quarta-feira, 28 de junho de 2017

10 personagens emblemáticos da literatura inspirados em pessoas que existiram

Ao ler um livro, por acaso, você já ficou em dúvida se aquele personagem que apronta poucas e boas na história realmente existiu? Eu já fiquei. Muitas vezes. Quando o personagem que pensamos ser fictício consegue nos envolver, fica difícil  não perdermos alguns minutos ou até mesmo horas do nosso trabalho ou lazer para pesquisarmos se, de fato, existiu. Concordam?
Pois é, no post de hoje vou apresentar aos nossos leitores, 10 personagens que eu imaginava terem sido apenas frutos da mente de autores criativos. Sem demora, vamos à eles.
01 – O Corcunda de Notre Dame
Livro: “O Corcunda de Notre Dame”
Autor: Victor Hugo
O famoso livro de Victor Hugo que povoou o imaginário de muitas crianças e também adultos nem sempre se chamou “O Corcunda de Notre Dame”. A obra foi publicada originalmente em 1831 com o título “Notre-Dame da Paris”. Bem diferente, não acham? Mas agora, vamos ao que interessa: Quasímodo, o tal corcunda, realmente existiu ou tudo não passou de fruto da imaginação do escritor francês Victor Hugo?  Sim. Existiu. Não com o nome esse nome é claro.
Recentemente foram descobertos registros de que um pedreiro corcunda trabalhou na catedral na mesma época em que Hugo escreveu o livro, no século 19.  Este pedreiro se chamava Monseigneur Trajano e, segundo relatos de documentos encontrados por historiadores naquela época, era um homem digno e amigável, apesar de sua aparência. Ele também era escultor e não gostava de se misturar com os outros escultores.
O famoso escritor francês  teria encontrado em Monseigneur Trajano a fonte de sua inspiração para criar o icônico Quasímodo.
02 – Sherlock Holmes
Autor: Arthur Conan Doyle
Livros: Coleção de 10 romances e contos sobre o detetive
Apesar de Arthur Conan Doyle afirmar que a inspiração para a criar Sherlock Holmes tenha sido dois grandes amigos cirurgiões: Dr. Joseph Bell e Sir Henry Littlejohn que conseguiam grandes conclusões a partir das menores observações que fossem; a verdade pode ter sido outra.
No livro The Real Sherlock Holmes, da autora Angela Buckley, um detetive inglês
Detetive Jerome Carminada
chamado Jerome Caminada é exposto como sendo um fator decisivo, o pilar na formação do herói Sherlock Holmes.
Caminada foi um detetive investigativo de pai e mãe italianos, nasceu (1844) e viveu em Manchester, Inglaterra. A maioria dos casos que trabalhou enquanto ainda estava na Força Policial foi pela Manchester City Police Force, um departamento policial que existiu de 1842 a 1968. À exemplo do personagem criado por Doyle; o detetive inglês de carne e osso solucionava os casos usando-se de uma metodologia considerada revolucionária para a época, onde usava a observação dos detalhes, o seu poder de dedução, além de um vasto conhecimento forense em suas investigações.
As semelhanças entre os dois eram tão latentes que Caminada, assim como Holmes, tinha fascínio por criminosas atraentes e inteligentes – no caso de Holmes, geralmente Irene Adler. Além disso, ambos os investigadores enfrentavam arqui-inimigos: Holmes contra o professor James Moriarty; Caminada contra Bob Horridge – um criminoso de carreira – os dois professores de matemática que se viraram contra a lei.
03 - Zorro
Autores: Johnston McCulley e Isabel Allende
Livros: A Marca do Zorro e Zorro – Começa a Lenda
Parece brincadeira, mas não é. O emblemático Zorro existiu na vida real.
Todos conhecem a história de Diego de la Vega, um jovem rico da colônia espanhola - região que hoje corresponde à Califórnia - que de noite transforma-se em um herói mascarado.
A narrativa do justiceiro criado em 1919 pelo escritor norte-americano Johnston McCulley é baseada na história real de Joaquin Murrieta, o líder de um grupo de foras-da-lei chamados de “Os cinco Joaquins”. Eles eram uma espécie de “Robin Hoods del Mexico”, já que roubavam por Sierra Nevada para usar o dinheiro para ajudar famílias pobres hispânicas da região.
