terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Morte dos Reis (Crônicas Saxônicas – Livro VI)

Os leitores que já estavam familiarizados com as emocionantes batalhas dos livros anteriores poderão estranhar e até mesmo se decepcionar com o 6º volume de “Crônicas Saxônicas”. As escaramuças, desafios, lutas de espada e, claro, as antológicas paredes de escudos ficam pingadas no enredo de “Morte dos Reis”. Isto me faz lembrar de um colega que disse o seguinte: - Comparar “Morte dos Reis” com “Os Senhores do Norte” (3º volume da saga) é o mesmo que comparar um cãozinho poodle com um pitbull treinado para matar.
Se levarmos para o lado da ação, das batalhas emocionantes, onde ‘Bafo de Serpente’ e ‘Ferrão de Vespa’, as espadas de Uhtred, comiam soltas, beliscando e matando os seus oponentes, esse meu colega de serviço, também amante das Crônicas Saxônicas, está mais do que certo.
Mas nem, por isso, o livro é ruim. Longe disso. Acredito que Bernard Cornwell optou por escrever um enredo mais político e voltado para a emoção. O Uhtred das paredes de escudos cedeu lugar para um Uhtred mais estrategista. Apreciei muito essa reviravolta na história, pois até o melhor de todos os doces do mundo enjoa se comermos demais. E com as batalhas, também é assim. É claro que as lutas descritas por Cornwell são incomparáveis e conseguem transportar os leitores para um campo de batalha, mas nesse livro, ele preferiu mostrar uma outra qualidade do guerreiro pagão: a inteligência e a perspicácia.
E foi, então, que percebi o golpe de mestre dado por Cornwell. Cara, veja só: Talvez, Crônicas Saxônicas seja uma das  sagas mais longas da literatura mundial – até agora com nove livros escritos, sendo que o último ainda não foi lançado no Brasil – por isso é evidente que os personagens envelheçam, já que o autor optou por seguir uma linha cronológica, ou seja, cada livro tem em média uma passagem de três a cinco anos. Capiche? Prosseguindo: Tá na cara que não podemos ver um Uhtred em plena forma, rompendo paredes de escudos eternamente. Portanto, a saída encontrada por Cornwell – para continuar escrevendo a sua saga ‘interminável’ - Deus sabe quantos outros livros ainda serão publicados - foi compensar a velhice e a perda de vigor físico do personagem com outros atributos também interessantes aos leitores.
Mêo! Confesso que essa sacada do Cornweel deu certo. Muito certo! Ver o nosso “Senhor da Guerra” planejando as batalhas ou então escapando com inteligência das armadilhas preparadas por seus inimigos é tão saborosamente emocionante quanto vê-lo arrebentando tudo numa batalha.
Em minha opinião, nos próximos livros da saga, veremos um Uhtred ainda mais estrategista do que guerreiro. Creio que alguém deverá substituí-lo, talvez o seu filho caçula Osbert. Por falar nisso, acho melhor parar por aqui para não soltar spoillers, já que estou lendo o 7º volume.
“Morte dos Reis” é isso: Uhtred vencendo os seus inimigos não só pela espada, mas também com inteligência. O livro marca também o encerramento de um ciclo e o início de outro. Sai de cena Alfredo, O Grande, e em seu lugar assume o trono de Wessex, seu filho Eduardo.
Caraca e dizer que só fui gostar de Alfredo em seu leito de morte quando ele, finalmente, reconhece todo o valor de seu principal guerreiro, mesmo não sendo cristão. Antes de morrer, o soberano lhe dá um presente fantástico que deixa o guerreiro pagão de boca aberta, mas... não sem antes lhe pedir um ultimo favor.
A batalha ‘meia-boca’ no final do livro, ‘deixa de ser meia-boca’, graças as peripécias do estrategista Uhtred que consegue descobrir qual é o ousado plano dos dinamarqueses que sonham conquistar Wessex. Então, ele dá um verdadeiro golpe de mestre, revertendo a situação à favor do exército do recém empossado Rei Eduardo.
No 6º livro de Crônicas Saxônicas”, Uhtred já está com 45 anos e após a morte de Alfredo, ele acaba sendo ‘convidado’ – para não dizer obrigado – a fazer um novo juramento. Desta vez, à Eduardo, filho do rei morto que sempre sonhou com a unificação da Inglaterra. Agora, esta missão é passada para o seu primogênito que infelizmente, não tem a mesma astúcia, inteligência e autoridade de seu pai. Por isso, Alfredo - mesmo em seu leito de morte – consegue dar uma última cartada de gênio: ‘ganhar o juramento do feroz guerreiro para Eduardo.
Com a morte do monarca, os dinamarqueses decidem reunir o maior exército de todos os tempos com milhares de homens, com o objetivo  de conquistar Wessex, depois de várias tentativas frustradas. Mas o maior perigo está dentro do reino onde pessoas que Uhtred, Alfredo e Eduardo julgavam serem amigas, na realidade tramam a favor dos inimigos.

Faltou ação? Faltou; mas nem por isso “Morte dos Reis” deixa de ser um livraço.

2 comentários:

  1. Hahaha Fantástica essa sua maratona! Conseguiu me alcançar! Eu vou dar um tempo nessa série, este ano me dediquei bastante a ela, vou retornar a Trilogia do Século de Ken Follett e para a WW2. Acompanhei a primeira temporada da série, que ficou brutalmente ótima! É tanta história para contar que o final dessa temporada ficou muito abrupto, mas cobriu basicamente os dois primeiros livros da série com fidelidade e qualidade. Quero ver se ano que vem começo a ler As Cronicas de Sharpe do autor, dizem também ser ótima.

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    1. Maratona 'meio' louca, né? Mas estou viajando muito nela. Cara, com certeza, você já deve ter percebido como a saga de Uhtred, Alfredo e Cia são viciantes. Sempre 'ameacei' ler a trilogia de Follet, mas também sempre fiquei na dúvida se era boa ou não. Acho que agora irei encarar.
      Abraços Rafa!

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