quinta-feira, 10 de maio de 2018

O Caçador de Pipas


Existem livros que tem o poder de mexer com os nossos sentimentos. Podem passar anos e de repente você se vê relembrando determinadas passagens dessa obra e então, pronto! Lá estão os olhos úmidos e às vezes até mesmo com lágrimas. “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini tem esse poder. Um dia desses recordei-me daquela passagem em que Hassan é estuprado. Caraca! Este trecho mexeu muito comigo. Na trama, Amir e Hassan, dois pequenos afegãos de classes sociais e etnias opostas se tornam amigos. Hassan, pobre e de ascendência Hazara, defende constantemente o amigo riquinho Amir da implicância agressiva de outros garotos do local. Entretanto, no dia de um esperado concurso de pipas, Amir vê Hassan ser espancado e estuprado por um bandido. Porém, paralisado, o garoto bem-nascido foge, não fazendo nada para impedir o sofrimento do companheiro. Mais tarde, Amir  passa a ser torturado pela culpa e o arrependimento, e não tolera mais a presença do amigo.
Os dois se afastam, magoados, mas têm de enfrentar problemas mais graves quando a União Soviética invade o Afeganistão e, depois, quando o Talebã domina o país. Amir e seu pai são obrigados a fugir do país e a reconstruir a vida como refugiados nos Estados Unidos.
Lá nos States, Amir vira adulto, faz faculdade e se apaixona. Mas a vida, que parecia ter ficado na calmaria, muda novamente de rumos, e após 20 anos, ele terá de voltar a Cabul para encarar seu passado. 
Achei perturbador  o trecho do estupro narrado por Hosseini em seu livro. Chorei de raiva por causa da covardia de Amir. Chorei do sofrimento de Hassam, impotente nas mãos de um psicopata. E chorei, principalmente, pelo rompimento da amizade dos dois amigos que outrora se pareciam como dois irmãos.
A verdade é que frequentemente recordo dessa passagem tão forte do livro. Tão forte que diretores e produtores da adaptação cinematografia de 2008 não sabiam, na época,  como incluí-la nas filmagens.
O livro de Hosseini gira em torno dessa amizade e principalmente da redenção de um Amir já adulto e consciente do erro cometido quando criança. Agora, ele tenta de todas as maneiras reparar a sua falha e para isso inicia uma peregrinação em busca do ex-amigo Hassan.
Já aviso a todos que estão acompanhando essa resenha e que pretendem ler o livro para preparar os seus sentimentos; você irão chorar, mas chorar muito. Para alguns trechos do livro, principalmente os mais decisivos, é necessário pegar a caixa de lencinhos e ficar preparado para a chegada da ‘Dona Lágrima’. Isto é notório e certo.
Você leitor, com certeza, ainda vai questionar  porque a vida pode ser tão injusta ou então qual seria a sua atitude se estivesse no lugar de Amir.
Cara, “O Caçador de Pipas” é um verdadeiro carrossel de emoções e questionamentos. Um livro imperdível e que todos deveriam ler.
Inté!

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