domingo, 20 de novembro de 2016

Rambo II – A Missão

Aqueles que acompanham o ‘Livros e Opinião’ há tempos, com certeza, já conhecem a minha aversão pelas novelizações de filmes. Acho que após um roteiro original ter sido levado para as telas é uma grande bobagem querer adaptá-lo para as páginas. Ao contrário de uma obra literária que é transformada num filme. Neste caso...Uhauuuu! Sai de baixo galera, porque a ‘coisa’ muda de figura já que o leitor entra em êxtase ao saber que os  personagens que foram seus amigos, inimigos ou amantes por dias, semanas ou meses – dependendo do ritmo de leitura de cada um – irão ganhar vida, transformando-se em seres humanos na ‘pele’ de algum ator ou atriz.
Quanto ao processo inverso, como já disse acima, confesso que é uma droga. Sei lá, é o mesmo que você ‘ler o filme’ que assistiu! Arghhhh”!
Pois é, mesmo com a minha famosa ojeriza pelas malfadas novelizações resolvi encarar “Rambo II – A Missão”. O mesmo Rambo com Sylvester Stallone que já assisti inúmeras vezes no decorrer de minha vida. Por quê fiz isso? Por dois motivos.
O primeiro: por ter gostado de duas únicas novelizações -  “O Segredo do Abismo” e “Love Story” - em toda a minha vida de leitor. É; milagres acontecem.
O segundo e, também, o mais importante: pela novelização ter sido baseada num roteiro deJames Cameron, mas que foi desprezado por Stallone. Explicando melhor:
Impressionados com o trabalho de Cameron em “O Exterminador do Futuro”, os produtores de “Rambo II: A Missão”, incluindo Stallone, decidiram convidá-lo para escrever o roteiro do filme. Apesar de estar envolvido com outra história, no caso, “Aliens, O Resgate”, Cameron aceitou escrever o roteiro da sequencia de Rambo. Só que, após ter a confirmação de que “O Exterminador do Futuro” iria se transformar uma franquia e que ele teria sido confirmado para escrever a sequencia do primeiro filme, Cameron decidiu abortar Rambo, mesmo já tendo escrito boa parte do enredo.  Foi então que Stallone acabou assumindo o roteiro e modificando toda a história. Entonce... Tchan, Tchan! Eis que David Morrell dá as caras nesse contexto. Ocorre galera, que após o sucesso nos cinemas, os produtores do filme queriam faturar ainda mais, agora com a venda de livros. Decidiram, então, convidar o autor de “Primeiro Sangue” – livro do qual originou o personagem Rambo -  para escrever uma novelização da produção cinematográfica. No início, Morrell, ficou relutante, mas acabou mudando de idéia, principalmente porque iria trabalhar com parte de um roteiro que não chegou a ser aproveitado no filme, já que Stallone mudou tudo o que Cameron havia escrito. Outro motivo é que foi dado a Morrell a liberdade para acrescentar o que quisesse no enredo, incluindo os trecho que Stallone havia reescrito. Resumindo: liberdade total. Pronto, surgia assim, o livro “Rambo II – A Missão”.
Taí galera, esses foram os motivos que me levaram a encarar a tal novelização.  E posso dizer que o livro tem muitas diferenças em relação ao filme.
Por exemplo, a obra traz detalhes sobre como John Rambo se tornou um soldado tão eficiente das Forças Especiais do Exército americano. Neste capitulo ficamos sabendo como foi o seu treinamento com o Coronel Trautman. Descobrimos ainda como Rambo aprendeu a manejar o arco e flecha, sua arma principal tanto no filme quanto no livro. Detalhe: Não foi Trautman quem o ensinou, mas um monge budista, especialista nesse tipo de arma.
Morrell também dá pinceladas da infância e adolescência do emblemático personagem, além de explicar detalhes técnicos sobre o funcionamento do arco utilizado por ele e de suas flechas com pontas explosivas que se tornaram famosas nos cinemas.
Ao aceitar escrever a novelização, o autor optou por criar um Rambo mais violento para ser coerente com o personagem do romance original (“Primeiro Sangue”), um sujeito irritado e psicótico.
O personagem de Co Bao, guia de Rambo em sua missão, também é muito diferente no livro. Morrell decidiu seguir o raciocínio de Cameron que havia idealizado uma mulher vietnamita, formada em economia na Universidade de Saigon e que aprendeu falar inglês muito mal. Co também é bastante vulgar no livro, enquanto que no filme ela não fala uma única profanação. Ela menciona na novelização que teve um filho de um relacionamento anterior; além de um irmão, do qual gosta muito.  O romance entre Rambo e Co muito intenso nas páginas. Em vários trechos da obra, ela se refere ao soldado como “meu homem”. Estes detalhes  foram omitidos completamente na versão cinematográfica.
No momento em que Rambo é capturado pelo sargento Tay, o autor aproveita o ‘gancho’ na trama para revelar o motivo do ódio mortal que  o torturador vietnamita sente do combatente americano. Eu adianto aos leitores que a razão desse ódio é algo que Rambo fez no passado para o sargento.
O livro não segue uma narrativa distinta, sob o ponto de vista de algum personagem (em primeira pessoa) ou de um narrador particular, como é dito do ponto de vista do onisciente de terceira pessoa. Há muitas cenas em particular que são contadas sob o enfoque do vilão. Existem passagens que o sargento Tay, Co, Trautman, Murdock e até mesmo um soldado vietcong, não identificado, participam da narração.
O livro também revela que Rambo não perdeu a sua virgindade até a idade de 21 anos, e que foi recrutado antes que ele pudesse se casar com a mulher. Quando ele voltou da guerra, com o coração partido, descobriu que ela tinha se casado e estava com três filhos.
Há praticamente tantas diferenças entre livro e filme que quase os tornam produtos distintos. Isso ocorre porque Stallone deu toda a liberdade para que Morrell fizesse as alterações que julgasse necessárias no roteiro.
Resultado: uma novelização muito bem feita e que não é uma cópia descarada do filme.
Fui!
  


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