domingo, 3 de julho de 2016

5 enciclopédias antológicas que um dia você teve em sua estante

Um dia desses me deu uma vontade enorme de reler “História da Humanidade”. Queria mergulhar de cabeça naquele texto descomplicado e sedutor que contava em detalhes a história do desenvolvimento dos povos ao redor do mundo. E com uma vantagem: o tal texto mágico tinha inúmeras gravuras. Então, quando voltei à realidade, entendi que esse desejo era impossível. Putz! Putz! Mil vezes Putz!! Porque sumiram com o meu Trópico! Aliás, porque eu sumi com uma enciclopédia que foi a minha companheira de leitura durante toda a minha infância? História da Humanidade era um dos capítulos que eu mais gostava de ler.
Cara... Bateu um peso de consciência horrível. Acredito que muitos de vocês que lêem esse post, também enfrentam a mesma situação.
Tento encontrar uma explicação para o abandono daquelas obra, mas não encontro.
Sei lá, talvez quando percebi que a velha estante da sala estava tomada por livros e gibis, todos amontoados, decidi liberar um espaço maior para eles. E com isso quem ‘pagou o pato’ foram as antigas enciclopédias como Trópico, Medicina e Saúde, Conhecer e outras que foram parar nas gavetas de uma velha cômoda no porão.
O golpe de misericórdia que decretou a morte dessas obras mágicas foi o advento da internet. Em meados dos anos 90 quando a novidade foi liberada para os lares brasileiros, as nossas queridas e hoje saudosas enciclopédias partiram para sempre.
A pergunta que fazíamos era a seguinte: “Para quê ficar manuseando páginas se tudo o que eu preciso está aqui, nos santos: Yahoo, Cadê e finalmente no gigante “Santo Google”?
Man ! Man! Dói no coração ver que hoje nem mesmo as escolas estão aceitando doações de enciclopédias. Chega a ser constrangedor ver os nossos queridos educandários fugirem delas como o diabo foge da cruz. Nas campanhas de doações de livros, os professores já vão logo avisando: “Não aceitamos enciclopédias de qualquer espécie!”. Hoje, esse saudoso material didático e fonte de pesquisas - que encantou gerações de leitores -ganhou uma nova função nos estabelecimentos de ensino: apoio para monitor de computador ou rascunho para alunos do pré-primário.
Fico imaginando o que a escola da minha cidade fez com os volumes do Trópico que doei. Naquela época, os professores não eram tão radicais e ainda aceitavam – com cara ‘meio’ torta – as enciclopédias.
Mêo, quando doamos um caixote lotado de enciclopédias, no ímpeto de livrarmos delas, nós esquecemos de um detalhe importante: também estamos renegando uma das fases mais importantes de nossa vida, onde aprendemos a ganhar o gosto pela literatura.  Tudo bem, tudo bem...  desculpe-me se estou radicalizando tanto, mas é dessa maneira que me sinto agora. Cara, dói ver os nossos educadores contemporâneos virando as costas para um material antológico e, pior, usando-o como apoio para monitores. Pera ai; agora banquei o hipócrita, já que eu mesmo virei as costas!!
Galera, no post de hoje quero fazer uma espécie de ‘mea culpa’ e falar escrever sobre cinco enciclopédias que no passado tive a honra de acolher em minha estante e que num momento de bobeira acabei me livrando delas.
01 – Trópico
Com certeza, foi a grande responsável por despertar em mim o gosto pela leitura. Recordo dos momentos que ficava sentado na poltrona do meu pai na sala viajando com os conhecimentos da famosa e saudosa enciclopédia. E que viagem! “História da Humanidade”, “História das Religões”, “Mitologia Grega”, “Mitologia Nórdica”, “Castro Alves”, “José Bonifácio”,  “biografias de personagens famosos da nossa história”, “História dos presidentes do Brasil”, etc e mais etc. Caraca, que saudades dos meus 12 ou 13 anos!
O Trópico foi publicada no Brasil em 1957 pela Editora Martins S.A, tendo como diretor José Giuseppe Maltese e reunia 10 volumes abordando assuntos gerais. Após o seu lançamento, nos anos 50, “O Trópico” continuou dominando as estantes das residências e escolas  durante vários anos. Era considerada a grande “pop star” dos vendedores ambulantes de enciclopédias que visitavam nossas casas naqueles tempos.
Pena que num momento de “pura insanidade” resolvi doar os meus 10 volumes ao invés de restaurá-los. Agora é tarde demais para se lamentar.  Quanto a sessão “História da Humanidade”, acho que perdi para sempre a chance de relê-la, já que dificilmente irei encontra-la na “Dona Internet”. Uma pena.
02 – Conhecer
“Conhecer” foi outra enciclopédia inesquecível em minha vida. O que mais me chamava a atenção nas publicações da Abril Cultural eram as suas capas muito bem elaboradas para uma enciclopédia da década de 60. Nossa! E como eu viajava com os temas desenhados naquelas capas. Sentia como se estivesse dentro daquele cenário, participando ou observando a ação ilustrada.
As tais capas tinham um poder de sedução tão grande que acabei escrevendo um post inteiramente dedicado a elas (confira aqui). As duas capas que jamais esqueci, traziam as ilustrações de um submarino navegando numa noite estrelada; se não me engano o resumo do tema publicado numa tarja amarela ao lado da foto estava relacionado com átomos ou energia nuclear. A outra capa tinha a ilustração de uma estação espacial e abordava o tema astronomia.