Murrieta acabou sendo preso pelo governo da Califórnia, foi decapitado, e teve a cabeça exposta publicamente como exemplo — bem menos glamouroso que o Zorro ficcional.
04 – Robinson Crusoé
Autor: Daniel Defoe
Livro: Robinson Crusoé
Acredito que a maioria das ‘crianças de ontem, adultos de hoje’ já leram ‘As Aventuras de Robinson Crusoé ou simplesmente “Robinson Crusoé” -  dependendo das edições lançadas. O conhecido romance que o escritor inglês Daniel Defoe escreveu em 1719 foi uma verdadeira coqueluche, tornando-se o livro mais vendido na década.
Vale lembrar que o romance de Defoe é ficcional, mas a história foi inspirada na vida do corsário escocês Alexander Selkirk (1676-1721). O livro tem muito em comum com a história real, mas Selkirk naufragou no Pacífico, enquanto a ilha de Robinson Crusoé era imaginária. Além disso, o escocês viveu por quatro anos e meio no local, e não 28 anos, como no livro.
Em 1704, Selkirk participava de uma expedição liderada por William Dampier para saquear navios espanhóis na América do Sul, e seu navio havia aportado numa ilha localizada na costa do Chile, preparando-se para retornar à Inglaterra com a pilhagem. O casco da embarcação estava no ‘osso’, mas o ganancioso capitão metido a valente decidiu partir logo, sem providenciar os reparos necessários.
Selkirk vendo que a embarcação tinha grande chance de naufragar, pediu para ser deixado sozinho no local, e sua decisão se provou certa, pois o navio, de fato, afundou a algumas milhas, deixando vários mortos.
Uma cabana abandonada já estava armada na ilha, e lá Selkirk passou a dormir. Alguns utensílios deixados pelos corsários também o ajudaram.
Diferentemente de Crusoé, que tinha a companhia do nativo Sexta-Feira, Selkirk não tinha ninguém, a não ser os animais da ilha. 
Segundo uma reportagem publicada pela revista Galileu, o náufrago verdadeiro não tinha nenhuma companhia humana na ilha, a não ser os animais. Como ele fazia as suas roupas? Com o couro de cabras, que também lhe rendiam carne para a alimentação. De acordo com a matéria da revista, os gatos lhe ajudavam a se livrar dos ratos, e assim por diante.
Com o passar dos anos, ele foi aprendendo novas técnicas de sobrevivência até o seu resgate que aconteceu em 1709.
A história do naufrágio do escocês ficou famosa na Inglaterra após ser publicada num folhetim em 1711. Dafoe escreveria o romance oito anos depois, em 1719. O livro ficou conhecido em todo o mundo, consagrando o seu autor.
05 – Cristóvão e o Ursinho Pooh
Autor: Alan Alexander  Milne (A.A. Milne)
Livros:  Winnie-the-Pooh (1926) e The House at Pooh Corner (1928)
Pooh teria sido inspirado em um urso-negro que existiu de verdade no Zoológico de Londres, chamado Winnipeg. Um soldado chamado Harry Celebourn foi o responsável por levar Winnipeg do Canadá até a Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial.
Harry Celebourn e o ursinho Winnie
O soldado, na realidade, um capitão, conheceu um caçador com um filhote de urso numa estação de trem. O caçador tinha atirado e matado a mãe do filhote que sozinho certamente iria morrer. Colebourn ofereceu ao caçador $20 dólares (cerca de US $ 400 dólares) pelo filhote. O homem de bom grado aceitou a troca.
Colebourn batizou o pequeno urso de Winnipeg em homenagem a sua cidade natal adotiva, pois o capitão era natural da Inglaterra, mas fez carreira em Winnipeg, rapidamente o nome do urso tornou-se apenas “Winnie”. O animal acabou sendo doado para um zoológico inglês.
Desde o primeiro dia que o animal foi para o zoológico em Londres, um garoto chamado Christopher Robin fazia questão de visitá-lo quase todos os dias. Sabem quem era o pai desse garoto que se tornou fã do urso? de  
Escritor A.A. Milne e seu filho Christopher
A. A. Milne. Ele mesmo, o  autor dos livros do O Ursinho Pooh que  acabou escrevendo a história inspirado no filho e também em seu novo amigo.
