 60 e 70 nos sentirmos grandes “artistas”.
02 – Geografia Ativa Vol. 03 – Os Continentes
Depois de Português, as minhas matérias preferidas no primário e no ginasial eram Literatura, Geografia e História do Brasil. Ainda me lembro que em meados dos anos 70, tínhamos uma professora de Geografia muito severa. Tão severa quanto competente. Quando ela entrava na sala de aula, o mais bagunceiro dos alunos virava um santo. Ela não admitia conversas paralelas, jamais. E ai daquele que arriscasse quebrar as regras. Apesar desse ‘regime militar’, eu adorava as suas aulas. Uma teacher fantástica!
Daquela época me recordo de um livro didático de capa azul do 1º Grau – com o desenho de uma nave espacial passando pelo planeta Terra - da Zoraide Victorello Beltrame, publicado pela editora Ática em 1978. Cara, viajei muito com a ‘troupe’ daquele livro. Recordo, vagamente, que para ilustrar o enredo didático da obra e assim, facilitar o aprendizado dos alunos, a autora criou vários personagens (um grupo de crianças) que viajavam pelos continentes em uma nave espacial, enquanto explicavam as características de cada um desses continentes.
A autora escreveu ainda em 1982, outro livro para o 2º Grau com os mesmos personagens chamado Geografia Ativa – As Regiões Brasileiras, mas o que marcou época, pelo menos pra mim, foi o livro do 1º Grau.
03 – Cartilha Caminho Suave
Acho que eu tinha 10 ou 11 anos quando tive o privilégio de ter em mãos essa cartilha fantástica. Nos últimos 60 anos, “Caminho Suave” foi responsável pela alfabetização de aproximadamente 40 milhões de brasileiros.
Esta obra didática que se tornou um verdadeiro fenômeno editorial teve a sua primeira edição em 1948, sendo retirada de mercado pelo Ministério da Educação em 1995 em favor da alfabetização baseada no construtivismo. Apesar de não ser mais o método "oficial" de alfabetização dos brasileiros, a cartilha idealizada pela educadora Branca Alves de Lima ainda vende cerca de 10 mil exemplares por ano. Quer ter uma idéia do valor dessa cartilha, mesmo após ter saído de circulação? O exemplar lançado em 1974 – que infelizmente eu doei – está cotado no Mercado Livre à R$ 299,99, ou seja, R$ 300 pilas. Resumindo: nem sem compara com as cartilhas didáticas atuais.
Foi observando a dificuldade de seus alunos, a maioria oriundos da zona rural, que Branca Alves criou o método que ela própria denominou "alfabetização pela imagem". A letra "a" está inserida no corpo de uma abelha, a letra "b", na barriga de um bebê, o "f" fica instalado no corpo de uma faca, a letra "o", dentro de um ovo e assim por diante.
Especialistas em pedagogia afirmam que "Caminho Suave" e "Sodré" ( de Benedita Stahl Sodré, autora da Cartilha Sodré) são os únicos métodos realmente brasileiros de alfabetização em português. 
A marca registrada na capa de “Caminho Suave” sempre foi um menino e uma menina seguindo rumo à escola.
Que saudades da minha professora dona Conceição, do grupo escolar ‘Olavo Bilac’, do lanche quentinho com queijo que a minha mãe me levava durante o recreio.
“Caminho Suave” fez com que eu voltasse no tempo.
04 – Tabuada – Ensino prático para aprender aritmética
Ah!Ah!Ah! Lembrei-me da ‘Boquinha de Peixe’. Vichiii! Tomara que ela não esteja lendo esse post agora. A origem do apelido da minha professora do primário que me ensinou a tabuada surgiu por causa da sua boca pequena, parecida com a de um peixinho. Entonce, já viu né?
Matemática nunca foi o meu forte. Pra vocês terem uma idéia, já no secundário, nos dias que antecediam as provas, eu chegava a ter pesadelos com números e fórmulas.
Tudo bem que eu detestava a matéria, mas não poderia deixar de incluir nessa relação o famoso livrinho “Tabuada – Ensino prático para aprender aritmética”, responsável por iniciar nas ‘contas de vezes’ várias gerações de estudantes, inclusive a minha que viveu os anos 60 e principalmente os 70.
05 – Atlas Geográfico
Em 1978, a internet nem mesmo era um sonho. Ela só daria os seus primeiros passos no Brasil, 10 anos depois. Quanto ao ‘Santo Google’? Piorou. Nós, estudantes primários e secundários, tínhamos de recorrer às enciclopédias, cartilhas e atlas. E que saudades daquele tempo.
Nas aulas de geografia um de nossos amigos inseparáveis era o Sr. Atlas, grande parceiro de trabalhos escolares. E quantos!
Mesmo após quase 40 anos, ainda me lembro do Atlas Geográfico Escolar da editora Fename. Esta relíquia foi um presente de meus pais. Acho que ao comprarem O Trópico ou A Barsa, o vendedor deu como brinde esse Atlas. Cara, fiquei muito feliz. O ‘livrão de mapas’ acabou me ajudando muito nos trabalhos escolares.
06 -  Emília no País da Gramática
