domingo, 28 de maio de 2017

10 autores que viveram momentos de terror em suas vidas

Geralmente, nós leitores, vemos os nossos autores preferidos como pessoas incapazes de viver situações rotineiras consideradas comuns para qualquer ser humano. Imaginamos Stephen King, Paulo Coelho, J.K. Rowling, Bernard Cornwell e muitos outros sentados atrás de uma mesa encarando o seu editor de texto e mandando ver em suas histórias. Para alguns leitores, eles não passam de reprodutores de enredos. Com isso, nós esquecemos que essa ‘galera da escrita’ também já enfrentou situações de risco tão comuns para nós, ‘simples mortais’. Capiche? Ou será que só nós vivemos situações de perigo como os personagens de seus livros? Assaltos, acidentes, seqüestros, etc.
Alguns  internautas que seguem o blog poderão achar esse post um tanto macabro, mas tudo bem, vou correr o risco. Hoje, retornando com as listas literárias, nós vamos falar escrever sobre os momentos de tensão e perigo enfrentados por 10 escritores famosos, como se eles estivessem participando de uma história de ficção.
01 – Augusto Cury (Roubo e reféns)
Abrimos o post abordando a situação delicada enfrentada pelos familiares de Augusto Cury, famoso escritor brasileiro e psiquiatra autor do mega sucesso “Análise da Inteligência de Cristo”, além de muitos outros bestsellers.  Com 20 milhões de exemplares vendidos no país, Cury é considerado o autor brasileiro mais lido na última década.
O pesadelo do escritor teve início na madrugada de uma sexta-feira do mês de maio de 2016 quando suspeitos armados fizeram seus familiares reféns durante assalto a um condomínio na Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira (Anel Viário Suyl), em Ribeirão Preto (SP).
Segundo a Polícia Militar informou na época, o escritor não estava na residência no momento do crime. Os bandidos entraram no condomínio de luxo e renderam os familiares, incluindo crianças, enquanto dormiam.
Os suspeitos colocaram objetos da casa e aparelhos eletrônicos no carro da família que estava estacionado na garagem, e fugiram pela portaria principal do condomínio, se passando por moradores. O veículo foi localizado na manhã do dia seguinte próximo ao Jardim Progresso.
Os criminosos saíram pela frente com o carro do proprietário, como se fossem moradores. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.
02 – Clarice Lispector (Cigarro e incêndio)
Um simples cigarro chegou perto de encerrar a brilhante carreira de uma escritora. Verdade!
Na madrugada de 14 de setembro de 1996, a escritora ucraniana, naturalizada brasileira, Clarice Lispector, dormiu em sua casa com um cigarro aceso , provocando um incêndio. Seu quarto ficou totalmente destruído. Com inúmeras queimaduras pelo corpo, passou três dias sob o risco de morte e dois meses hospitalizada.
A acidente foi tão grave que por um triz, a escritora não teve a sua mão direita — a mais afetada — amputada pelos médicos. O acidente mudaria em definitivo a vida de Clarice. No ano seguinte, as profundas cicatrizes do grave acidente fizeram com que a escritora caísse em depressão, apesar de todo o apoio recebido de seus amigos. Mas não foi só um ano de acontecimentos ruins. Lispector, apesar do trauma do acidente, começou a publicar em agosto de 1997, crônicas no "Jornal do Brasil", trabalho que manteve por seis anos. Paralelamente a atividade desenvolvida no “Jornal do Brasil” lançou o livro infantil “O mistério do Coelho Pensante”, pela José Álvaro Editora. Em dezembro de 1997, passou a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro.
Pronto! A escritora com alma guerreira conseguiria dar a volta por cima e superar o grave acontecimento que quase tirou a sua vida.
03 - George Orwell (Um tiro quase fatal)
Em 1937, George Orwell era um dos combatentes republicanos na Guerra Civil Espanhola quando um tiro na garganta quase tirou a sua vida. O autor de "A Revolução dos Bichos" estava numa trincheira quando acabou sendo atingido no braço e também na garganta. 
O balaço que levou no pescoço não atingiu a artéria carótida por questão de milímetros, caso contrário, teria morrido; apesar disso, o tiro danificou as suas cordas vocais fazendo que ele falasse de um jeito afeminado pelo resto de sua vida.