Aqui, cabe uma curiosidade. No ano passado, Lindsay Mattick – bisneta do capitão Celeborun – escreveu o livro “Descobrindo Winnie: A Verdadeira História do Urso Mais Famoso do Mundo”, onde revela que na realidade Winnie não era um urso, mas uma ursa. Caraca! Segundo ela, Winnie era fêmea!
06 – Branca de Neve
Autor: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm (Irmãos Grimm)
LivroBranca de Neve e os sete anões
Pode exclamar à vontade, mas a personagem que você tinha certeza que era 100 % ficção, na realidade, tem o seu lado realista.
Branca de Neve  é um conto de fadas originário da tradição oral alemã, que foi compilado pelos Irmãos Grimm e publicado entre os anos de 1812 e 1822, num livro com várias outras fábulas, intitulado "Kinder-und Hausmärchen" ("Contos de Fada para Crianças e Adultos").
O conto que encantou e continua encantando crianças em todo o mundo foi inspirado por uma jovem que viveu no século XVI. A Condessa Margarete von Waldeck vivia na região que hoje corresponde ao noroeste da Alemanha. Na época, era uma região predominantemente mineira com  crianças pequenas trabalhando nas minas, porque tinham facilidade de entrar em corredores estreitos e apertados. Essas crianças tortas e subnutridas eram conhecidas como “anões de minas”.
Margarete era considerada uma jovem muito bonita e graciosa, mas odiada pela segunda esposa de seu pai. Aos dezessete anos, a jovem deixou sua cidade natal por conta de desentendimentos com sua madrasta e partiu para Bruxelas, onde conquistou o coração de um jovem príncipe que viria a tornar-se Felipe II da Espanha.
Contudo, antes de viverem o seu “felizes para sempre”, Margarete morreu — provavelmente vítima de veneno, se considerarmos a letra tremida de sua carta final (a tremedeira é um dos sintomas do envenenamento). A morte prematura (aos 21 anos) de uma jovem bela fixou-se no imaginário popular, dando origem a mitos que podem ter influenciado os Irmãos Grimm.
As desavenças de outra jovem com sua madrasta, 200 anos depois, pode ter trazido alguns detalhes adicionais ao conto. Maria Sophia Margaretha Catharina von Erthal, foi maltratada por sua madrasta no castelo em que vivia com seu pai, em Lohr. Detalhe: a madrasta em questão recebeu de presente de casamento um espelho famoso, conhecido como “Espelho Falante”. Muita semelhança, não é mesmo?
07 – Hannibal
Autor: Thomas Harris
LivrosHannibal – A Origem do Mal, Dragão Vermelho, O Silêncio dos Inocentes e Hannibal
Após ver o seu personagem transformar-se numa verdadeira coqueluche mundial – amado por uns e odiado por outros – Thomas Harris nunca mais teve paz, pelo menos com relação as perguntas da imprensa e também de curiosos que queriam saber, a qualquer custo, em quem ele havia se inspirado para criar o Dr. Hannibal Lecter.
As especulações deram origem a um nome que se tornou unanimidade entre leitores e críticos:  Ed Gein. Cara, nada a ver. Na realidade, Gein serviu de inspiração para a composição de Búfalo Bill, outro serial killer também presente em “O Silencio dos Inocentes”, onde aparece medindo forças com Lecter e a agente do FBI Clarice Starling.
Finalmente em 2013, Harris decidiu revelar toda a verdade e assim desvendar a aura de mistério que se formou em torno de seu mais famoso personagem. Afinal, quem serviu de inspiração para a vinda do Dr. Lecter ao mundo?
Hannibal Lecter e Dr. Salazar
Então, escute só. O mais famoso serial killer da literatura policial nasceu graças a um médico mexicano chamado Alfredo Ballí Treviño ou simplesmente Dr. Salazar que estava encarcerado numa prisão em Monterrey, no México. Nos meios policiais, antes de ser preso, ele era conhecido como “O Lobisomem de Nuevo León”. Dr. Salazar cometeu vários assassinatos, nos quais as vítimas foram desmembradas, além de terem partes de seu corpo saboreadas pelo médico canibal.
