domingo, 6 de dezembro de 2015

10 livros de autores nacionais que merecem ser lidos e relidos

Após o post sobre as Torres Gêmeas vamos com mais uma listinha “básica”. Já estava sentindo saudades delas. Verdade! Como assumi alguns compromissos literários, entre eles, o “Desafio Potter”, além de encarar numa ‘paulada só os oito livros das “Crônicas Saxônicas” (ver aqui, aqui, aqui, esse outro aqui e mais esse) – neste momento, estou lendo o sexto – acabei ficando com o meu tempo restrito para postar as minhas listas. Agora que o céu deu uma clareada, vamos que vamos.
A lista de hoje é sobre autores nacionais, ou melhor, sobre os livros aqui da terrinha que li nos últimos anos e gostei. Aliás, gostei tanto que já reli alguns, quanto aos que restam, com certeza, estarei relendo em algum momento de minha vida.
Antes que algum internauta critique o post, afirmando que tal livro é fraco ou então que estaria faltando esta ou aquela obra, gostaria de avisar que se trata de uma lista pessoal. Foram enredos que curti muito e por isso recomendo para a galera.
Nos comentários, vocês também poderão – sem problema nenhum – colaborar, acrescentando outros livros de autores nacionais que foram especiais em suas vidas.
Mas chega de lero-lero e blá-blá e vamos ao que interessa, a minha lista pessoal de obras escritas por autores tupiniquins que merecem serem lidas novamente.
01 – Holocausto Brasileiro (Daniela Arbex)
O livro da jornalista mineira, Daniela Arbex, revela as atrocidades que aconteceram, no passado, atrás dos muros do Colônia, maior hospício do Brasil, localizado na cidade mineira de Barbacena. As maldades e torturas cometidas contra os internos, transformou aquela instituição numa verdadeira casa de horrores, principalmente no pavilhão Afonso Pena, onde eram registradas cenas que mais se pareciam com um filme de terror gore.
A autora foi muito corajosa ao remexer em feridas purulentas, trazendo à tona a verdade sobre o Colônia. O leitor passa a saber tudo o que aconteceu no hospício mineiro, além de conhecer os poucos, mas importantes “heróis da resistência”, pessoas que se opuseram ao regime de barbárie e fizeram de tudo para mudar a situação, pagando um alto preço por isso, sofrendo as piores retaliações, desde demissões, calúnias e ameaças.
Para ler “Holocausto Brasileiro”, o leitor deve preparar o seu espírito porque realizará uma verdadeira viagem ao inferno, inclusive, é dessa maneira, ou seja, no âmago do inferno, que uma funcionária do Colônia se sente ao iniciar o seu primeiro dia de trabalho no hospício. Marlene Laureano revela em entrevista à autora do livro que ao entrar pela primeira vez na instituição imaginou estar abrindo as portas da casa de Lúcifer. 
Livro forte, revelador e que mexeu muito comigo.
(Confira aqui o post da obra)
02 – Feliz Ano Velho (Marcelo Rubens Paiva)
“Feliz Ano Velho” foi um diamante lapidado que caiu em minhas mãos. Antes de ler a obra, tinha uma vaga noção de que se tratava do relato de um estudante universitário que gostava de curtir a vida, mas após sofrer um acidente acabou ficando ‘condenado’ à uma cadeira de rodas. Comecei a ler o livro do Marcelo Rubens Paiva, já me preparando para uma sessão lacrimosa e bem down, coisa do tipo “Uma Janela para o Céu” ou “Love Story”, onde tragédias, tristezas, sofrimento e desespero se fundem numa coisa só. Resultado: o leitor termina de ler a obra – se conseguir terminar! - completamente extenuado, acabado e arrebentado.  Foi com essa desconfiança que comecei a ler “Feliz Ano Velho”.
 A obra de Paiva é totalmente o oposto do que eu imaginava. O autor descreve o seu drama com muito bom humor, não dando tanta ênfase somente ao lado down do fato. É claro que há os momentos de tristeza e até mesmo lencinhos nas mãos, mas são raros pacas! E Graças à Deus, porque caso contrário, se transformaria num verdadeiro vale de lágrimas: “ Um Janelão para o Céu”.
O autor tratou a sua situação de uma maneira realista e sem auto-piedade. Mais ou menos assim: “Putz! Me quebrei inteiro, fui parar numa cadeira de rodas e estou dependendo da ajuda de amigos e familiares para reaprender a viver. Êpa! Mas pêra aí... a vida continua! Tenho que dar o melhor de mim para se tornar cada vez menos dependente. 
