quinta-feira, 28 de junho de 2018

Pássaros Feridos


Ao dar a minha opinião sobre “Pássaros Feridos” de Collen Mccullough, com certeza estarei indo na contramão de críticos, leitores e imprensa que exaltaram a obra, considerando-a uma das melhores sagas familiares já escritas. Não achei tudo isso.
Não que seja ruim. O problema é que a obra é muito cansativa em algumas partes, fazendo com que o leitor morgue, ou seja, perca o interesse pela história. Isto se deve ao excesso de descrição, já que a autora usa e abusa dessa técnica literária – da qual não sou muito fã - para retratar as paisagens das cidades, fazendas e demais recantos da Austrália, local onde se passa grande parte do enredo.
Acredito que das suas 546 páginas, pelo menos 150 poderiam ser eliminadas. Descrever situações envolvendo personagens ou até mesmo as suas origens é diferente de descrições de lugares. Esta ultima categoria, cansa pacas! Vai minando a paciência do leitor aos poucos. E no caso de “Pássaros Feridos” é uma pena, porque a essência da história é muito boa, mas boa mesmo, tanto é que se a saga fosse mais enxuta, menos descritiva, certamente, seria uma obra perfeita.
A saga de “Pássaros Feridos” começa no início do século XX e conta os acontecimentos de três gerações da família Cleary, misturando ambição, amor e ódio; conquistas e derrotas. Ao contrário do que muitos leitores pensam não se trata de uma simples história de  amor proibido envolvendo uma  mulher e um padre. O enredo vai muito mais além. A autora australiana narra a saga de três gerações de uma família no período de 1915 a 1969.
O livro aborda as alegrias e tristezas da família Cleary -  formada pelo casal Paddy, Fee e os seus sete filhos – que devido a dificuldades financeiras decidem mudar-se de sua humildade propriedade na Nova Zelândia e emigrar para a Austrália, após receberem um convite de Mary Carson,  irmã de Paddy .  Como ela não vê o irmão há muitas décadas e encontra-se sozinha e com a saúde debilitada, decide convidá-lo, juntamente com a sua família, á morarem e trabalharem em sua propriedade chamada Drogheda, uma vasta e rica fazenda de criação de carneiros. A partir daí começam os momentos bons e ruins vividos pelos Cleary’s. Alguns personagens morrem, outros nascem; tristezas e alegrias chegam e vão; e por aí afora.
É importante frisar, novamente, que o livro não se resume a uma história de amor proibida, no caso: Meggie Cleary e o padre/cardeal Ralp de Bricassart. A autora vai mais a fundo, contando a saga dos outros filhos e também do próprio casal: Paddy e Fee.
O livro é dividido em sete capítulos, cada um deles dedicado a um personagem da história e a determinado período temporal, deixando a leitura muito mais organizada.
Galera, enfim, se não fosse o excesso de descrição, “Pássaros Feridos” teria todas as condições de ser incluído no rol dos melhores romances de sagas familiares, mesmo assim, se você se interessou pela obra, aconselho que faça a leitura em doses homeopáticas para não enjoar.
Inté!

Um comentário:

  1. Recomendo a leitura de jardins da Lua - Steven Erikson uma das coisas mais impressionantes que li atualmente.

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