quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Jornalista de Goiânia lança “Sobreviventes do Césio-137” que desvenda os segredos do maior desastre radiológico da história

Jornalista Carla Lacerda

Há fatos que marcam a vida da gente. Podem passar anos ou décadas que eles ficam ali agarrados em nossos neurônios e volta e meia eles ressurgem trazendo recordações boas, ruins, tristes ou alegres. Um dos fatos que não consigo esquecer aconteceu há quase 31 anos. Na época, eu estava no auge dos meus 26 anos de idade e vivendo os loucos “Anos 80”: os melhores filmes, as melhores músicas, diabruras com os amigos, paqueras, zoações, enfim, uma verdadeira loucura e das boas, diga-se. Tudo teria sido um paraíso naquela época se não fosse um trágico acontecimento.
Estou me referindo ao acidente com o césio-137 em Goiânia.
O vazamento do material, em 1987, foi considerado o maior desastre radiológico da história e pode ter deixado até 80 vítimas fatais.
A tragédia teve início após dois catadores de lixo entrarem em contato com uma porção de cloreto de césio, o tal césio-137. O componente químico ficava dentro de um aparelho de tratamento de câncer, que estava em uma clínica abandonada na capital de
Yago Sales que colaborou na obra
Goiás. Foram necessários apenas 16 dias para que o “brilho da morte”, como a substância ficou popularmente conhecida, matasse quatro pessoas e contaminasse centenas.
Em apenas duas semanas, o césio-137 causou o maior desastre radiológico do mundo.
Até hoje, não entendo tanta irresponsabilidade. Cara! Como você desativa uma unidade de tratamento de câncer e esquece no local uma máquina velha de radioterapia?!! E foi justamente isso que aconteceu. Todos os aparelhos da clinica foram levados, menos a maldita máquina.
Este equipamento que usava cloreto de césio em pó como fonte de energia chamou a atenção de dois catadores de lixo. Pensando em ‘fazer dinheiro’, levaram a arma mortal para casa, desmontaram e após entrarem em contato com a cápsula de césio-137, decidiram vendê-la juntamente com o equipamento para o dono de um ferro velho que ao ver a cápsula brilhante, acreditou ter encontrado a verdadeira pedra filosofal. ‘Estourando’ de alegria resolveu chamar vários amigos, colegas e vizinhos para mostrar a sua descoberta. Pronto... Tava feito o estrago. O veneno mortal se espalhou e contaminou, praticamente, toda a cidade.
Acidente com o césio-137 causou medo, pânico e mortes em Goiânia
Quando o acidente do césio-137 completou 20 anos, a jornalista goiana Carla Lacerda lançou – pela primeira vez – o livro “Sobreviventes do Césio-137”. Agora, decorridos mais de 10 anos, ela decidiu – juntamente com outro jornalista, Yago Sales -  recontar a história de uma maneira mais completa, acrescentando muitas outras informações, além de novos depoimentos.
Esta 2ª edição de “Sobreviventes do Césio-137”, lançado em agosto,  questiona os dados sobre as mortes em decorrência do “acidente” com a substância radioativa. Falaram em seis, 12 e, em seguida, 15. 
Na minha opinião, o ponto alto da obra foi a atenção que os autores dispensaram ao relato das vítimas e de seus familiares que fizeram revelações surpreendentes , muitas delas contrariando os chamados relatos oficiais.
Nesta nova edição, ficamos sabendo como viviam as vítimas do acidente e o que sentiram durante esse período. Entre os depoimentos estão o de  Lucimar e Lucélia, irmãos da menina Leide das Neves, uma das vítimas mais célebres. Lacerda escutou, ainda, Wagner Mota que já faleceu e, por isso, o seu testemunho acabou tornando-se raríssimo. Além dessas, há várias outras entrevistas.
“Sobreviventes do Césio-137” pode ser encontrado no site da editora Nega Lilu pelo valor de R$ 40,00.
Sem dúvida, um grande livro, um grande lançamento.


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