sábado, 18 de janeiro de 2014

As diferenças entre o 007 dos cinemas e o 007 dos livros de Fleming



O “cinéfilo-leitor” que não estiver familiarizado com o chamado “Universo Fleming”, certamente irá levar um baita susto ao assistir um filme de 007 e logo depois ler um livro do agente secreto. E olha que será um susto tão grande quanto o do Luciano, o Lucião, um primo bem distante que mora lá em Morrinhos, Goiás. Há muitos anos, ele esteve por aqui, e decidimos assistir um ‘filme em família’. Estávamos, então, vivendo a saudosa época dos VHS e saímos da locadora com o filme “O Espião que me amava”. Lucião que já tinha lido o livro de Ian Fleming e gostado, ficou catatônico ao final da fita com o Roger Moore. “- PQP!! Que pôrra é essa?!” Exclamou ele, após voltar a si. – “Acho que li o livro ou então assisti ao filme errado!”, concluiu após o susto.
O meu primo distante tinha assistido a maioria dos filmes sobre o agente britânico e após se encantar com aquelas superproduções cinematográficas decidiu também se iniciar na ‘literatura bondniana’. Por infelicidade, ele escolheu para o seu ‘debut’, justamente, “O espião que me amava”, obra que não tinha nada em comum com o filme, à não ser o nome.
Esta situação vivida pelo meu primo distante, desavisado e frustrado, acabou me inspirando a escrever um post sobre as gritantes diferenças existentes entre os livros de Fleming e os filmes envolvendo o seu personagem principal. E aproveitando a brecha, gostaria de dar um conselho para a galera  que pretende encarar a leitura dos livros da série 007 escritos por Fleming. Um conselho valioso de quem já leu todos os 14 livros oficiais e assistiu aos 23 filmes sobre James Bond. Lá vai: “Quando começar a ler, esqueça os filmes e se preparem para algo totalmente  diferente”.
Acredite amigo, esta é a mais cristalina das verdades porque – excetuando dois ou três livros – quase nada das páginas foi transferido para as telas dos cinemas. Vamos conferir? Então, mãos à obra.
01 – Cassino Royale (1953)
Cassino Royale marca o debut de 007. Podemos defini-lo como um livro de apresentação do agente inglês, onde ele diz pela primeira vez a clássica e imortal frase: “Bond... James Bond’. Quem quiser saber mais sobre o livro clique aqui e vejam um post específico sobre a obra.
Mas agora vamos nos ater apenas as diferenças gritantes entre livro e filme. Pera aí... Talvez... talvez... nem tanto. Até que o filme Cassino Royale que marcou a estréia de Daniel Craig como o famoso agente secreto de Sua Majestade não foge tanto da história original de Fleming, exceto a descrição cansativa de um capítulo inteiro de como funciona um jogo de bacará.
A cena da tortura é muito parecida com a história escrita por Fleming, com Bond sentando-se completamente nú numa cadeira de palhinha – com os órgãos genitais expostos - e levando porrada atrás de porrada naquele lugar sagrado dos homens. A diferença é que na produção cinematográfica, Bond é torturado com uma corda de marinheiro, enquanto que no livro, o vilão Le Chiffre utiliza um chicotinho comumente usado em competições de equitação.
O acidente com o carro do agente inglês “arranjado’  pelos vilões de Le Chiffre também é fiel ao livro, bem como o relacionamento entre 007 e Vésper. No mais esqueça, nada de brigas, luta corpo a corpo, tiroteio, socos e pancadas. Não, não e não. O livro Cassino Royale é arrastadíssimo, com Fleming se preocupando muito mais em descrever como funciona um jogo de bacará, mesmo assim, é claro, a obra tem as suas virtudes,, uma delas: a apresentação detalhada da personalidade de  James Bond. Cassino Royale é o início de tudo; a pedra filosofal da série.
02 – Viva e Deixe Morrer (1954)