Li a obra do cara meio que por acaso, emprestado de uma amiga, mas gostei tanto que resolvi comprar “Feliz Ano Velho” num sebo para relê-lo.
(Confira aqui o post da obra)
03 – O Alienista (Machado de Assis)
O meu primo levou um susto quando eu lhe disse que pretendia reler o Alienista. – Santa Pernilonguilda do Boné Vermelho! – exclamou ele – Meu primo quando fica surpreso tem o hábito de inventar nomes engraçados de santos que não existem e jamais existirão.
- Você disse que vai reler o Machado?! – Vou, afirmei. - O velho quase fez com que eu repetisse de ano em literatura com aquela sua linguagem rebuscada! – Disse meu primo, se referindo ao famoso escritor brasileiro.
Mas ao contrário do que muita gente pensa – incluindo o meu primo ‘criador de santos’ – “O Alienista” é uma obra de leitura fácil e agradável. Tudo bem que tenha um pouco de eruditismo, mas esse ligeiro rebuscamento não atrapalha em nada a leitura, pelo contrário, a história de Simão Bacamarte e a sua famosa Casa Verde é fascinante.
O Alienista, segundo a maioria dos críticos literários, pode ser considerada a primeira obra do escritor com caráter realista. Alguns a consideravam inclusive, como um conto. 
No enredo, Simão Bacamarte – o Alienista do título – decide criar na cidade fluminense de Itaguaí um lugar para estudar os limites da razão e da loucura dos seres humanos. Nasce assim, a Casa Verde ou Casa de Orates onde o cientista interna todas as pessoas que ele julga serem loucas. Ocorre que com o passar do tempo, Bacamarte vai prendendo no local a maioria dos moradores da cidade, incluindo sua mulher Evarista. Para o alienista, todos são loucos. É quando ocorre uma rebelião dos moradores de Itaguaí comandada por um barbeiro.
Estarei relendo a obra de Machado de Assis brevemente; com certeza.
04 – As Crônicas de Miramar – O Segredo do Camafeu de Prata (Flávio St Jayme e Wemerson Damásio)
Este livro fez com que eu voltasse ao tempo e revivesse um dos períodos mais felizes da minha saga de leitor inveterado: a época de ouro da “Coleção Vaglume”. É isso aí galera, ler “As Crônicas de Miramar – O Segredo do Camafeu de Prata” é o mesmo que ter em mãos os melhores enredos daquela coleção que entrou para a antologia da literatura brasileira.
Não tem como você parar de ler “As Crônicas de Miramar”. O enredo misterioso, de fato, prende a atenção do leitor, pois todos querem, desesperadamente, saber o que acontece na estranha cidade de Miramar. É para lá que vão as crianças e jovens que descobrem ter algum tipo de poder.
Estes adolescentes não podem estudar em escolas comuns ou conviver com outras pessoas em suas cidades por serem ‘diferentes’. Por causa desses dons, elas acabam sendo rotuladas de estranhas ou até mesmo aberrações. Para evitar que seus filhos acabem sendo excluídos da nossa sociedade, eles acabam sendo obrigados a levá-los para Miraramar, após receber um estranho convite, prometendo novo emprego, uma nova casa, enfim, uma nova vida cheia de prosperidade.
Mas ao chegarem à misteriosa cidade, eles começam a descobrir segredos terríveis que colocam em cheque todas as promessas de prosperidade feitas anteriormente.
Recomendo a obra de olhos fechados!
(Confira aqui o post da obra)
05 – A Corrente, Passe Adiante (Estevão Ribeiro)
Tudo bem que a Draco deu uma pisada feia comigo e deixou o menino aqui na mão, mas isso não me impede de dizer que a obra do Estevão Ribeiro lançada pela editora é  o fino do terror. Quanto a pisada, foi bem frustrante, do tipo pouco caso. Comprei o livro, louquíssimo para lê-lo, e depois de alguns dias, ao iniciar a história, percebo que estão faltando 15 páginas (da 33 a 48). Como havia perdido a nota fiscal, fiquei impossibilitado de trocar o produto na Livraria Folha, por isso entrei em contato com a Draco na esperança de me atenderem. Eles atenderam, enviando um e-mail, exatamente com as páginas faltantes, nem uma a mais! Caraca Draco! Cadê a consideração? Juro que estava esperando o envio de um outro livro, dessa vez, com todas as páginas. Mas...
