segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Culpa é das Estrelas



Por culpa de “A Culpa é das Estrelas” levei a maior bronca de uma banca de mestres na mesa de um bar. Deixe-me explicar melhor. Um dia desses, quando estive em Bauru, após resolver alguns probleminhas particulares, decidi parar em uma lanchonete para se deliciar com uma ‘loira gelada’. Como iria retornar para a minha cidade só no dia seguinte, poderia me deleitar, sem medo, nos braços suaves e sedosos dessa loira gostosa. Afinal de contas, o dono da lanchonete não tinha o hábito de usar o bafômetro para medir o nível alcoólico dos seus clientes.
Bem, eu estava na mesa quando chegaram numa ‘cacetada só’ quatro professores com os quais tive o privilégio de conviver nos meus tempos de Unesp: a Sonia que leciona Semiótica; o Leonardo, grande mestre em Literatura; o Jorge, ‘super-fera’ em Economia e o Magno que acabou se aposentando, mas nos tempos áureos era o bam-bam-bam da temível – pelo menos para mim – Estatística. Estes professores tinham algo em comum: só apreciavam livros técnicos, principalmente a Sonia, tendo ojeriza aos chamados BestSeller, os quais qualificavam como pura perda de tempo e atraso do desenvolvimento intelectual.
Pois é, após a chegada dos estimados mestres, começamos a bater um papo descontraído quando pintou o assunto cinema. De repente, o Magno dispara a bomba: “- Fui assistir ao filme baseado na obra do Green”. Bummmmm!! Cara! O Magno dizendo aquilo! Mêo, fiquei completamente sem ação. Então, ele me pergunta se gostei do livro. –“Achei água com açúcar”, respondi. Então, inesperadamente chega voando um novo petardo disparado pela Sônia: - “Como?! Água com açúcar?! Ou você dormiu durante o filme ou não entendeu nada do livro. A história é demais!” Bummm!!! Catapruummm!! Pôoooo!! Smashhhh!! Caraca!! A Sônia que abomina livros e filmes de meros mortais disse isso?! Galera, foi como se eu estivesse na Faixa de Gaza no epicentro de um ataque.
Fiz questão de relatar esse encontro surreal com os meus ex-professores para que vocês vejam como “A Culpa é das Estrelas”, tanto livro quanto filme, fizeram a cabeça dos mais variados níveis intelectuais: do letrado ao iletrado. Nem mesmo a Super-Sonia da Semiótica escapou. Por isso, talvez, esse post possa fazer com que eu me torne um vilão de muitos leitores que assistiram, leram e amaram a história. Mas no meu caso, confesso que não deu... Não estou afirmando que o livro é ruim; o que estou dizendo escrevendo é que a história do John Green é água com açúcar e daquelas bem adoçadinha como muitos outros romances sentimentais.
Tá certo... tá certo... estou ciente da briga que estou comprando com os fãs de Hazel e Gus; mas estou sendo sincero como sempre fui nesse espaço. “A Culpa é das Estrelas” não vale todos os elogios que o colocaram no patamar de melhor livro do gênero já escrito até agora. Pêra aí gente, vamos com calma. Com certeza, “Marina” do escritor espanhol, Carlos Ruiz Zafon é muito melhor e apesar disso,  não recebeu nem metade dos elogios da obra de Green.
Zafon criou uma história de amor dôce, mas não melada e com momentos de tensão e mistério. As reviravoltas na trama são constantes deixando o leitor com aquele quê de ‘queixo caído’ a cada final de capítulo. Cara, nunca torci tanto para um casal como fiz por Oscar e Marina. E no final do livro, mêo, não agüentei... chorei e chorei... foi muita emoção. Zafon faz uma revelação final que surpreende o mais prevenido dos leitores; algo que você jamais esperava.
Desculpem-me galera, sei que não estou aqui para escrever sobre “Marina”, mas como essa história me emocionou demais, acabei tomando-a por parâmetro quando tenho que analisar qualquer outra obra do gênero. E para mim, “A Culpa é das Estrelas” é por demais inferior.
O livro de Green é um “Love Story” modernizado, daqueles que você lê ou assiste, derrama algumas lágrimas ou pelo menos tenta e depois esquece. Green conta a história de Hazel, uma adolescente com câncer na tireóide, com metástase nos pulmões. Resumindo: uma paciente terminal. Devido a descoberta de um medicamento experimental, os médicos lhe dão mais alguns poucos anos de vida. Hazel começa a freqüentar um Grupo de Apoio à Crianças com Câncer onde conhece um garoto bonito chamado Augustus Waters, ou simplesmente Gus. A partir daí nasce a história de um amor impossível, um amor com os dias contados, seguindo a mesma premissa de “Love Story”.
Achei o relacionamento de Hazel e Gus rápido demais. Mal eles se conhecem no grupo de apoio e já estão namorando. Cara, a Hazel logo no primeiro encontro já entra no carro do garoto e se debanda para a sua casa. Tudo bem que os pais de Gus estavam lá, mas achei a situação muito forçada. Parecia que o autor queria unir logo o casal para dar início ao drama dos dois.
Outra falha é que não rolou nenhum conflito entre eles. Hazel e Gus se davam maravilhosamente, apaixonadamente, incomparavelmente bem e cá entre nós, chega determinada hora que esse relacionamento do tipo “Jamais quero te perder” enche o saco. Para completar a muvuca melada, os familiares do casal adolescente se davam hiper bem e apoiavam o relacionamento dos seus respectivos filhos. Os conflitos se restringiam a Hazel e sua mãe e relacionados diretamente à doença da garota. Quanto ao relacionamento do casal: tudo paz e amor.
Entonce entra na jogada o livro “Uma Aflição Imperial” de um tal Peter Van Houten. Aí meu amigo, a ‘coisa’ fica pior ainda. Explicando melhor: O sonho de Hazel era conhecer o final (que ficou em aberto) de “Uma Aflição Imperial” – o qual considerava como uma verdadeira Bíblia - escrito pelo recluso Van Houten, que ela também endeusava. E lá se vai Hazel e Gus para o outro lado do mundo atrás do famoso escritor. Esta parte em que a protagonista tenta descobrir o final do livro encheu o saco. Fiz força para continuar a leitura.
Com relação a Van Houten, esperava uma redenção de sua parte, assim como – guardada as devidas proporções - aconteceu com Batman em “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. O morcegão ficou por baixo, todo quebrado, arrebentado, mas depois deu a volta por cima. Com Van Houten, isso não acontece.
O que funcionou no livro, depois de várias e várias páginas, foi a reviravolta envolvendo o personagem Gus. A partir desse momento, talvez o leitor tenha que apelar para o lencinho e enxugar algumas lágrimas. Eu disse talvez.
Para não disser que achei tudo “down”, lembro que “A Culpa é das Estrelas” arrancou-me algumas risadas gostosas. As ‘tiradas’ de Gus e Isaac, um personagem do grupo de apoio que acabou ficando cego, são muito boas. As passagens em que Isaac quebra todos os troféus da coleção de Gus quando descobre que ficará cego e depois, na sequência, para se vingar da namorada que o deixou, se apodera de alguns ovos e tenta atirá-los no carro da ex são impagáveis.
Enfim, “A Culpa é das Estrela” não passa de um livro apenas regular (não mais do que isso) e que, sinceramente, não merecia o status de ‘melhor dos melhores’.

