quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Uma Aventura Perigosa

Um grande número de escritores brasileiros - muitos deles talentosos e capazes de colocar no bolso qualquer figurão american metido a besta com as suas distopias – quase sempre vivem uma saga pior do que a de Frodo, Sam e Cia em busca do anel encantado. Cara, é muito murro em ponta de faca, rasteiras, desilusões, chateações e etc e mais etc. Mas de todas as desilusões nada se compara ao ver recusado o manuscrito de seu primeiro romance, mesmo sabendo que a história acabou se tornando viral nas redes sociais ou então muito elogiada pela maioria dos leitores virtuais.
Devido ao pouco caso das grandes editoras, só resta algo a ser feito por esses autores: aderir aos ebooks. Cara, o que tem de gente boa publicando os seus romances com o apoio de editoras de ebooks independentes, é algo incomensurável.
E diga-se que o Brasil se transformou, nos últimos anos, num celeiro de escritores talentosos que estão à espera de uma oportunidade para se transformarem em verdadeiras feras consagradas da literatura tupiniquim.
George dos Santos Pacheco é um deles. Apesar de, recentemente, já ter conseguido publicar um livro físico, acredito que a pouca divulgação em torno de seu nome ou de sua obra, ainda não fez com que se tornasse conhecido em todo o Brasil; mas o cara é fera.
Quando vi em meu correio eletrônico uma mensagem perguntando se eu não tinha interesse em analisar o ebook de “Uma Aventura Perigosa”, segundo livro do autor; juro que fiquei na dúvida. Ocorre que todos que acompanham o ‘ Livros e Opinião’ já sabem da minha incompatibilidade com os ebooks. Não gosto de ler histórias nos Kindle’s da vida, para mim, ler é sentir a textura do papel nas mãos. Podem me chamar do que for: atrasado, ignorante ou brucutu, eu não ligo; mas se eu quiser embarcar  numa viagem literária tenho que estar na companhia do bom e velho livro de papel.
- PQP! Encarar um ebook agora vai ser barra. Não tô com saco pra isso! – disse ao receber o e-mail com a proposta do autor. Apesar da má vontade, decidi começar a ler. E gostei. “Uma Aventura Perigosa” é muito bom e reforça a tese de que o nosso País tem verdadeiras jóias lapidadas no campo literário aguardando serem descobertas pelas grandes editoras.
George apresenta a história de Max de Castro, um funcionário público que enfrenta os dilemas mais comuns da sociedade: a insatisfação com o trabalho e problemas em seu casamento. Após ter um surto, resultado do estresse, em pleno expediente, ele é aconselhado por um psicanalista, durante um programa de entrevistas, a escrever uma carta na qual ele deveria confessar os seus maiores segredos. No entanto, ela deveria ser escondida e destruída em 24 horas. Max que tem uma vida sexual bem ativa e sue generis decide, então, despejar no papel tudo o que aprontou, apronta e quem sabe aprontará no âmbito sexual em sua vida. Entonce... as coisas não saem exatamente como Max esperava. Para seu desespero, a carta desaparece, antes que ele possa concluir a sua “missão”.
O ‘garanhão Don Juan” fica completamente desesperado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído. Uma série de coincidências atinge a vida de Max e ele descobre que nem tudo que ele sabe é verdade, e que todos tem segredos que precisam ficar escondidos a sete chaves.
Ao longo da trama, Max se envolve com vários tipos de mulheres, sendo que ao fim de cada relacionamento, sempre acaba sobrando algumas farpas para o personagem orgulhoso e machista.
O autor utiliza uma linguagem ousada para mostrar a vida de Max, o que poderá incomodar alguns leitores mais conservadores. Mas se você leu “50 Tons de Cinzas” e sobreviveu, fique em paz porque, nesse caso, o enredo de “Uma Aventura Perigosa” não irá lhe chocar.
A versão impressa do romance foi publicado pela editora Buriti. O livro tem 166 páginas e uma capa muito legal que lembra o clima daqueles filmes policiais noir dos anos 60 e 70.

George dos Santos Pacheco, 34 anos, nasceu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro,  e é um dos autores da Coletânea “Assassinos S/A Vol. II”, e do romance “O fantasma do Mare Dei”, ambos pela Editora Multifoco. Publicou também o conto "Nem só de pão vive o homem" na edição do 3º trimestre de 2011 da Revista Marítima Brasileira. 
Valeu galera!

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