Acredite, tive que fazer uma leitura dinâmica do livro “Viva e Deixe Morrer”, além de assistir ao filme  de Guy Hamilton, numa pré-madrugada e embriagado de sono, para ter condições de escrever essa ‘micro-parte’  do post. Cara, precisei fazer isso porque as minhas lembranças sobre livro e filme eram muito vagas. Sei lá, lembro que tinha o Roger Moore fugindo de uns crocodilos, enquanto pisava no lombo e na cabeça dos animais. Eheheheh! Ri muito.... Melhor, gargalhei à exaustão. Mas vamos ao que interessa: as diferenças entre filme e livro.
“Viva e Deixe Morrer” virou picadinho nas mãos dos roteiristas e produtores e vou explicar o porquê. O livro emprestou fragmentos de sua história para três filmes: “007- Viva e Deixe Morrer”, “Somente para Seus Olhos” e “Licença para Matar”. Com relação à “Viva e Deixe Morrer”, os fragmentos emprestados foram maiores, entre eles: as características pessoais do vilão Mr. Big – excetuando a sua doença no coração, já que no livro de Fleming, o vilão tinha o coração inchado -, a Bond-girl Solitaire também é bem parecida com a do filme ... que mais... que mais... Ah! Aqueles lances de vodu, macumba também são bem parecidos. No mais. Zefini. Esqueça a cena de Bond pisando nas cacundas dos crocodilos, foi pura invenção do diretor Hamilton; esqueça também a ameaça (apenas ameaça) do capanga de Mr. Big/ Dr. Kananga em quebrar ou decepar um dos dedos das mãos de Bond após a sua captura, porque no livro, o agente secreto tem, de fato, o dedo quebrado. Vale lembrar que na produção cinematográfica, Solitaire salva 007 de perder um dos dedinhos. A morte de Mr. Big também é completamente diferente daquela que você assistiu nas telonas.
03 – Monraker (1955)
Pra começar no livro não tem o capanga “Dentes de Tubarão” e muito menos Pão de Açúcar, Corcovado, bondinho e outras cositas mais da ‘Cidade Maravilhosa’.
No livro, Monraker é um foguete, de fato, no qual o vilão pretende colocar uma ogiva nuclear, visando a destruição de Londres. Já, no filme “007 contra o Foguete da Morte”,  o Moonraker passa a ser uma moderna nave espacial capaz de entrar em órbita e retornar à Terra como um avião. Ela foi emprestada pelos Estados Unidos à Grã-Bretanha e sumiu sem deixar vestígios, quando estava sendo transportada. James Bond, então, é convocado pelo MI6 (o Serviço Secreto Britânico), par descobrir o paradeiro da nave. A primeira parada de Bond é na Califórnia, onde estão as Indústrias Drax, que produzem os Moonraker. Ao chegar no local, ele descobre que Hugo Drax quer lançar 50 grande esferas de vidros com orquídeas negras dentro delas. As toxinas ao atingir a Terra iriam destruir qualquer forma de vida humana.
A Bond Girl Gala Brand não aparece no filme. A personagem acabou sendo substituída por Holly Goodhead, uma agente infiltgrada nas indústrias Drax que também quer descobrir os planos escusos do do vilão.
No livro, 007 não vai parar no espaço sideral, ele fica por aqui mesmo. As suas aventuras acontecem em terra firme.
04 – Os Diamantes são Eternos (1955)
Costumo dizer que no caso de “Os Diamantes são Eternos, livro e filme não se misturam. Ambos são tão diferentes quanto a água e o óleo. Enquanto o filme é reconhecido como um sequência de “À Serviço Secreto de Sua Majestade”, com James Bond saindo à procura de Blofeld para vingar a morte de sua amada esposa Tracy; no livro, o agente inglês é enviado por M à uma missão em Serra Leôa para investigar um grande esquema de contrabando de diamantes. No cinema, Bond quer destroçar Blofield, custe o que custar, vomitando e cuspindo ódio para todos os lados depois de ter presenciado – no filme anterior - o grande amor de sua vida morrer em seus braços. Tudo normal galera, afinal de contas, os filmes de 007 nunca seguiram a ordem cronológica dos livros de Fleming e com “Os Diamantes são Eternos” não foi diferente.  Na literatura, essa obra, escrita em 1955,  não tem nada à ver com “A Serviço Secreto de Sua Majestade” que só seria lançado oito anos depois. Portanto, diferenças gritantes se compararmos os enredos de filme e livro.