5 comentários:

  1. Melação demais é um saco mesmo. Não vi o filme e nem li o livro, mas creio que um comentário do meu irmão, que foi ver o filme no cinema com a namorada sintetiza bem o seu texto. Eu perguntei pra ele se era bom e ele respondeu:

    - Não é ruim, mas é um puta filminho de mulher...

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  2. Bom um livro qualquer, como todos os outros livros adolescentes, alem do mais achei muito rapido a forma como eles se conhecem, o cara pergunta pra menina se ela quer assistir um filme com ele e ela aceita, que universo paralelo elea vivem? Enfim o livro nao e tao emocionante assim e so um pouco engraçado, fico imaginando o porquê dele ser tao adorado assim.

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    Respostas
    1. Augusto, emprestei a frase de seu irmão e a usei lá na redação do jornal - a maioria jornalistas mulheres - tive que me esconder dentro do armário, quase fui linchado á sapatadas. Eheheheh....
      Helysson, vc tem razão, abordei esse detalhe no post. O relacionamento entre Hazel e Gus que passou do 'lance' amizade-namoro foi tipo "vapt-vupt". Rápido demais. O autor acabou destruindo parte da 'química' entre o casal. Em certos momentos esse relacionamento ficava muito artificial.
      Dois grandes abraços aos dois!

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    2. Pô Jam juro que discordo hahaha E pouco discordo de suas preferencias pelo q vejo por aqui.
      entendo o que é contrariar uma multidão de fãs (quase fu apredrejada ao sair de Malévola e afirmar que não tinha gostado), mas preferi o das Estrelas à Marina. Aliás achei Marina o pior livro de Zafon, que amo de paixão e sigo desde A Sombra do Vento...o cara eh top
      Logico q nao é nenhuma obra genial, mas achei bem criativa e bem escrita... É pro p;ublico YA e me cativou.
      Acho que a época eu lemos um livro reflete imensamente no jeito em que o vemos.
      Tudo uma questão de quem vê...
      abraço e novamente adoro o blog

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    3. Thanks Manu,
      Como já alertei, com certeza, serei minoria por aqui; já que o livro de Green conquistou até mesmo os meus mestres 'ultra pragmáticos' (rs)
      Abc!

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