Chega de lamentações. O livro do Estevão Ribeiro é uma jóia rara do terror. Bruna é tão maligna que não fica devendo nada para as personagens criadas pelos grandes mestres das histórias de terror. A garota é uma lasca de ruindade. Um ser sobrenatural que mata por prazer. Ela é um fantasma demoníaco que vive dentro dos computadores. Juro que após ler o livro fiquei com receio de ligar o meu PC e principalmente verificar as minhas mensagens eletrônicas, temendo encontrar alguma daquelas famigeradas correntes.
Bruna tem o hábito de enviar uma corrente amaldiçoada nos e-mails de suas vítimas. Aqueles que se negam passar a mensagem morrem, além de ficarem amaldiçoados, já os que passam acabam condenando outras pessoas. Enquanto a corrente não for quebrada, o fantasma demoníaco de Bruna sempre continuará ativo e atormentando outras pessoas.
Confesso que estou com uma vontade enorme de reler o meu livro de páginas faltantes.
(Confira aqui o post da obra)
06 – Irmandade de Copra (Caroline Defanti)
A “Irmandade de Copra” é um dos melhores livros de ficção cientifica que já li em toda a minha vida de leitor. E o melhor: escrito por uma jovem autora brasileira!
A história de Caroline Defanti já começa conquistando o leitor em seu prólogo, onde a autora, em apenas três páginas, explica numa narrativa cheia de suspense como são criados os super-soldados que irão combater os alienígenas que se apossaram do planeta Terra. A transformação de Gabriel em Arcanjo e de Aeris em Musa, de fato prende o leitor, e já dá uma noção de como funciona o polêmico e questionado projeto que une o DNA alienígena ao dos humanos, alterando toda a sua genética e conferindo-lhes  poderes especiais, mas não sem antes cobrar um alto preço por isso. Dos inúmeros aspirantes à “Irmãos” – é assim que são conhecidos os super-soldados já que fazem parte de uma Irmandade – nem todos conseguem sairem vivos do processo de mudança. Após adquirirem os seus dons, eles ainda são obrigados a passar por uma prova final de vida ou morte para testar a suas novas habilidades.
Defanti explica de uma maneira crua – sem meias palavras – o processo de ‘amadurecimento forçado’ desses jovens que ao ingressarem na escolinha da Irmandade são obrigados a esquecer que são crianças ou adolescentes para se tornarem adultos prematuros, queimando etapas importantes de suas vidas. Neste aspecto, a autora foi muito feliz ao beber na mesma fonte de Orson Scott Card e seu fantástico "O Jogo do Exterminador".
Quando bater aquela vontade de ler alguma história de ficção científica, já sei o lugar certo onde procurar em minha estante.
Confira aqui o post da obra)
07 – Canibais: Paixão e Morte na Rua do Arvoredo (David Coimbra)
Em seu primeiro romance, David Coimbra revisita um episódio célebre do passado porto-alegrense que ficou conhecido como o “Caso do Linguiceiro”. Em meados do século 19, o açougueiro Ramos e sua mulher, Catarina, assassinaram dezenas de pessoas e utilizaram os cadáveres para fazer linguiça, transformando os habitantes da Porto Alegre de então em involuntários canibais.
O fato foi tão macabro, mas tão macabro que apesar de ter ocorrido no século 19, quando Porto Alegre ainda estava engatinhando – contando com menos de 20 mil habitantes – nem mesmo a aura de tecnologia ultra moderna do século 21 conseguiu apagar.
A obra de Coimbra foge inteiramente do convencional, à começar que não se trata de um livro técnico, pelo contrário, o autor optou por transformar a história do linguiceiro da Rua do Arvoredo num romance, mas nem por isso, menos interessante; pelo contrário, o livro prende a atenção do leitor com facilidade.
Recomendo a releitura, com certeza.
(Confira aqui o post da obra)
08 – Além da Carne: Contos Insanos (César Bravo)
“Além da Carne – Contos Insanos” é mais um livro de histórias curtas de terror do escritor brasileiro e taubatense, César Bravo. uma das gratas revelações da literatura fantástica, pra ser mais exato, do gênero terror. Prova que temos grandes talentos escondidos, aqui na terrinha, aguardando apenas que algum figurão de uma grande editora os descubram. Enquanto isso, eles vão publicando os seus e-books na Amazon e nos deliciando. César Bravo é um desses autores.
