segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Os Doze mandamentos

Li a resenha de “Os Doze mandamentos” em vários blogs e grande parte deles criticou o livro de Sidney Sheldon, dizendo que a obra é muito ruim. Alguns colegas blogueiros afirmaram que  o autor nem mesmo parecia ser Sheldon por causa da má qualidade dos contos.
Olha, desculpem-me, mas eu não concordo. Gente, “Os Doze mandamentos” é uma obra infanto-juvenil e tanto o seu enredo quanto os seus personagens jamais poderiam ter as mesmas características dos romances adultos escritos pelo autor. Isto é obvio.
Quem é fã de Sheldon – como eu – conhece perfeitamente o seu estilo de escrita. Intrigas, sexo, traições, mulheres fortes ou submissas, vilão mau caráter ao extremo, sem contar os prólogos que antecipam parte do enredo, fazendo com que o leitor queime os neurônios para ‘advinhar’ o destino dos personagens principais. Tudo bem, agora coloque todos esses ingredientes num romance infanto-juvenil. Cara, sem chance!
Penso que vários leitores que apreciam o estilo literário de Sheldon, leram “Os Doze Mandamentos” de maneira desavisada, acreditando que teriam pela frente contos semelhantes aos seus enredos tradicionais. E foi, então, que o calo apertou e o dono do sapato gritou.
Li o livro de apenas 142 páginas em menos de dois dias. Gostei muito dos contos porque já sabia que encontraria um Sheldon ‘infantil’ e não adulto. E olha que mesmo sendo para essa faixa etária, ele ainda deu uma apimentadinha em alguns trechos, como no conto relacionado ao do ao sexto mandamento: “Não Matarás”, onde um homem decide matar a sogra que mora com ele e vive atrapalhando o seu relacionamento com a esposa.
“Os Doze Mandamentos”, lançado originalmente em 1995, não é a primeira incursão de Sheldon na literatura infanto- juvenil. Neste mesmo ano, ele escreveu “O Fantasma da Meia-Noite” e em 1991, foi a vez de “O Estrangulador” .
Em “Os Doze Mandamentos”, Sheldon explica com muito humor o porque dos dois mandamentos excedentes (Nunca dirás uma inverdade e Não farás mal ao teu semelhante)  não terem chegado ao conhecimento dos homens. Há também um breve resumo sobre importantes passagens bíblicas, entre as quais “A Arca de Noé”, “A Torre de Babel”, “Abertura do Mar Vermelho”, “Daniel na Cova dos Leões” e outras numa narrativa bem leve e despojada . Ah! Antes que pensem que o autor esteja cometendo algum tipo de sacrilégio com tais passagens bíblicas, lembro que o humor contido nos textos não tem nada de agressivo, pelo contrário, é uma irreverência saudável, tornando a leitura muito mais atraente.
Logo depois desse prólogo tem início os contos que são narrados sem firulas e sem muito blá-blá-blá. São histórias curtas e Sheldon vai direto ao ponto, evitando que se tornem cansativas. Ele narra situações em que os personagens descumpriram regras e foram agraciados por isso. Achei três histórias impagáveis, muito boas, de fato. A primeira delas é a de um padre que se julga um verdadeiro santo por nunca ter contado uma mentira. Bom... até o dia que ele se vê num apuro danado, então... já viu o que acontece, né? A segunda é sobre o capanga de um perigoso mafioso que mata as suas vítimas sem piedade. Ele se envolve com a amante do capo e é pego em flagrante. O final é ‘pra lá de inesperado’. E o outro conto é de um brutamontes que apesar de toda a sua força física nunca revidou uma agressão e por isso sua vida é apanhar dos outros. Resultado: recebeu o rótulo de ‘covarde dos covardes”. Mas num ‘belo dia’ ele sai com a mulher para jantar num restaurante e encontra um cara maior que ele. O valentão  além de o chamar de covarde ainda dá uma cantada descarada na mulher do infeliz. Aí...
 “Os Doze Mandamentos” é um livro muito bom, desde que você leia desprovido da expectativa de encontrar um Sheldon para adultos.

Inté”

2 comentários:

  1. Me irrito muito quando leio opiniões criticando o livro com a justificativa de que nem parece o Sheldon. Num livro infanto juvenil estranho seria se este se parecesse com seus romances picantes, violentos e trágicos. Pior é que logo nas primeiras páginas tem a relação dos livros do autor e esse Os Doze Mandamentos está na categoria infanto juvenil, pra qualquer um ver. Acho esse livro uma delícia. Muito criativo e que agrada públicos de qualquer idade. A única ressalva que tenho é que o conto sobre falso testemunho foge à regra dos que quebram os mandamentos e se dão bem.

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    1. Ronaldo, é isso mesmo. Apesar de ser um livro infanto-juvenil, vários contos de "Os Doze Mandamentos" lembram muito as histórias adultas de Sheldon.
      Abcs!

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