Orwell faleceu em 21 de janeiro de 1950, aos 47 anos, em um hospital na cidade de Londres. Ele pode ter partido muito cedo, mas suas idéias e opiniões permaneceram para além de sua obra. Tanto “A Revolução dos Bichos” quanto “1984” se transformaram em filmes e tiveram grande popularidade ao longo dos anos.
Orwell foi casado com Eileen O’Shaughnessy até a morte desta, em 1945. De acordo com vários relatos, o casal mantinha um relacionamento aberto. Orwell teve vários outros casos durante o casamento. 
04 - Isabel Allende (Golpe Militar e exílio)
Isabel Allende é uma escritora peruana, mas de ascendência chilena.  Apesar de ter nascido em Lima, sua família voltou logo para o Chile, sua terra natal. Atualmente vive nos Estados Unidos.
É filha de Tomas Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende que governou o Chile de 1970 a 1973 quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.
Pois é galera, a escritora estava lá. Por isso, ela viveu todo o terror daquele golpe, e para não se tornar mais uma das inúmeras vítimas da ditadura teve que fugir do País juntamente com alguns de seus familiares.
Cara, o que dizer de um regime que fez mais de 40 mil vítimas, entre elas 3.225 mortos e desaparecidos? Quando explodiu o golpe de estado, os familiares e amigos de Allende para não serem caçados, presos e possivelmente mortos foram obrigados a fugir. Com a escritora não foi diferente. Ainda pequena, os seus pais tiveram que se exilar para evitar o autoritarismo de Pinochet.
Isabel Allende narra todo o seu drama no livro “A Casa dos Espíritos” onde relata através de personagens fictícios todo o drama que os seus familiares enfrentaram durante um dos períodos mais complicados na vida do País.
05 - Pearl S. Buck (Bombardeios e saques na China)
A escritora americana, ganhadora do prêmio Pulitzer de 1932 e do Nobel de Literatura de 1938 viveu momentos difíceis durante em sua infância durante a Guerra Civil Chinesa. Filha de missionários presbiterianos, aos 3 anos de idade, em 1892, foi levada pelos pais para a China, onde foi criada. Estudou em Xangai até os quinze anos e trabalhou em um abrigo chinês para mulheres escravas e prostitutas. A China a marcou sensivelmente, tanto é que a autora fez questão de evocar a cultura chinesa na maioria de suas obras. Aquele país proporcionou momentos de alegria, mas também momentos de grande terror em sua vida.
Em 1927, aos 35 anos, antes de escrever “A Boa Terra”, sua obra máxima que valeria os prêmios Pulitzer e Nobel de literatura, Pearl Buck se encontrava na cidade de Nanquim que foi palco de um violento bombardeio durante a guerra civil.
Para não serem mortos, a escritora e seus familiares tiveram que se esconder em um porão de uma família pobre da cidade, enquanto as casas eram saqueadas. O incidente de Nanquim como ficou conhecido, foi uma investida dos comunistas e nacionalistas para expulsar as forças estrangeiras da cidade. Para isso, eles queimaram casas, invadiram consulados e realizaram inúmeros bombardeios à cidade. Buck, sua família e os demais cidadãos de Nanquim tiveram que receber auxílio para deixarem a cidade em segurança.
06 – Fiodor Dostoiévski (O pelotão de fuzilamento)
My God! Imagine você enfrentando um pelotão de fuzilamento. Olhos vendados, mãos amarradas e de pé, sabendo que a qualquer momento, o seu corpo será crivado de balas. Cara, acredito que não seja possível mensurar o terror que sentiríamos. Pois é, foi isso que o conhecido escritor russo Fiodor Dostoiévski sentiu em 1849.
Por  causa do seu suposto envolvimento em um grupo intelectual radical, chamado Círculo Petrachévski, o autor passou a ser persona non grata na Rússia e acabou sendo caçado, preso e condenado a morte. Contudo, quando ele estava diante do pelotão de fuzilamento, no dia 22 de dezembro, recebeu um indulto de última hora e foi enviado para trabalhos forçados na Sibéria, onde ficou por quatro anos. Ufaaaaa!!!