Em 2014 escrevi um post sobre o assunto onde dei todos os detalhes de como Harris chegou até o Dr. Salazar e qual foi o destino do médico. Confiram aqui.
08 - Mônica
Autor: Maurício de Souza
Livros, Gibis e TirasTurma da Mônica
Mônica Spada e Souza, 54 anos, filha do famoso escritor e desenhista brasileiro Maurício de Souza, foi a inspiração para a criação da personagem Mônica que juntamente com Cebolinha, Cascão e Cia conquistaram crianças e adultos ao longo dos anos.
Mônica, filha de Maurício de Souza
Quando criança, Mônica era gorducha, dentuça e baixinha, exatamente como a personagem que inspirou. Inicialmente, ela foi criada nos quadrinhos para ser coadjuvante das aventuras de Cebolinha (inspirado em um amigo de infância de Maurício), mas aos poucos foi erguida ao posto de protagonista pela preferência do público.
Maurício explica que “quando leitores e amigos começaram a pedir mais histórias dela, eu percebi que a Mônica ia sobrepujar o dono da rua. Mesmo assim, teimei muito. Incluí ela para atrair atenção, mas a história continuou a ser do Cebolinha por muitos anos. Só em 1970, na hora de lançar a revistinha, eu aceitei, e passou a ser Turma da Mônica”.
09 – Macbeth
Autor: William Shakespeare
Livro: Macbeth
Macbeth, assim como parte dos personagens que Shakespeare criou para a peça de mesmo nome, foi inspirado em uma pessoa real, Macbeth, rei da Escócia (ou Mac Bethad).
De fato, foi Macbeth que levou à morte o rei Duncan — que, contudo, não era um senhor idoso, mas um jovem rei — e tornou-se o soberano em 1040 ao lado de sua esposa, Gruoch ingen Boite.
Macbeth reinou durante 17 anos e era muito querido e respeitado pelos súditos. Seu único defeito, segundo Holinshed, era o exagero com que ele aplicava castigos àqueles que cometiam algum delito, fosse leve ou grave. O filho de Duncan, Malcolm III, chamado de "Canmore" (Cabeça Grande), derrotou Macbeth na Batalha de Lumphanan em 15 de agosto de 1057. Macbeth ainda foi sucedido por seu enteado, Lulach, mas Lulach foi derrotado e morto por Malcolm alguns meses depois.
10 – Os Três Mosqueteiros (D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis)
Autor: Alexandre Dumas
Livro: Os Três Mosqueteiros
Sentem-se nas cadeiras para não levaram um tombo. Vem surpresa por aí! D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis existiram na vida real. Podem acreditar.
Charles de Batz-Castelmore, também conhecido por Conde D’Artagnan foi o capitão dos mosqueteiros do Rei Luís XIV. Ele nasceu em 1611 e morreu em 25 de junho de 1673 em batalha, após muitos anos à serviço do Rei da França.
Com relação a Athos ou se preferirem Armand de Sillègue d'Athos d'Autevielle, ao contrário do romance de Dumas, onde foi considerado o mosqueteiro mais velho; na vida real ele foi quatro anos mais novo do que D’Artagnan, tendo nascido em 1615. 
Porthos, considerado o mosqueteiro mais forte dos quatro foi inspirado no soldado francês Isaac de Portau. Ele entrou para a guarda francesa em 1640 e segundo os historiadores, Porthos e D’Artagnan prestaram o serviço juntos. Porthos passou a integrar o corpo dos mosqueteiros do rei em 1643, no mesmo ano da morte de Athos, o que prova que os dois não chegaram a servir juntos na guarda de elite do Rei da França.
E finalmente, Aramis. Henri d’Aramitz, o famoso e conquistador mosqueteiro do rei, era um abade laico de uma família protestante de Béarn, na Gasconha e  que por ser sobrinho, por afinidade, de M. de Tréville, comandante da Companhia dos Mosqueteiros, não encontrou nenhuma dificuldade para ingressar na guarda de elite do Rei da França.
Se quiserem saber mais sobre os verdadeiros mosqueteiros, acessem aqui.
Galera, por hoje é só.


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