Enquanto no livro o vilão era um rico milionário, no filme, o personagem foi substituído por Blofeld numa rápida aparição. Com relação a obra escrita, esqueça também aqueles ‘lances’ de veículos espaçais e satélites, nada a ver. Este cenário foi pura invenção dos roteiristas e produtores do filme.
05 - Moscou contra 007 (1957)
O contexto do livro “Moscou contra 007” se passa antes de “O Satânico Dr. No”, mas – para variar – no cinema aconteceu o contrário, ou seja, a opção dos ‘hollywoodianos’ foi a de filmar primeiramente “O Satânico Dr. No”. Resultado: tiveram que mudar completamente o final da história, mesmo assim, “Moscou contra 007 é muito fiel ao livro de Fleming com poucas exceções. Vamos à elas.
No livro, na luta final entre James Bond e Rosa Klebb, o agente inglês acaba sendo atingido pela ponta da lâmina envenenada que a vilã da SMERSH carrega na ponta do sapato. Após o golpe, Bond “apaga” completamente e por muito pouco não acaba morrendo. No início do livro seguinte, “O Satânico Dr. No”, o agente inglês ainda está se recuperando fisicamente do golpe, tanto é que M lhe dá uma missão – à primeira vista – não muito arriscada em seu retorno ao trabalho de campo. Já no filme, Klebb acaba sendo morta com um tiro disparado por Tatiana Romanova, enquanto travava uma luta feroz com Bond que se defendia com uma cadeira. No mais, livro e filme são bem parecidos.
06 – O Satânico Dr. No (1958)
Há algumas diferenças; poucas, mas existem. Por exemplo, a morte do Dr. No no livro não tem nada a ver com aquela que vocês viram na telona. É evidente que não vou revelar o final do vilão para não contaminar ainda mais esse post com spoilers.
Você que leu o livro deve se lembrar da luta ferrenha que Bond travou com uma lula gigante, enquanto se encontrava no cativeiro do vilão. Na época, devido ao baixo orçamento do filme os produtores optaram por ‘podar’ essa cena juntamente com o monstrengo.
No livro, a Bond Girl Honey aparece na praia completamente nua, usando apenas um cinto para a sua faca. No cinema, a personagem interpretada por Ursula Andrews surge vestindo um biquíni branco.
À exemplo de “Moscou contra 007”, o filme “007 Contra o  Satânico Dr. No” foi bem fiel ao livro.
07 – Goldfinger (1959)
“Goldfinger” é outro livro cuja história é parecida com a do filme, com os roteiristas não fugindo tanto do contexto criado por Fleming. Tudo o que tem no livro, você encontrará no filme: explosões, tiroteios, perseguições de carro e isso e mais aquilo. Mas, nem por isso, as tais diferenças deixam de existir. Anotem aí.
Oddjob, o icônico capanga coreano de Goldfinger não morre eletrocutado no livro. Nas páginas, ele enfrenta Bond nas alturas, quer dizer, dentro de um avião. Quando Bond está em desvantagem contra aquela montanha de músculos, ele provoca a despressurização da cabine quebrando uma janela. Então já viu o que acontece com o capanga que usa um curioso chapéu coco com abas de aço... Não sobra nem a ponta da aba. O conteúdo homossexual presente no livro é mascarado no filme. Nas páginas, Pussy Galore e suas meninas são assumidamente lésbicas, já no filme de Guy Hamilton, essa homossexualidade fica bem disfarçada. 
Enquanto nas telonas, Galore e suas comandadas são aviadoras, no livro de Fleming, elas são acrobatas.
Nas telonas, o raio laser que quase corta Bond ao meio numa mesa de torturas é substituído no livro por uma serra elétrica circular. É isso mesmo! Semelhantes aquelas usadas por marceneiros. Arghhhhh!!
Pronto. As diferenças mais visíveis foram estas.
08 – Somente para seus Olhos (1960)