Apesar de não ser considerado um livro didático oficial, “Emilia no País da Gramática” fez parte da minha vida escolar durante o período primário. Minha professora da época, dona Cecília recomendou a leitura dessa obra e orientou os pais dos alunos a 
adquirirem o livro. Para aqueles alunos que não tinham condições financeiras para comprá-lo, a nossa professora dava um jeitinho e levava dois ou três livros – adquiridos por ela – para serem lidos em grupo por essas crianças. O livro que eu tinha era aquele de capa amarela com Pedrinho, Emilia, Narizinho e o Visconde de Sabugosa montados no rinoceronte Gramático. A obra foi publicada pela Editora Brasiliense. É provavelmente o livro mais original que já se escreveu sobre a Gramática, pois a língua é figurada como um país, o "País da Gramática", povoado por sílabas, pronomes, numerais, advérbios, verbos, substantivos, preposições, conjuções e interjeições.
Quindim, o rinoceronte, é quem leva o pessoal do Sítio do Picapau Amarelo para lá, e é ele quem tudo mostra e tudo explica.
Alguns críticos afirmam que o motivo para Lobato escrever este livro foi "vingança", por ter sido reprovado aos quatorze anos de idade na prova de de Português.
“Emília no País da Gramática” sempre trás grandes recordações.
07 – Português – Terceira Série Ginasial
Meu irmão mais velho, hoje advogado, tinha vários livros didáticos de Português guardados em seu armário particular. Imagine se na minha infância, eu não ia dar uma fuçadinha no local?
Mesmo sendo livros didáticos antigos, o seu conteúdo era muito bom, talvez, até melhor do que os da minha época. Por isso, sempre estava dando uma folheadinha básica para reforçar os meus conhecimentos da língua portuguesa. Um desses livros tinha um lusitano caolho que eu achava o maior barato. Conhecem Camões? (rs). A obra escrita por Aída Costa era um show. As tais folheadinhas básicas me ajudaram muito a eliminar alguns vícios de linguagem e consequentemente, passar de ano.
08 – Atlas de Educação Moral e Cívica
No início dos anos 1970, este Atlas era distribuído gratuitamente nas escolas para os alunos da 2ª a 4ª série do primário. A obra foi um verdadeiro presentaço para os alunos que cursaram o primário em 1972 e 1973. Publicado pela Editora Formar com 184 páginas, trazia detalhes sobre a vida dos principais personagens históricos do Brasil.
A obra tinha uma verdadeira miscelânea de vultos históricos importantes para o País até o ano de 1972, tais como Casemiro de Abreu. D.Pedro I, Floriano Peixoto e muitos outros.
O layout da capa dura era fantástico, quanto ao ‘recheio’ também não ficava para trás. Cada página – amarela – trazia a biografia de um personagem histórico juntamente com a sua foto.
Este Atlas fez história.
09 – Matemática – Escola Primária
Olha a Dona Matemática aparecendo novamente. Apesar de detestar a matéria, sempre tirando notas apenas razoáveis e passando espremido no final do ano, reconheço que ela é indispensável na grade escolar. A disciplina está presente não só nas escolas, mas também em qualquer concurso que você faça, do mais simples ao mais complexo.
No primário, a ‘dona matemática’ já começa a dar as cartas, tanto para  aqueles que gostam do ‘jogo’ como para aqueles que destestam, assim como eu.
Teve um livro do antigo ensino primário que fez muito sucesso no início dos anos 70. Trata-se de uma publicação da editora Tabajara que ensinou adição, subtração, multiplicação e outras fórmulas para os alunos que estavam dando os primeiros passos escolares. A obra se chamava “Matemática – Escola Primária” de Margarida Souza Sirângelo e Florisbela Machado Barbosa Faro. A capa tinha a ilustração de um professor mirim ao lado de um quadro negro ensinando a famosa matemática.
Por acaso, vocês se recordamdesse livro?
10 – Meu Pé de Laranja Lima
Este livro de José Mauro de Vasconcelos foi indicado por uma de minhas professoras
do primário. Foi também um dos primeiros que li e por isso, contribuiu demais para a minha formação de leitor.
A obra retrata a história de um menino de cinco anos chamado Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e numerosa. Sua mãe trabalhava numa fábrica e o pai estava desempregado. A criança tem como companheiro de prosa um pé de laranja lima com que desabafa as suas magoas, angustias e esperanças.
Gostei tanto da obra que anos depois, acabei assistindo a novela exibida em 1980 pela TV Bandeirantes. Vale lembrar que 10 anos antes, a extinta TV Tupi já havia produzido uma tele-lágrima baseada no livro de José Vasconcelos. Merece fazer parte dessa lista.
Espero que tenham gostado do post e principalmente viajado no tempo com tantas recordações.

Galera, inté! 

Um comentário:

  1. Grandes recordações,quando me lembro do "Meu Pé de Laranja Lima" dá até um aperto no coração...

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...