sábado, 14 de maio de 2016

O Clube do Suicídio e Outras Histórias

Eu costumo dizer aos meus amigos leitores que ganhei dois presentes ao ler o livro de Robert Louis Stevenson. Comprei “O Clube do Suicídio e Outras Histórias” interessado em dois contos: “O Clube do Suicídio” e “O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr.Hyde”. O primeiro, por ter achado o seu enredo muito interessante e principalmente, diferente. Cara, imagine só uma sociedade altamente secreta freqüentada por pessoas que gostariam de morrer sem deixar sobre si (ou sobre sua família) o opróbrio de uma morte vergonhosa.  O “associado” paga uma taxa e tem sua morte providenciada pelo clube. Juro que o enredo atiçou a minha curiosidade. Pensei com os meus botões: “Caraca! Se o autor foi criativo quando desenvolveu essa história, terei nas mãos um conto antológico”. Iahuuuu! E tive! E como! Stevenson provou que foi, de fato, um dos mestres da escrita em sua época. Quanto ao “Estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde” já queria há tempos ter lido, o que só não fiz  por pura preguiça. Eu sempre falava: “amanhã ou depois leio e nunca lia. Então, quando soube que a história de O Médico e o Monstro” – como ficou conhecida no Brasil – faria parte da mesma coletânea que teria o conto “O Clube do Suicídio” não fiquei em dúvida: comprei o livro.
Dos seis contos que fazem da parte da obra, não posso afirmar que um ou outro é ruim, pois estaria mentindo. Gostei de todos, mas três, sem duvida, se destacam: “O Clube do Suicídio”, “O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr,Hyde” e “O Demônio da Garrafa”.
Aqueles que irão comprar o livro com a esperança de ‘encarar’ contos densos de terror, esqueçam. “O Clube do Suicídio e Outras Histórias” segue mais o gênero policial e de suspense. Mas nem por isso, as histórias são desinteressantes para os amantes do gênero calafrio, pelo contrário, alguns contos fazem o leitor ‘tremer na base’. PQP como me arrepiei quando o ‘coisa ruim’ decidiu mostrar a sua aparência no fundo da garrafa para dois caras bem papudos que duvidavam que ele existisse. Brrrrrrr!!!
Por sua vez, o ritmo de narrativa policial de “O Clube do Suicídio” é fantástico. Stevenson reserva para os seus leitores inúmeras reviravoltas ao longo do enredo. Coisa do tipo: “a cada página virada uma virada na história”. Realmente, fantastic!!!
E vamos a um breve resumo dos contos.
01 – O Clube do Suicídio
Bem sinistro esse conto. Stevenson dá uma aula de como escrever um conto policial com muito suspense. Um príncipe chamado Florizel e seu fiel companheiro, Coronel Geraldine, em uma de suas aventuras noturnas descobrem a existência de um clube sinistro, criado para aquelas pessoas que anseiam dar fim as suas vidas, no entanto, não possuem coragem suficiente para isso. Após quase ter morrido ao ingressar – por curiosidade – no Clube do Suicídio, o príncipe decide acabar com a funesta confraria, mas não será nada fácil.
02 – O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde
Lançado no Brasil com o título de “O Médico e o Monstro”, trata-se de uma obra antológica da literatura mundial. A história idealizada pelo escritor escocês inspirou inúmeros filmes, sendo parodiada até mesmo por desenhos animados. Foi escrita em plena Era Vitoriana, já em fins do século XIX e se baseia na vida dupla de um famoso médico de Londres, que por meio da química se transforma em um ser perverso e maligno. 
“O Médico e o Monstro” também serviu de inspiração para diversos trabalhos no cinema, literatura e televisão, entre os quais: “Vestida para Matar” (Brian de Palma), “A Janela Secreta” (David Koepp), “Instinto Secreto” (Bruce A. Evans), “Irmãos Coragem” (novela da extinta TV Tupi), “Conte-me Seus Sonhos” (Sidney Sheldon), entre tantos outros. 
Em 1886, o impacto do romance escrito por Stevenson foi tanto que se tornou parte do jargão inglês, com a expressão "Jekyll e Hyde" usada para indicar uma pessoa que agia de forma moralmente diferente dependendo da situação.
Os leitores interessados poderão encontrar mais detalhes sobre “O Médico e o Monstro” neste post que escrevi em abril.
03 - Markheim
Cara, o conto é muito curto e por isso, se eu começar a escrever demais, vou acabar revelando spoilers incriminadores da história. O que posso adiantar é que Markheim é um homem que visita um antiquário em busca de um presente para a sua mulher. É dentro dessa loja de produtos antigos que rola o grosso da história. Um embate entre o bem e o mal; o certo e errado que ocorre na consciência de Markheim. Pronto. Acho que já falei escrevi além da conta.
04 – O demônio da garrafa
Caramba! Que sensação ruim quando o tal diabrete decidiu se mostrar, rapidamente, para dois fanfarrões que duvidam de que ele estivesse morando no fundo da garrafa. Stevenson, com certeza, ‘sinistrou’ bastante nesse trecho do conto.
“O Demônio da Garrafa” é uma história de suspense com elementos sobrenaturais, algo comum, na obra de Stevenson,  mas também é uma história sobre amor, desejo e frustrações.
O autor narra a história de uma garrafa que abriga o próprio encardido que é capaz de conceder desejos mirabolantes a quem a possui. Porém, ela deve ser vendida por um preço menor do que foi comprada a outra pessoa ou aquele que ficar com a garrafa quando morrer será condenado ao inferno. Mas vai chegar um dia que a garrafa maligna terá o custo de um centavo, e então? Como poderá ser vendida?  Um havaiano muito pobre chamado Keawe acaba comprando a garrafa e ficando muito rico, mas... Bem, leiam o conto.
05 – O ladrão de cadáveres
O final do conto prova que Stevenson é ‘f-e-r-a’. Um final, definitivamente, impactante. Não esperava por aquilo. Jamais. O conto é sobre uma dupla de estudantes que rouba corpos em cemitérios para serem dissecados em uma escola de medicina. Um desses estudantes resolve ir mais além do que afanar cadáveres, recentemente, sepultados. Entonce...
Uma história que prende o leitor do começo ao fim. Ah... o fim! Este como já disse é de derrubar o queixo e arrepiar a espinha.
06 – O Vestíbulo
Este é o conto mais curto da coletânea. Menos de cinco páginas. É a história da elaboração do crime perfeito: sem álibi e muito menos sem pistas. O crime que jamais será descoberto devido a perfeição de como foi engendrado.
Acredito que Stevenson estava inspiradíssimo ao ter criado esse conto, já que resumiu o enredo em cinco páginas, ao contrário da maioria dos autores policiais que, certamente, gastariam um livro inteiro para expressar as suas idéias.
“O Vestíbulo” fala de um conde que nutre um ódio mortal, mas muito bem disfarçado, por um barão alemão com quem finge manter laços de amizade. O barão, coitado, desconhece esse ódio. Ao se deparar com um poço profundo dentro de um vestíbulo, o tal conde  pensa em uma maneira de se vingar do barão. É por aí vai a coisa.

Enfim, seis contos perfeitos e de leitura obrigatória.

2 comentários:

  1. Não conheço este livro. Me interessei. Parabéns, você escreve muito bem.

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    Respostas
    1. Obrigado Prometeu,
      Quanto ao "Clube do Suicídio e Outras Histórias" pode comprar sem receio. Com certeza irá apreciar a leitura.
      Grde abraço!

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