Pouco man, muito pouco mesmo. Este livro reúne cinco contos: “ O Fator Invisível”, “Para Você, Somente”, Quantum de Refrigério”, “Risico” e “ A Raridade de Hildebrand”, dos quais apenas dois: “Para Você, Somente” e “Risico” foram utilizados como base para o filme de 1981, o quinto longa metragem com Roger Moore na pele do agente inglês. Esqueça as fantásticas perseguições de esqui, tiros e correrias. Ah! Esqueça também aquela trama em torno do roubo de um sistema de comunicação conhecido por ATAC. Nada disso faz parte do contexto idealizado por Fleming em seu livro.
No cinema, o governo britânico pede ajuda a um renomado arqueólogo grego para localizar o dispositivo ATAC, mas antes que consiga fazer qualquer coisa, ele e a esposa são assassinados, deixando órfã a bela Melina. Bond é convocado por M com a missão de resgatar o sistema, então acaba conhecendo e unindo forças  à Melina que busca vingança pela morte do pai. Já no livro, os pais da jovem são mortos por não terem concordado em vender a sua propriedade para um grupo criminoso. Por isso acabaram levando chumbo. ‘M’, que era amigo pessoal do casal, manda Bond investigar o assassinato. Após um rápido rolê, 007 descobre que a filha dos Havelock, Judy (Melina no filme), está atrás do matador e do contratante. Ela pretende matá-los para vingar a morte dos pais.
Cara, quanto a elementos do conto “Risico”, o filme traz o ínfimo do ínfimo, apenas referências simplórias sobre a gang que matou os pais de Melina e só.
09 – Chantagem Atômica (1961)
O plot do filme “007 Contra Chantagem Atômica” é muito fiel ao livro. Ele gira em torno do roubo de duas bombas atômicas pela SPECTRE e a posterior tentativa de chantagear as potências ocidentais para o seu retorno. James Bond viaja até as Bahamas para trabalhar com Felix Leiter. “Chantagem Atômica” também introduz o líder da SPECTRE, Ernst Stavro Blofeld, na primeira das três aparições em livros de James Bond.
Com certeza é uma das adaptações mais fiéis de 007 para o cinema; também pudera: este livro foi baseado no roteiro para o que seria o primeiro filme da série, co-escrito por Kevin McClory e Jack Whittingham. Simples man: O livro “Chantagem Atômica” não passa da novelização do roteiro do filme homônimo. Caraca! Quer história mais fiel do que essa! Pois é, num belo dia, o produtor cinematográfico Kevin McClory planejou produzir, junto a Fleming e o roteirista Jack Whittingham, o primeiro filme do espião. Então, os três ‘belezuras’ se sentaram ao redor de uma mesa, munidos de suas máquinas de escrever (computador de mesa ainda era um sonho dos sonhos dos deuses) e começaram a trabalhar na preparação do roteiro daquele que seria o filme inaugural de James Bond, mas eis que... por algum motivo (queria ser um mosquitinho, naquela época, para estar na ‘cena do crime’ e presenciar o fato) o trio de ouro se desentendeu e o roteiro deu uma esfriada, então, reza a lenda que Fleming teria utilizado esse roteiro como base para o romance “Chantagem Atômica”, sem consultar e tampouco citar os nomes de seus colaboradores..
A disputa originou em 1963 um julgamento que custou a Fleming 50 mil libras da época e uma grave piora de sua saúde que, mais tarde, causou sua morte em 12 de agosto de 1964. Putz, meu! Que história trágica né galera? Por isso que “Chantagem Atômica é ao mesmo tempo a adaptação cinematográfica mais fiel de todos os 14 livros do agente secreto e a obra mais controversa de Fleming.
Uma das poucas diferenças existentes entre livro e filme que poderia ser citada nesse post é a exclusão dos vilões russos da  SMERSH e a entrada da S.P.E.C.T.R.E.  Vale lembrar que no início dos anos 60, russos e americanos já estavam se abraçando disfarçadamente e se beijando escondidos, por isso, não valia a pena melar essa relação com um simples filme.
10  – O Espião que me Amava (1962)