Antes de ser condenado, ele havia escrito dois livros: Gente Pobre (1846, seu primeiro romance), que foi um sucesso, e O Duplo, no mesmo ano, um fracasso. O seu maior sucesso, “Crime e Castigo” só seria escrito 20 anos depois, em 1866.
07 – José Luis Peixoto (Assaltado e agredido)
O famoso escritor e poeta português José Luis Peixoto, vencedor dos prêmios José Saramago e da Sociedade Portuguesa de Autores;  além de ter sido vítima de assalto, também foi agredido.
O fato aconteceu num domingo de outubro em 2013 numa das ruas de Bissau, capital da Guiné-Bissau. Peixoto encontra-se no país pela primeira vez, para participar de atividades literárias promovidas por uma associação cultural.
Enquanto regressava a pé, o escritor foi abordado por um grupo de pessoas perto do local onde estava alojado. Os larápios levaram o seu celular que trazia na mão e tentaram tirar-lhe a carteira que não saiu do bolso da calça.
O escritor foi ameaçado e agredido com um murro na face, que lhe deixou uma cicatriz no nariz. Os agressores fugiram.
08 – Stephen King (Atropelamento quase fatal)
No dia 19 de junho de 1999, Stephen King se viu transformado num dos personagens de suas histórias de terror. Ele passeava sozinho por uma estrada vazia e tranqüila do Maine perto de sua residência, quando foi atropelado por uma Van desgovernada que parecia ter surgido de ''Christine - O Carro Assassino''. Seu motorista disse ter tido a sua atenção desviada pelo cão que estava consigo. O acidente deixou seqüelas em King que foi submetido a varias cirurgias.
O escritor teve danos pulmonares, fraturas múltiplas na perna direita e quadril, além de lacerações na cabeça. A situação da perna era tão grave que os médicos cogitaram inclusive amputá-la, mas depois viram que era possível curá-la. Vale lembrar que, ainda hoje, ele faz tratamentos e fisioterapias.
O acidente foi retratado em vários de seus livros, de diferentes maneiras, tendo inclusive um papel determinante na série da Torre Negra.
Podemos dizer que o mestre do terror e suspense escapou da morte por um triz.
09 – Richard Bach (De cabeça para baixo num monomotor)
Richard Bach, autor de “Fernão Capelo Gaivota” – um dos livros mais emblemáticos dos anos 70 – ficou gravemente ferido ao sofrer um acidente aéreo em Washington, Estados Unidos, em setembro de 2012. O autor americano – que na época tinha 76 anos - pilotava sua própria aeronave, um Easton Gilbert Searey modelo 2008, quando se enroscou em cabos de energia, no momento do pouso.
Bach ficou de cabeça para baixo no cockpit do monomotor e foi encontrado por um grupo de turistas que estava na ilha de San Juan. Ele tinha um sério ferimento na cabeça e estava sangrando.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação, o monomotor caiu num lugar abandonado e a sorte do escritor foi a chegada desse grupo de turistas que passava casualmente por ali. Já imaginaram o pânico de Bach em não ser encontrado, já que estava ferido e preso no cockpit da aeronave e... de cabeça para baixo!
O escritor foi levado de helicóptero, em estado grave, para o Harborview Medical Center, em Seattle.
10 – Chinua Achebe (O acidente e a cadeira de rodas)
Fechamos a nossa lista com o drama enfrentado por Chinua Achebe – considerado o pai da literatura moderna africana.O acidente sofrido por ele pode ser considerado muito mais grave do que aquele sofrido por Stephen King. Enquanto King conseguiu escapar com poucas seqüelas da tragédia, o autor nigeriano acabou indo parar numa cadeira de rodas.
O autor de “Quando Tudo Se Encaixa” estava em um carro que seguia para Lagos quando um eixo quebrou e fez com que o veículo capotasse. O motorista e o filho de Achebe tiveram ferimentos leves, mas o peso do veículo caiu todo sobre o autor. Ele foi levado para a Inglaterra em estado grave e lá se constatou que o dano na parte de baixo do corpo era irreparável e ele teria que usar uma cadeira de rodas por toda a vida. Achebe morreu em 22 de março de 2013 aos 82 anos.

Inté!

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