quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Quatro Estações

‘Quatro Estações’ é um livro atípico de Stephen King. Ahaaaaã!! Com certeza, você já está pensando que ele é atípico por não ter elementos de terror, gênero que consagrou King. Estou certo? Pois é, sinto dizer, mas você ‘dançou’. Nada disso man; ‘Quatro Estações” é uma obra atípica porque foge totalmente dos limites de contos e também dos limites de romance.
Ok, vou explicar melhor; as quatro histórias que fazem parte do livro são muito compridas para se encaixarem categoria de contos. Elas extrapolam 35 mil palavras, como o próprio King afirma no posfácio de ‘Quatro Estações’. “Eles são longos demais para serem contos, mas por outro lado, também são curtos demais para serem realmente longos”. Palavras do mestre, sem tirar nenhuma vírgula. Resumindo galera, as histórias não são nem contos, nem romances; estão no limbo.
Mas ocorre que estamos falando de Stephen King, um dos escritores mais respeitados em todo o mundo, uma verdadeira lenda viva da literatura, e que pode se dar ao luxo de escrever enredos, independentemente do número de linhas. No caso de qualquer outro autor, os editores o teriam obrigado a escrever um número pré-estabelecido de linhas para que a sua história pudesse ser publicada como conto ou romance.
Capiche? É por isso que ‘Quatro Estações’ é uma obra atípica de SK. Ela não se enquadra em nenhuma dessas duas categorias literárias e apesar disso, editores de todo o mundo brigaram entre si para publicá-las, pois sabiam que tinham um verdadeiro tesouro nas mãos.
Quanto ao outro assunto, ou seja, a falta de elementos de terror nos “contos” - ‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ (Primavera Eterna), ‘Aluno Inteligente’ (Verão da Corrupção), ‘O Corpo’ (Outono da Inocência) e ‘O Método Respiratório’ (Inverno no Clube) – nada a ver galera! Tem terror sim. Tudo bem que seja nas entrelinhas, mas tem, pô!
Cara, o trecho de “O Corpo” sobre as sanguessugas que atacam os quatro amigos num lago é assustador; bem como o relacionamento doentio de um adolescente com o seu vizinho idoso que tem um passado de envolvimento com o nazismo. “O Método Respiratório”, nem se fale! É terror puro e como não bastasse, com doses macabras. Acredito que somente ‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ não apresenta pitadas de terror em seu enredo, apesar de sua narrativa tensa.
O que importa é que com terror ou sem terror, muitas ou poucas linhas, os ‘contos’ de  ‘Quatro Estações’ são estupendos. Prova disso é que três deles  – ‘O Corpo’, ‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ e ‘Aluno Inteligente’ - se tornaram filmes de grande sucesso nas décadas de 80 e 90.
Em ‘‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ temos Andy Dufrene, um banqueiro condenado injustamente a duas prisões perpétuas, consecutivas, pelas mortes de sua esposa e de seu amante. Porém, só Andy sabe que ele não cometeu os crimes. No presídio, durante 19 anos, ele faz amizade com Red, sofre toda espécie de brutalidade, mas consegue se adaptar a sua nova vida, descobrindo meios de colocar em suas mãos os guardas, detentos e até mesmo diretores do presídio. Não posso revelar qual é o grande objetivo de Andy – que consegue ser cumprido de forma espetacular – pois estaria revelando um spoiler gigantesco sobre a história. Quem assistiu ao filme “Um Sonho de Liberdade” com Tim Robbins e Morgan Freeman até o final sabe à que estou me referindo.
O conto “O Aluno Inteligente” traz a tona um dos períodos mais tristes da história mundial: o nazismo. Nele, um garoto de 13 anos, viciado em histórias sobre a 2ª Guerra Mundial, tem uma obsessão sobre campos de concentração que dizimaram milhares de judeus. Com exceção dessa estranha mania, Todd Bowden é um aluno exemplar, até conhecer um Dussander, um velho general nazista fugitivo e que coincidentemente passou a residir próximo a sua casa.
O garoto descobre que no passado, o idoso torturou inúmeros prisioneiros dos campos de concentração, então ele chantageia o general, dizendo que não revelará a sua identidade para as autoridades americanas com uma condição: que ele conte em detalhes histórias sobre os campos de concentração. A relação entre o menino e o nazista vai causar uma mudança drástica no comportamento de ambos. 
‘O Corpo’ ou ‘Outono da Inocência’ foi o conto que mais gostei. Nele, um escritor chamado Gordie Lachance recorda de um acontecimento que viveu ao lado de três inseparáveis amigos de infância, no verão de 1959, quando tinha doze anos. Certo dia, os quatro garotos saem juntos em busca do corpo de um adolescente que estava desaparecido na mata há mais de três dias. O que eles não imaginavam é que esta aventura se transformaria em uma jornada de auto-descoberta, que os marcaria para sempre. O filme de 1986, baseado nesse conto, apesar do baixo orçamento, foi um enorme sucesso de publico e crítica.
Quanto a ‘O Método Respiratório’, King deixa de explorar o terror apenas nas entrelinhas para torná-lo escancaradamente visível. A trama começa em um clube de cavalheiros de Nova York, que os afiliados pagam para frequentar contando histórias sinistras.
A história envolvendo o "método de respiração" em questão aconteceu nos anos 1930, quando uma mulher decide dar à luz uma criança ilegítima, apesar do estigma social da época. Preocupada, ela procura a ajuda do médico Dr. Emlyn McCarron, que formulou a teoria que ajuda grávidas a parir melhor com uma técnica de respiração. Os dois se aproximam, e McCarron percebe que a mulher está mesmo determinada a ser mãe, mesmo depois que um acidente terrível coloca a gestação em risco.
Man, man, que loucura! Trata-se, sem nenhuma dúvida, de um verdadeiro livraço que não merece ser lido, mas devorado.

Inté!

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