A cada certa quantidade de fascículos adquiridos, o colecionador comprava na banca uma capa dura para o volume ser encadernado.
Posso dizer que “Conhecer” foi uma das mais famosas, se não, a mais famosa, enciclopédia em fascículos lançada pela Editora Abril Cultural. Ela viria se tornar referência para os trabalhos escolares dos alunos que cursavam o ginasial. Foi um sucesso estrondoso na época, chegando a vender mais de 100 milhões de exemplares, além de ter 13 edições em 30 anos. Um verdadeiro fenômeno cultural.
03 – Os Bichos
Cara, como eu gostava dessa enciclopédia! Ao contrário de “Conhecer” que pertencia ao meu irmão, “Os Bichos” era de minha total responsabilidade. Grande parte da mesada do menino, aqui, e depois uma parte ainda maior do salário de meu primeiro emprego foram direcionados para compra dos fascículos semanais da respectiva enciclopédia.
O texto fluido e recheado de gravuras me prendia da cabeça aos pés. Quando a grana ficava curta, minha mãe dava uma força para comprar o tão desejado fascículo. Foi graças à ela que consegui montar os cinco volumes que traziam ilustrações realistas de todas as espécies de animais.
Apesar dos anos, ainda me lembro das características dos fascículos. Eles tinham a capa branca e trazia sempre a gravura (não foto) de um único animal. No seu interior havia a descrição – em destaque - das características desse animal e também de outros coadjuvantes.
Um dos fascículos que marcou a minha memória foi de um leão africano que, praticamente, tomava conta de toda a capa.
Há muitos anos doei a coleção completa para um primo. Não estava ‘encontrando espaço’ na estante para novos livros que vinha comprando por isso optei pelo corte da enciclopédia.
Hoje, sinto muita falta dos “Bichos”. Bem que eu poderia ter optado por guardá-la em algum cantinho lá de casa.
04 – Lello Universal
Na minha época de estudante o advento do dicionário on line ainda estava
há milhares de anos luz. Se quiséssemos saber o significado de alguma palavra desconhecida tínhamos de apelar para os saudosos dicionários impressos.
Cara, os dicionários daquela época – anos 70 – eram uma coisa de louco! No bom sentido, é claro. Com capas ‘xiquinuurtimu’ e conteúdo recheado de gravuras, essas obras enchiam os olhos.
O Lello Universal foi um dos dicionários no formato de enciclopédia que fez parte da minha vida de ginasiano e colegial. Um dos meus passatempos preferidos era ficar folheando suas páginas a esmo. As gravuras do Lello me viciavam. Foi graças a ele que aprendi, precocemente, o significado de muitos palavras, ganhando a oportunidade de ampliar, desde cedo o meu vocabulário.
O curioso é que as gravuras dos quatro volumes do Lello eram até simples – aliás, bem simplesinhas - mas não sei porque ‘cargas d’água, elas me atraíam tanto.
Se não me engano, o Lello foi publicado por uma editora portuguesa nos anos 60 e teve várias edições com capas azuis, verdes e por aí afora. O meu tinha a capa vermelha. Eu disse “tinha” porque não sei onde os volumes foram parar.
05 – Barsa
Jamais me esquecerei do dia em que dei o ‘balão’ num vendedor da “Britânica” que insistia para que eu fizesse a cabeça de meus pais para comprar o produto. Pois é galera, ele não conseguiu. Na verdade, o meu sonho de consumo era ter os 16 volumes da “Barsa”. Por isso, armei uma verdadeira operação de guerra (ver nesse post) para que a minha mãe adquirisse a famosa enciclopédia. E deu certo.
Aquela obra luxuosa, de capa dura e vermelha contribuiu – e muito – para o meu aprendizado numa época em que uma placa de computador com microprocessador não passava de um projeto na cabeça de dois sujeitos meio malucos chamados Steve Jobs e Steve Wozniak. Quanto a internet? Hã... não passava de uma palavra a ser criada.
Eu com o meu cabelo horrível de aluno ingressando no curso ginasial, prestes a abandonar definitivamente os shorts e a conga (se lembram dela?) me embriagava com os textos e ilustrações da Barsa. Uhauuuu! Que saudades!
E novamente o tonto aqui, seduzido pela internet” abriu mão daquele importante tesouro e resolveu doá-lo para a biblioteca pública. Vale lembrar que naquela época, as escolas e bibliotecas ainda aceitam – meio a contra-gosto, mas aceitavam – enciclopédias em seus acervos.
Taí galera! Fiz minha mea culpa.
Saudades, saudades e mais saudades!!!


2 comentários:

  1. Gostei bastante do post, com esse tom de nostalgia.
    Herdei do meu tio há alguns anos uma coleção de enciclopédias chamada Pesquisas de Conhecer, do Círculo do Livro.
    Você deve ter conhecido. Eram livros que abordavam de tudo, como história, geografia, ciências, artes, etc. São livros muito bons.
    Obrigado pelo conselho. Pretendo não me desfazer deles nunca!

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    Respostas
    1. Tex, jamais dispense essas obras. Os seus assuntos jamais poderão ser encontrados na internet. Eles são únicos.
      Grande abraço!

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