terça-feira, 11 de junho de 2013

Chantagem Atômica (1º livro da “Trilogia Blofeld”)



Como já havia revelado no facebook do Livros e Opinião, decidi num desses dias de minha vida, escrever um post sobre a “Trilogia Blofield”. Com certeza, os iniciados em 007 -  no 007 de Ian Fleming e não nas cópias e aberrações de outros autores - sabem do que estou “falando”. Já, para os não aficionados, basta dizer que a “Trilogia Blofeld” corresponde aos três livros onde aparece o pior inimigo de James Bond: o “Número 2” Ernst Stravo Blofeld. Vale lembrar que nos cinemas, ele é o “Número 01”.
Para que vocês entendam a importância de Blofeld na ‘literatura Bondniana”, é essencial esclarecer que ele foi o único vilão de 007 que apareceu em três livros de um total de 14 escritos por Ian Fleming sobre o agente secreto inglês. Três??? Não... não... me desculpem. Em quatro livros. Isso mesmo quatro livros! Em “Espião e Amante”, Fleming também faz algumas citações à Blofeld. Quanto aos outros vilões da série só tiveram direito a um livro; e nem poderia ter sido diferente, já que eles foram eliminados por Bond ou então fugiram com o rabinho no meio das pernas, excetuando Rosa Klebb que foi presa após ferir gravemente 007 e Le Chiffre, morto por um capanga da Smersh, quando estava perto de capar o nosso pobre herói com um batedor de tapetes, mesmo assim, os dois não apareceram em nenhuma continuação.
Blofeld, ao contrário dos outros vilões que ficaram só no quase com 007, acabou sendo o seu algoz, infligindo sofrimentos terríveis e que deixaram cicatrizes profundas no corpo e na alma de Bond. Estas marcas foram tão profundas que por pouco não transformaram 007 num trapo humano, fazendo com que ele - que sempre foi considerado o melhor agente secreto de Sua Majestade - se tornasse uma legítima piada devido aos fracassos das missões à ele confiadas. Aliás, Bond só não foi desligado do MI6, graças ao seu chefe ultra sisudo o tal do “M”. Mas isso é assunto para “A Morte no Japão”, último livro da “Trilogia Blofield”. Os outros dois são: “Chantagem Atômica” e “À Serviço Secreto de Sua Majestade”.
Voltando à “Chantagem Atômica”; nesse livro, Fleming nos apresenta à Blofield, descrevendo detalhadamente as suas características físicas, além de sua personalidade. E logo nas primeiras páginas do livro – para ser exato no capítulo cinco sobre a S.P.E.C.T.R.E - o leitor já tem uma noção da pedreira que James Bond irá enfrentar. Após ler a apresentação do vilão feita detalhadamente por Fleming, o blogueiro aqui murmurou: -“ Caraca! Esse sujeito é capaz de peitar o nosso agentão!” E é mesmo! Olha pessoal, esqueça o Blofield dos cinemas vivido – diga-se de passagem, brilhantemente - por Donald Pleasance e Telly Savallas. O vilão original dos livros é bem mais cruel, mas cruel aos extremos; capaz de matar uma pessoa como se fosse um inseto, unicamente para atingir os seus objetos. Esta crueldade doentia, onde não há vez para o remorso e o perdão, fica evidente no momento em que Fleming apresenta Blofield aos seus leitores e o compara à outros tiranos da história, como Adolf Hitler, Mussolini e Genghis Khan.
Neste primeiro livro da  trilogia passamos a conhecer minuciosamente a vida de Blofield, desde a sua juventude até a fase adulta. Como ele era antes e como ficou depois de ter se tornado o fundador e chefe da S.P.E.C.T.R.E (Sociedade Política Especializada em Contra-espionagem, Terrorismo, Rapinagem e Extorsão).
Para aqueles que pretendem se iniciar no mundo literário de 007, lendo os 14 livros oficiais do espião, escritos por Fleming, aconselho seguir a sequência em que foram escritos. Apesar de alguns afirmarem que não há a necessidade de se seguir uma ordem cronológica de leitura, em minha humilde opinião, há sim, principalmente no que diz respeito aos três livros sobre Blofield. O correto é ler primeiramente “Chantagem Atômica”; depois, “À Serviço Secreto de Sua Majestade” e por último “A Morte no Japão”. Mas se você quiser fazer o serviço completo, não custa nada incluir nessa listinha o livro “Espião e Amante”. Eu explico o motivo. É que a obra funciona como uma “meia pós sequência” de Chantagem Atômica com referencias sobre Blofield e a “Operação Thunderball ou Chantagem Atômica. Tudo bem que sejam poucas referencias, mas constam.
Já que toquei no assunto sobre a cronologia dos livros de 007 escritos por Fleming, vamos à ela: Cassino Royale (1953), Viva e Deixe Morrer (1954), O Foguete da Morte (1955), Os Diamantes São Eternos (1956), Moscou Contra 007 (1957), O Satânico Dr. No (1958), Goldfinger (1959), Para Você, Somente (1960), Chantagem Atômica (1961), Espião e Amante (1962), À Serviço Secreto de Sua Majestade (1963), A Morte no Japão (1964), O Homem Com o Revolver de Ouro (1965) e Encontro em Berlim (1966).
Acredito que ao escrever “Chantagem Atômica”, Fleming já havia decidido trazer Blofield  numa continuação e ao concluir “A Serviço Secreto de Sua Majestade”, ficou mais do que provado que o vilão voltaria num terceiro livro. No final de “À Serviço Secreto...”, quando todos  acreditavam que Blofield havia fugido como um camundongo assustado, eis que ele volta, sorrateiramente, e aplica um golpe baixo em Bond, deixando o agente secreto inglês completamente desnorteado. Talvez o golpe mais doído que 007 tenha sofrido em toda a sua vida. E como não era hábito de Fleming dar os louros da vitória para os vilões em seus livros, os leitores tinham mais do que certeza de que Blofield voltaria num terceiro livro. E isso acabou acontecendo em “A Morte no Japão”.
“Chantagem Atômica” é um livro de introdução à Ernst Stravo Blofeld, onde o Nº 2 da S.P.E.C.T.R.E não aparece muito, deixando essa incumbência para um de seus asseclas: Emilio Largo. Fleming, basicamente descreve a personalidade e a aparência, além de fornecer informações detalhadas sobre a origem do vilão. O confronto ‘tête-à-tête’ ocorre, mesmo, entre Bond e Largo.
Na verdade, Blofield começa a infernizar a vida de 007 a partir de “À Serviço Secreto de Sua Majestade”, onde pretende colocar em prática um plano bem sui generis para dominar o mundo e que acaba sendo descoberto pelo agente. A perseguição de trenós entre “mocinho e bandido”  nas páginas finais do livro é fantástica; mas isso é assunto para o segundo livro da trilogia. Logo, loguinho.
Inté já!


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