Só o nome. Isso mesmo galera, esta foi a única colaboração do romance de Ian Fleming para o filme “007 – O Espião que me Amava”. Caramba, mas por que? Ocorre que um dos produtores ‘todo poderoso’ da série, Albert Brocoli achou a história tão ruim que preferiu usar apenas o título do livro em seu filme. Brocoli com o apoio de seu parceiro Harry Saltzman optou por contratar roteiristas conceituados de Hollywood para elaborar uma história completamente independente e diferente do livro de Fleming. Há ainda uma outra historinha, segundo a qual, a ordem para não utilizar o roteiro completo do livro, mas apenas o seu título teria partido do próprio autor da obra. O próprio Ian Fleming! Devido a enxurrada de críticas dos fãs e da imprensa que acharam a história medíocre, o escritor teria ficado infeliz com o livro e consequentemente quando vendeu os direitos de filmagem à Brocoli e Saltzman só deu permissão para que o título fosse utilizado e nada mais. Sei lá, essa ou aquela história, não me interessa. O que vale à pena é que Brocoli ou Fleming acertaram em não deixar que o contexto do livro fosse transposto para as telas porque os roteiristas ‘inventaram’ uma história sensacioonal para 007.
Caramba! O roteiro original foi tão bom, mas tão bom, que até hoje, alguns críticos de cinema consideram “007 – O Espião que me Amava” o melhor de todos os filmes da franquia do agente inglês e o melhor de toda a carreira de Roger Moore.
No livro, a história é narrada em primeira pessoa pela personagem Vivienne Michel que trabalha num motel de beira de estrada que durante uma madrugada recebe a visita de dois mafiosos que tem planos de incendiar o local e matar a moça. Eis então que surge, coincidentemente,  007 no motel, após ter furado um pneu de seu carro. Ele pede para passar a noite no local, troca tiros com os dois gangsters, mandando-os para as profundezas do inferno,  dorme com a tal Vivienne e no dia seguinte vai embora. E só!Putz, desculpe aí Fleming, mas etchaa romancinho rebinha... jamais daria um filme, sequer mediano.
No filme do diretor Lewis Gilbert, James Bond e uma linda agente soviética unem-se para investigar o desaparecimento de submarinos atômicos e acabam enfrentando um perigoso e astucioso vilão, o bilionário magnata e armador Stromberg, logo Bond e sua companheira são a esperança de toda a humanidade. O filme marca também a estréia do ‘capanga de vilão’ Jaws ou “Dentes de Tubarão” como ficou conhecido. O grandalhão desajeitado com aqueles dentes de metal fez tanto sucesso que voltou a participar de um novo filme do agente secreto na chamada “Era Moore”.
11 – À Serviço Secreto de Sua Majestade (1963)
Sabe quando vemos duas pessoas parecidas, mas tão parecidas que na lata, soltamos aquela famosa frase ‘touriana’: Caramba! A cara de um é a fuça do outro!” O Kid Tourão vive dizendo isso quando encontra pela frente pessoas homônimas na aparência. Certamente se ele fosse fã dos livros e filmes de James Bond, diria essa mesma frase no momento em que lesse e assistisse “À Serviço Secreto de Sua Majestade”. À exemplo de “007 contra Chantagem Atômica” e o seu reboot “Nunca Mais Outra-Vez”, a produção cinematográfica “À Serviço Secreto de Sua Majestade” segue fielmente o livro de Fleming, com ínfimas alterações. Considero esses dois filmes os mais fiéis ao legado de Fleming.
Cara, sinceramente, ao comparar livro e filme, não encontro passagens destoantes em ambos; até mesmo os nomes dos personagens são semelhantes. Só posso dizer: “Que livraço! Que filmaço!” E Zéfini!
12- A Morte no Japão (1964)
