terça-feira, 14 de abril de 2015

A Firma

Nos meus trinta e poucos anos – isso há alguns milênios atrás (rs) – me recordo de um advogado, já velhinho naquela época, que tratava John Grisham como um Deus. Enquanto quase todos os outros advogados ficavam engolindo livros técnicos ou então, estudando processos complicados antes de se digladiarem nas audiências, o seu Joaquim – a quem eu e a maioria de seus clientes tinham o hábito de chamá-lo de Dr. Quinzinho – passavs horas e horas devorando os livros de Grisham.
O Dr. Quinzinho não esquentava a cabeça, não! Ele lia os seus romances até mesmo na sala de audiências, antes do início do chamado ‘péga pra capá’ com promotores e juizes. Ele não ‘tava’ nem aí para o que os outros falassem ou pensassem.
E olha galera, o cara era competente demais naquilo que fazia. Certo dia – lembro-me como se fosse hoje – um desses advogados metidos a executivos de Wall Street que olhava à todos que cruzavam o seu caminho, com ar de superioridade, como se fosse um deus, pegou o Dr. Quinzinho lendo “A Firma” de Grisham e não conseguiu segurar aquele risinho sarcástico, como que dizendo: “É esse pobre coitado que vou ter de dobrar para beneficiar o meu cliente??”. Bem, resumindo a história: no final da audiência, o advogadinho metido à besta saiu desnorteado da sala do juiz. O Dr. Quinzinho ‘engoliu’ o cara.
Ao encontrá-lo no saguão do fórum, onde estava fazendo uma reportagem,
lhe disse brincando: “Dr. Qiuinzinho, parece que o livro que o senhor estava lendo antes da audiência, deixou-lhe muito inspirado”. Ele me deu um sorriso, tirou “A Firma” de dentro de sua pasta tipo 007 e me entregou exclamando: “Tome, é seu!” Surpreso e assustado lhe perguntei se ele tinha detestado o livro e por isso estava querendo se desfazer  dele. – “De maneira alguma, já acabei de ler e além do mais, quero que você conheça esse autor e veja como ele é bom”.
Pronto! Foi dessa maneira insólita que começou a minha relação com John Grisham. Fui para a casa, encarar “A Firma”, influenciado pelo Dr. Quinzinho.
Cara, o livro é fantástico! Coloca o filme de Sidney Pollack, de 1993, no bolso. E olha que a produção cinematográfica com o Tom Cruise, ainda garotão, é  excelente. O final romântico, onde tudo se ajeita, bem ao estilo do ‘Cinemão Hollywoodiano’ não se aplica ao livro, onde Grisham optou por um final mais realista e compatível com o enredo desenvolvido por ele.
“A Firma” narra a história de um jovem e ambicioso advogado chamado Mitch que acha ter ganho a sorte grande  ao ser convidado para trabalhar numa gigantesca empresa de advocacia que lhe dá diversas regalias e um salário altíssimo. Entonces, ele percebe que a referida firma esconde segredos sinistros e exige dele sua alma, a qual fará de tudo para não entregar.
Como gostei muito de “A Firma” acabei adquirindo outros livros de Grisham, mas pra ser sincero, achei-os densos demais, com muitos termos jurídicos e aquele ‘climão’ de Fórum, tribunais, apelações e o escambau a quatro. Mas o valioso presente que ganhei do Dr. Quinzinho foge desse padrão. Por isso costumo dizer que “A Firma” não é ‘denso’, mas ‘tenso’.
Não há como o leitor ficar imune a saga de Mitch que vai ficando cada vez mais paranóico e desesperado ao ir desvendando os segredos diabólicos da empresa onde trabalha, como por exemplo: negócios ilícitos, lavagem de dinheiro e até mesmo envolvimento com a máfia. A situação do advogado ambicioso se complica quando ele passa a sofrer pressão de um agente do FBI para ajudá-lo a desmascarar a empresa. Ocorre que a Firma sabe tudo sobre os seus funcionários, pois os seus diretores tudo vêem, tudo descobrem, até o mais arraigado segredo daqueles que lhe são subordinados.
Pois é, como Mitch vai conseguir sair ileso dessa sinuca de bico?

Meu amigo... livraço!!

6 comentários:

  1. Tenho A Firma faz alguns meses já e ainda não li. Sua ótima resenha me deixou empolgado e vou tentar ler ele logo.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Obrigado Maurilei,
      Pode ler porque não irá se arrepender. Depois, aproveite para assistir ao filme de Pollack, apesar de ser inferior ao livro, não decepciona.
      Abcs!

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  2. Meu! Eu lia A Frima há uma era atrás e é um livro pelo qual ainda tenho muito carinho. Aliás, John Grisham é um autor que me rendeu ótimos momentos. Me dá até um certo remorso tê-lo negligenciado nos últimos anos. Tem também uma série baseada em A Firma, que ainda não consegui reservar tempo para ver.

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  3. Considero "A Firma" o melhor livro de Grisham; muito melhor do que - até mesmo - o elogiadíssimo "O Juri". Ronaldo, aceite uma sugestão... leia "Tempo de Matar"... muito bom

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  4. O Jam. Eu acho fantástico como você tem uma história incrível sobre a descoberta de cada autor e como aquilo influenciou a maneira de perceber esse autor. Minhas histórias sobre como conheci os autores normalmente são chatas e começam com eu pegando livros aleatórios na livraria :/

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    1. Pois é Marco,
      Tive muita sorte mesmo. Muitas pessoas, lugares e ocasiões que 'cruzaram' o meu caminho acabaram colaborando com indicações para novos livros.
      Torço para que daqui para frente aconteça algo parecido com você.
      Grande abraço!!

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