“Além da Carne – Contos Insanos” com as suas seis histórias é a essência do gore. As histórias não só assustam como também incomodam. E o que é ficar incomodado nesse caso? Simples. É se lembrar de determinada cena 10, 20, 30 ou 40 anos depois.
O conto que mais me agradou foi “A Expressão da Desgraça”, o penúltimo do livro. A história gira em torno de um quadro maldito pintado por um cigano muito velho e que já morreu há tempos. A obra é tão demoníaca que por mais de dois séculos ficou com a sua tela coberta para que ninguém a visse. Até o dia em que algum curioso metido a besta resolveu provar que tudo não passava de bobagens. Entonce...
Logo, logo estarei relendo esse livro.
(Confira aqui o post da obra)
09 – De a’Ha a U2 (Zéca Camargo)
Eu vivo relendo “De a-Há a U2” do Zeca Camargo. Volta e meia, lá estou eu devorando algumas das entrevistas do livro. Elas são muito boas e realizadas na época em que o Zeca era um repórter e apresentador  muito competente. Mas, então, a Dona Globo cavou a sepultura do moço, retirando-o do comando do Fantástico para apresentar um já falido Video-Show e aí, deu no que deu.
Neste livro, Zeca reúne histórias interessantíssimas dos bastidores de várias entrevistas que realizou com astros do pop-rock do mundo todo. Ele conta tudo o que rolou antes dessas entrevistas serem levadas ao ar ou publicadas nas páginas de um jornal. Coisas do tipo: O entrevistado foi um “mala” ou educado?, “Quais exigências ele fez?”, “O Zeca pagou algum mico?”, além de outras “cositas”.
Ele não poupa críticas para alguns figurões do mundo pop que apesar de não cantarem nada ou então estarem numa fase decadente, ainda se julgavam os reis da cocada preta fazendo exigências absurdas para conceder uma entrevista curtíssima. Mas nem tudo é crítica; o autor também elogia os astros talentosos, mesmo aqueles que foram arrogantes e antipáticos durante a entrevista.
“De a-ha a U2” pode ser lido sem a necessidade de seguir uma ordem cronológica, mas já adianto que todas as histórias de bastidores narradas por Zéca são imperdíveis.
(Confira aqui o post da obra)
10 – Análise da Inteligência de Cristo (Augusto Cury)
Cara, amei a coleção de Augusto Cury. Li os cinco livros que formam a obra em apenas um mês. São espetaculares, quer você goste ou não de livros de auto ajuda.
Cury que além de escritor é um conceituado psiquiatra promove em sua coletânea uma abordagem do lado psicológico e comportamental de Jesus com aplicação nas diversas áreas do conhecimento humano. Em outras palavras: ele analisa a mente de Jesus à partir das atitudes tomadas pelo Cristo durante a sua jornada de vida até o momento de sua crucificação.
A coleção é formada pelos livros: “O Mestre dos Mestres”, “O Mestre da Sensibilidade”, “O Mestre da Vida”, “O Mestre do Amor” e “O Mestre Inesquecível”. Eles nos proporcionam uma perspectiva filosófica e psicológica do comportamento de Jesus.
O autor analisa como o Cristo conseguiu liderar e modificar as atitudes de 12 pessoas complicadíssimas ou será que você acreditava que os 12 apóstolos eram todos anjinhos? Tomemos Pedro como exemplo. Ele era impulsivo, impetuoso e vacilante, indo de um extremo a outro com a maior facilidade. Em sua natureza humana, Jesus conseguiu mudar o comportamento de Pedro e também de seus outros apóstolos, transformando-os em seres humanos de qualidades múltiplas, verdadeiros exemplos para todos nós.

Acabei de reler “O Mestre Inesquecível” – livro que fecha a coleção - há poucos dias.
(Confira aqui o post da obra)
Pessoal, inté!

2 comentários:

  1. Também acredito que existem muitos escritores bons aqui em terras tupiniquins, os quais deveriam receber maiores oportunidades.

    Dos livros que você citou, acho os da Vaga-lume muito bons e nostálgicos, perfeitos para serem relidos em algum momento da vida.

    E antes que eu me esqueça, Jam, parabéns pelos mais de cem posts em um ano! 2015 rendeu!

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    1. Caraca, nem eu havia percebido!! Valeu pela lembrança. Brigaduuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, de coração!!!!!!!!
      Grde abraço :)

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