Nada a ver livro e filme. Para começar, a obra escrita é uma continuação de “À Serviço Secreto de Sua Majestade”, pois conta como Bond reagiu após o assassinato de sua esposa Tracy. E a reação não foi das melhores. Tão logo Tracy morreu pelas mãos de Blofeld, o agente inglês com o duplo zero se entregou à bebida, vindo falhar em várias missões importantes. A única mulher que ele havia amado de verdade não saía de sua cabeça e superar a sua morte trágica era demais. Resultado: um agente perto do fracasso, entregue a bebida e desmoralizado no Serviço Secreto. Este é o Bond que encontramos no início de “A Morte no Japão”. Um agente pronto para ser demitido por M; que só não o faz em consideração a tudo o que ele representou no passado. Dessa maneira, M decide lhe dar uma nova chance à Bond e o envia numa missão diplomática no Japão, onde deverá convencer o chefe do Serviço Secreto Japonês, Tiger Tanaka, a fornecer informações importantes sobre um espião infiltrado dentro do Serviço Secreto Soviético. Em troca das informações, Tanaka pede a Bond que assassine Dr. Guntram Shatterhand, que possui uma fortaleza chamada “Jardim da Morte”, aonde pessoas vão para suicidar-se. Bem, já deu para perceber que o plot inicial do filme “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” é completamente destoante do livro. Na produção cinematográfica, o enredo é bem mais complicado e diga-se de passagem, menos atraente.
Confira aí: ‘Após o sequestro de uma nave norte-americana os Estados Unidos acusam os soviéticos de  boicote ao seu programa espacial. Numa conferência entre  o Reino Unido,  a URSS  e os Estados Unidos, o representante dos Estados Unidos dá um ultimato contra a URSS. Porém, os britânicos não acreditam que foram os soviéticos que sequestraram a nave, afirmando que viram que a nave sequestradora tinha aterrado no Japão. Assim, o Reino Unido decide enviar James Bond para o território e averiguar o caso, a fim de evitar uma guerra mundial entre as duas potências’. Fraquinho,  né?
Grande parte da ação do livro se desenvolve no interior do Jardim da Morte, onde Bond enfrenta  muitos perigos, desde plantas carnívoras e venenosas à lagos com piranha. O agente de Sua Majestade acaba descobrindo ainda que o Dr. Guntram Shatterhand é na realidade mais um dos disfarces de Blofeld. Ao saber disso, o antigo desejo de vingança volta a ferver em suas veias e, então, matar o assassino de Tracy acaba virando uma questão de honra. Quanto ao filme com Sean Connery, não vemos nada disso.
No livro, o leitor é brindado com um confronto corpo a corpo entre Bond e Blofeld num eletrizante duelo de espadas. No filme, esqueça... esse confronto nunca ocorre.
Não vou revelar o final de “A Morte no Japão”, para não detonar o clima daqueles leitores que ainda não devoraram a obra, mas garanto que o destino de Bond passa longe do roteiro do filme de Lewis Gilbert e ainda serve como gancho para o livro seguinte de Fleming: “O Homem da Pistola de Ouro”.
Se você ler “A Morte no Japão” e depois assistir ao filme “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”, chegará a conclusão que se tratam de duas obras distintas e muito distintas.
13 – O Homem do Revolver de Ouro (1965)
Taí mais um exemplo de livro e filme distintos. A não ser os nomes de alguns personagens; os produtores e roteiristas do filme “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro” mandaram as favas o contexto do livro de Fleming. Acho que foi mais ou menos assim: “Olha, vamos aproveitar só o nome da obra e de alguns personagens; o resto, a gente inventa”. E até que inventaram um filme ‘meia-boca’ com Roger Moore vivendo James Bond pela segunda-vez.
No filme, Francisco Scaramanga dá uma de galo de briga e chama 007 para o terreiro com a intenção de descobrir quem é o “Rei do Gatilho”. Para isso, ele envia uma bala dourada, calibre 42 com a inscrição 007 à sede do Serviço Secreto Britânico. Com a ameaça feita a seu principal funcionário, “M” sugere a Bond que tire férias. O agente sabe, porém, que a chance de ser morto é grande e que tem apenas uma alternativa para virar o jogo a seu favor: encontrar antes o vilão. Durante a caçada, ele descobre que Scaramanga roubou uma estranha engenhoca que produz células de energia e que poderá vir solucionar o problema da falta de petróleo. Fica evidente que o vilão quer usar essa máquina para destruir Bond.


