quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O Prisioneiro do Céu (3º volume da saga O Cemitério dos Livros Esquecidos)

Já escrevi em posts anteriores que considero David Martín o personagem mais instigante da saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos”; e após ter lido “O Prisioneiro do Céu”, esta opinião ganhou ainda mais força.
O atormentado escritor que vende barato o seu talento, além de fazer um estranho acordo com um ser misterioso onde concorda vender a sua alma em troca de saúde, sucesso e dinheiro, é o meu preferido dos três livros da saga – “A Sombra do Vento”, “O Jogo do Anjo” e “O Prisioneiro do Céu - que li até o momento. Creio que Carlos Ruiz Zafón estava inspirado quando decidiu compor esse personagem.
Se em “O Jogo do Anjo”, Martín provocava no leitor sentimentos ambíguos que vão do respeito ao desprezo , agora, em “O Prisioneiro do Céu”, aprendemos a admirá-lo, pois passamos a entender melhor a sua relação com Isabella Sempere, a mãe de Daniel, o protagonista da saga. Na realidade, Martín chegou a doar a sua própria vida para proteger toda a família Sempere – Isabelle e o seu marido Sr. Sempere, além de Daniel, filho do casal. Ficamos sabendo, por exemplo, que Martín no período em que esteve preso sob os olhares atentos do vilão Mauricio Valls - diretor do Castelo Montjuic, para onde, em 1938, durante a Guerra Civil, iam os presos de todas as classes sociais para serem executados ou então esquecidos em calabouços fétidos e impregnados de peste - concordou em atender as terríveis exigências de Valls com a promessa de que o seu algoz não iria criar um ardil para prender a família Sempere.
Grande parte da história de “O Prisioneiro do Céu” se passa atrás das paredes de Montjuic onde acontece um encontro emblemático entre David Martin e ninguém menos do que Fermín Romero de Torres, amigo inseparável de Daniel. C-a-r-a! Juro que não acreditei quando estas duas lendas da saga de Zafón se encontram. Mêo! Só mesmo quem está familiarizado com a saga para entender a dimensão desse encontro, dessa interação. Os diálogos entre os dois personagens são verdadeira pérolas: ora tensos, ora engraçados.
O relacionamento entre Fermin e Sebastian Salgado, outro preso de Montjuic também merece destaque. Apesar da situação de penúria em que vive Salgado, é de seu personagem que vem as ‘tiradas’ mais engraçadas. O sujeito engole qualquer tipo de sofrimento ou tortura para não revelar onde esconde a chave de um cofre que guarda uma fortuna incomensurável  em algum lugar secreto fora da prisão. Quando Fermin descobre onde Salgado guarda a chave. Dei altas risadas. Melhor, gargalhadas. Imagine só jeito de Fermin ao descobrir o precioso segredo. Impagável. 
“O Prisioneiro do Céu” amarra alguns pontos que haviam ficados soltos em “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo” – os restantes, acredito que serão ‘amarrados’ em “O Labirinto dos Espíritos”, livro que fecha a trilogia. O leitor fica conhecendo mais detalhes sobre a morte de Isabella; parte das raízes de Fermín e os motivos que o levou a se transformar num morador de rua. Entre outras revelações, também está o verdadeiro motivo daquele primeiro encontro entre Fermín e Daniel na Plaza Real, após o filho de Sempere ter sido expulso a pontapés da mansão de Dom Gustavo pelo amante de Clara Barceló. Todas essas linhas soltas são costuradas neste terceiro livro.
A história começa pouco antes do Natal, na Barcelona de 1957, um ano depois do casamento de Daniel Sempere e Bea. Eles agora tem um filho, Julián, e vivem com o pai de Daniel em um apartamento em cima da livraria Sempere e Filhos. Fermin ainda trabalha na Livraria Sempere e Filhos e está ocupado com os preparativos para seu casamento com Bernarda no ano-novo. No entanto, ele guarda um segredo que o vem deixando muito triste, o qual ele acaba revelando para Daniel no decorrer da história.
O enredo de “O Prisioneiro do Céu”, em grande parte, se resume à esse segredo de Fermín que ele vai desvendando aos poucos para Daniel, dando a oportunidade de seu amigo conhecer a história de sua mãe, Isabelle; do escritor David Martin, do vilão Maurício Valls e também do próprio Fermín.
O livro tem um final aberto e que certamente prosseguirá com “O Labirinto dos Espíritos.

Fui.

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