domingo, 14 de agosto de 2016

Joyland

Mais do que a revelação do nome do ‘assassino do parque’ que acontece nas páginas finais. Mais do que os trechos macabros que envolvem gargantas cortadas e até um pedaço de nariz dependurado no rosto. Mais do que tudo isso junto e misturado, “Joyland” oferece aos seus leitores algo muito melhor e que torna a leitura surpreendentemente prazerosa: os relacionamentos entre os personagens descritos de maneira envolvente por Stephen King.  Usei acima, o termo “surpreendentemente” prazerosa porque King é o mestre do terror e suspense e por isso, o obvio seria ‘fisgar’ a atenção dos seus leitores por meio desses artifícios, mas em “Joyland” acontece o inverso. O clima de terror no enredo é mínimo e o de suspense, apenas meia boca, melhorando um pouquinho no final. Mas por outro lado, a interação entre os personagens é divinamente fantástica e provoca uma onde nostalgia e tristeza nos leitores. A história tem vários momentos que mexem com a gente, nos deixando melancólicos, tristes, emocionados, enfim, uma verdadeira miscelânea de sentimentos em suas 239 páginas.
A publicação americana Entertainmet Weekly definiu muito bem o enredo “Joyland”: “arrasadoramente triste”. Mas isso não significa que por ser “arrasadoramente triste” o romance seja ruim ou depressivo. Não. E para provar  isso recorro a outras duas definições dadas pelos jornais americanos USA Today e The Washington Post que dizem: “intenso e cativante” e “emocionante... imensamente atraente”, respectivamente.
Cara, no que diz respeito a sentimentos, o livro é fodástico. Tudo bem que da maneira como estou escrevendo esse post, a impressão que fica é de que o livro de King  se pareça mais com uma melosa história de amor do que um terror ou suspense. Nada a ver a galera. Estou me referindo a um tipo diferente de sentimento, muito distante dos dramalhões de “Love Story” ou “Como Eu Era Antes de Você”, ambos, inclusive, muito bons. O que estou querendo ou tentando dizer é que a narrativa é sobre amizade, a verdadeira amizade. King, de maneira mágica, descreve como ocorrem as etapas para se formar esse vínculo: o início, o meio e o fim. O autor mostra que a verdadeira amizade nunca termina, mas muitas vezes o distanciamento -  provocado por determinadas situações que fogem do nosso controle – faz com que os verdadeiros amigos acabem se separando, pelo menos fisicamente.
É impossível ficar imune ao sentimento de amizade entre Devin Jones, Erin Cook e Tom Kennedy, os quais eu apelidei carinhosamente de “Os Três Mosqueteiros”. A interação do leitor com esses três personagens é visceral. No meu caso, tive a oportunidade de viver ‘ao lado’ deles momentos alegres e inesquecíveis no Parque de Diversões Joyland e também momentos muito tristes, entre os quais, a separação dos três por força do destino.
“Joyland” não resume apenas a interação entre esses três personagens. Temos ainda o relacionamento conflituoso entre Devin Jones e Annie Ross, a filha rebelde de um famoso pastor com programas no rádio e TV. No início a aversão entre os dois é recíproca, mas depois essa convivência reserva verdadeiras surpresas para o leitor e posso garantir: surpresas emocionantes. Ross é mãe de um garotinho chamado Mike que tem o dom de falar com fantasmas e por isso, prever o futuro. Ele sofre de uma doença incurável e sabe que já está com os seus dias contados. King descreve de forma cativante como vai se formando o elo de amizade  entre esses três personagens. Conflituosa no início – principalmente entre Devin e Annie - e deliciosamente verdadeira no final.
Com relação ao núcleo de personagens que trabalham no Joyland temos Lane Hardy; Fred Dean; Rosalind Gold, uma cigana misteriosa e sua bola de cristal; Bradly Easterbrook, o ativo velhinho com quase 90 anos que é o dono do parque; Eddie, um funcionário rabugendo e mau caráter que deixará o leitor surpreso, com uma atitude inesperada que tomará no final; além do fantasma de  Linda Gray , que foi uma das vítimas do assassino do parque.
Enfim, “Joyland” é isso. Um livro com relacionamentos marcantes e personagens viscerais. Reviravoltas, surpresas, terror e suspense? É claro que existem, afinal estamos falando de um livro de Stephen King, mas eles funcionam apenas como pano de fundo, meros coadjuvantes.
“Joyland” é narrado em primeira pessoa por Devin Jones que relembra os acontecimentos que ele viveu em 1973 quando começou um trabalho temporário num parque de diversões, esperando esquecer a namorada que partiu o seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando o seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.
Linda Gray foi morta no parque Joyland há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso.
Beleza galera?
Ótima leitura e curtam bem os personagens e seus momentos.

Inté!

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