Caraca! Já perceberam que o plot principal do filme gira em torno de uma disputa boba para saber quem é o melhor no tiro: o vilão que é um assassino profissional desde os 15 anos ou o melhor agente do Serviço Secreto Britânico. Já no livro, a ‘coisa’ é um pouco mais séria. A obra funciona como continuação de “A Morte no Japão”, onde um ano depois de James Bond desaparecer durante a missão naquele País,  é dado como morto. Em seguida, um homem que se diz ser Bond, aparece  em Londres para encontrar M. Após alguns exames e interrogatórios, a identidade do homem é confirmada, mas, durante sua entrevista de balanço com M, 007 tenta matá-lo com uma pistola de cianeto, mas a tentativa falha.

O Serviço Secreto Britânico logo descobre que depois da destruição do castelo de Blofeld no Japão, Bond sofreu um ferimento na cabeça, ficando com amnésia subseqüente. Tendo vivido como um pescador japonês durante vários meses, 007 viajou para a União Soviética afim de saber a sua verdadeira identidade. Mas, ele acaba sofrendo uma lavagem cerebral e é mandado de volta à Inglaterra para matar M. Após passar por um processo contrário à lavagem cerebral, é dada à James Bond uma chance de provar seu valor como um membro da seção “00″. “M” lhe atribui uma missão na Jamaica aparentemente impossível: localizar e matar Francisco “Pistolas” Scaramanga, um assassino cubano que acredita-se ter matado vários agentes secretos britânicos. Scaramanga também é conhecido como “O Homem do Revólver de Ouro”.
Meu!! Quanta diferença!!
14 – Encontro em Berlim (Octopussy) (1966)
 “Octopussy” ou “Encontro em Berlim” (título lançado no Brasil) doou muito pouco para o filme “007 contra Octopussy”. Dos quatro contos do livro de Fleming – ‘Encontro em Berlim’, ‘James Bond Acusa’, ‘A Propriedade de Uma Senhora’ e ‘007 em Nova York’ - o filme de 1983 com Roger Moore e a – na época – estonteante Maud Adams utilizou como base apenas dois: ‘James Bond Acusa’ e ‘A Propriedade de uma Senhora’. No primeiro conto, 007 é ordenado a capturar o Major Dexter Smythe, herói da Segunda Guerra Mundial acusado de roubar ouro nazista. A maior parte é contada em flashback pelo vilão. No segundo, Bond investiga uma funcionária do Serviço Secreto, Maria Freudenstein, que é uma agente dupla paga pelos Russos para leiloar um relógio feito por Peter Carl Fabergé na casa de leilões Sotheby’s em Londres.
No filme Bond, ao tentar solucionar quem assassinou o agente 009, segue a pista de um Ovo Fabergé roubado do Kremlin, que aparece em uma famosa casa de leilões de Londres e que pode ser a chave do mistério, pois o agente morto foi encontrado com um Fabergé falso.
Em meio à rede que se forma ao redor do ovo, o agente 007 vai à Índia e à Europa Oriental onde reencontra Octopussy, filha de um ex-inimigo seu, que para salvar a própria vida, se une a Bond para frustrar os planos de Kamal Khan, um príncipe afegão que com a ajuda de Gobinda saqueiam tesouros do último czar da Rússia espalhados pela Europa. Por trás deles está um general soviético que quer destruir Berlim com bomba atômica.
Nada a ver livro e filme... nada a ver.... ambos bem diferentes.
Enfil galera, é isso aí. Espero que tenham curtido o post.
Inté já!

