sábado, 14 de janeiro de 2017

Ainda estou enroscado em “Os Eleitos” de Tom Wolf

Tudo bem que seja considerado um clássico da literatura e uma obra prima do 'new journalism', mas confesso que a leitura de "Os Eleitos" de Tom Wolfe 'tá' complicada. Cara, me enrosquei no livro! Detalhista ao extremo, ou melhor, ao 'extremíssimo' e consequentemente cansativo. Desculpe-me a sinceridade; talvez esteja - neste momento - deixando muitos fãs da obra de Wolfe, boquiabertos com a minha opinião, mas prefiro ser assim, trabalhar com a verdade.
Talvez a carência de personagens carismáticos que conquistem o leitor, sejam esses personagens 'mocinhos e mocinhas', bad-boys e bad-girls possa ser um dos motivos do texto morno. Concordo que a história real do "Projeto Mercury", idealizado pelos gringos que foi o primeiro projeto tripulado de exploração espacial da Nasa é interessante, mas Wolfe deu muitas reviravoltas em torno do enredo, deixando-o cansativo. Quanto aos astronautas do Mercury, bem... suas histórias são comuns.
Concordo que é muito difícil para um escritor criar um enredo com personagens que existiram, de fato, principalmente se o dia a dia deles teve pouco sex appeal. Trabalhar com um personagem irreal é muito mais fácil, já que o autor pode dar asas a sua imaginação.
Para não dizer que estou sendo duro demais, asseguro que gostei muito da primeira parte de “Os Elietos” que aborda o dia a dia dos valentes pilotos de provas da Base Aérea de Edwards, na Califórnia, nos anos 50 e 60, que lutavam para conseguirem vencer a barreira do som. Amigo... cada vôo era uma aventura.
A comunidade fechada desses pilotos era cheia de regras e conceitos que chegavam a virar tabus para aqueles que não estavam acostumados. Por exemplo, quando um piloto morria durante um teste – o que era muito comum – ninguém (absolutamente ninguém) podia anunciar o óbito para a esposa da vítima, além do capelão da base que era conhecido como “Anjo da Morte”.
Wolfe ainda descreve em detalhes o dia a dia desses pilotos, os perigos enfrentados, o relacionamento com os seus familiares e por aí afora.  Fantastic! Então, para temperar ainda mais a breve primeira parte da obra, entra em cena o mito Chuck Yeager. Sabem quem é? Simplesmente, o sujeito que conseguiu demolir a barreira do som! A partir daí amigo, a história fica ainda mais emocionante ainda. E como! Para aqueles que não sabem, vale contar uma historinha curiosa sobre o mito, Vai lá: Era pouco mais de 6 da manhã quando Yager foi lançado do compartimento de um B-29, o mesmo bombardeiro que realizou os ataques sobre Hiroshima e Nagasaki. Ah! Detalhe: ele estava com duas ou mais costelas quebradas – já que um dia antes do teste, o piloto resolveu andar de cavalo durante a madrugada após um porre e acabou caindo do animal, quebrando as danadas das costelas. E mesmo estropiado e com muita dor, ele caiu como uma bomba no compartimento do bombardeio e entrou em um estranho aviãozinho, o Bell X-1.
Na briga para quebrar a barreira do som, Yeager perdeu sustentação, viu os controles entrarem em parafuso, quase caiu, mais conseguiu manter o tal ‘aviãozinho’ no ar e o mais importante: romper a ‘Dona toda prepopente Barreira do Som”.
Pois é galera, era 14 de outubro de 1947, o dia em que o primeiro ser humano voou além da velocidade do som, saindo da Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Nas palavras do próprio piloto, em seu livro "Yeager: An Autobiography" (no Brasil, "Voando nas Alturas"), ele 'avançava em direção a um território desconhecido'.
Mas então... entra em ação os astronautas do Projeto Mercury e a ‘ coisa’ degringola.

Tão logo, consiga desenroscar do livro, farei a resenha.

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