sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O Garoto no Convés

O livro de John Boyne é uma versão romanceada do famoso motim do navio inglês HMS Bounty que aconteceu no dia 29 de abril de 1789. O fato se deu nas primeiras horas da manhã, quando o Bounty fazia sua viagem de regresso à Jamaica e depois Inglaterra, trazendo um carregamento de mais de mil (1000) mudas de fruta-pão. A idéia seria plantar esta fruta na Jamaica para fazer dela um alimento bom e barato para os escravos.
Parte da tripulação se rebelou contra o comandante, o tenente William Bligh, obrigando-o juntamente com outros 18 homens que permaneceram fiéis ao seu comando, embarcarem numa lancha de apenas 7 metros de comprimento e serem ‘jogados a própria sorte’ no meio do oceano.
Em “O Garoto no Convés”, Boyne conta os fatos históricos sob o ponto de vista de um personagem fictício, o adolescente órfão chamado John Turnstile, que agarra a chance de trocar  a prisão por um trabalho subalterno no Bounty. Atrevido e inteligente, porém ingênuo em diversos aspectos, Turnstile vai aos poucos conhecendo os pitorescos marujos que, de modo geral, não perdem uma chance de lembrá-lo de sua absoluta insignificância. Contudo, a aproximidade constante do capitão lhe permite não apenas ficar a par das múltiplas intrigas a bordo, mas também estabelecer uma relação de crescente lealdade com o seu chefe.
Achei o livro fantástico porque o autor mesclou ficção com fatos históricos, não deixando assim, a histórica ficar cansativa. E esta foi a grande sacada de Boyne. Verdade! Cá entre nós, se você quiser saber apenas o lado histórico do motim do HMS Bounty, basta acessar o “Santo Google” ou a “Santa Wikipédia” que você encontrará todos os dados e Zefini! E juro que a história é a mesma, não muda. Esta recheada de dados históricos, mas falta algo que toda narrativa histórica não tem: emoção.
Então o que Boyne fez? Ele criou um personagem hiper-carismático, o adolescente John Turnstile; narrando os seus dramas, dificuldades e afins, em seguida o inseriu na narrativa histórica. Quer mais? O autor ‘deu vida’ a personagens reais, desenvolvendo-os além dos dados históricos. Resultado: eles ficaram muito mais interessantes. Por exemplo, o tenente Bligh ganhou uma personalidade que vai muito além do que está escrito nos livros e textos de história. Boyne dá aos seus leitores a oportunidade de conhecer profundamente o comandante do Bounty,  as suas qualidades e também os seus defeitos. O mesmo acontece com os imediatos John Fryer e Christian Fletcher que tem papéis importantes no motim – um a favor e outro contra o capitão. Como ele ‘temperou’ esses personagens históricos com gotas de ficção? Não sei. Na realidade, não me interessa. O importante é que o autor deu vida a esses personagens e também a narrativa. Com isso, o leitor acaba devorando as 492 páginas do livro num piscar de olhos.
“O Garoto no Convés” foi dividido em cinco capítulos: “A Proposta” que fala sobre as circunstancias que levaram Turnstile a embarcar no HMS Bounty; “A Viagem”, narrando as peripécias e os perigos da tripulação em alto mar; “A Ilha”, que narra as origens do motim, como tudo começou; “A Barca”, que descreve as aventuras dos 18 tripulantes do Bounty e do capitão Bligh que, após o motim, foram abandonados numa pequena lancha em alto mar e finalmente “O Retorno”, que é o desfecho de todas essas peripécias.
Um livro que recomendo ‘mil vezes’.Uma empolgante mistura de fatos históricos e ficção.


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