7 comentários:

  1. Quero comprar os livros onde eu achooo??

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    1. Encontrará a maioria neste link:

      http://www.estantevirtual.com.br/busca?vmnqm=0&q=Ian+Fleming

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  2. Amo os livros do Fleming, são sempre bons.

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    1. Com raríssimas exceções, eles são fantásticos :)
      Grde abraço!

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  3. Viva e Deixe Morrer, realmente, tem muitas diferenças entre filme e livro. Eu estava comprando aquelas bonitas novas edições da Alfaguara, eles chegaram a lançar 4 volumes. Mas agora que a Objetiva foi pra Companhia das Letras, sei lá quando e se vai ter livro novo...

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    1. Pois é Lucia, parece que as edições dos livros antigos de 007 que vinham sendo relançados pela Alfaguara 'brecaram'. Vasculhei as redes sociais e tbém entrei em contato (via email) com a Companhia das Letras. A resposta é aquela já bem manjada: "Não há nenhuma previsão, por enquanto".
      Só resta aguardar.
      Abraços!

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  4. Caro José Antonio,
    Primeiro,parabéns pelas suas ótimas resenhas e esta em especial, cotejando os livros de Ian Fleming com os filmes e tirando conclusões precisas e inteligentes.
    Segundo, você é uma raridade, no bom sentido da palavra.
    Você descobriu o "James Bond literário" que difere, e muito, do "cinematográfico".
    O Bond de Ian Fleming é muito mais de "carne e osso", vide, entre outras, a angustiante e arrepiante cena de tortura de "Cassino Royale".
    Nós somos mais ou menos da mesma idade e você, como eu, deve ter descoberto primeiro o Bond do cinema. E o impacto, principalmente do Bond de Connery, é muito grande.
    Mas quem for ler Fleming esperando encontrar o Sean Connery nas páginas dos livros, pode se decepcionar.
    Mas deixar de ler Fleming por causa disso é uma grande injustiça para com o talento dele.
    E uma coisa que Fleming tinha era talento para contar uma boa história, mesmo que mirabolante às vezes.
    Ele não tinha era altas pretensões literárias como tem até hoje o excelente John le Carré, mas ele, como poucos, tinha um ótimo senso de ritmo e de criação de suspense e Bond, o dos livros, não é uma criação unidimensional ou, se preferir, um "cardboard character".

    Termino elogiando você por um outro motivo singelo: você é, além de mim, a única pessoa que eu conheço que leu aqueles dois ótimos contos de Fleming, "Encontro em Berlim" e "James Bond Acusa", no Brasil lançados pela extinta Edições Bloch.
    E, justiça seja feita, a Edições Bloch ainda teve outro grande mérito, o de lançar no Brasil outro ótimo escritor de espionagem, o londrino Len Deighton, criador de um espião diferente e sem nome, mas que ficou famoso nos meus tempos (mas infelizmente não mais) como "Harry Palmer" por causa de Michael Caine, que o encarnou em 03 filmes no cinema.
    Bem, eu delonguei-me um pouco, queira perdoar.
    Grande abraço, parabéns novamente pelo blog e pelas ótimas resenhas e obrigado.

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