domingo, 25 de março de 2012

Instinto Assassino

Depois de vários dias sem postar, eis que esse blogueiro de “primeira viagem” resolveu dar as caras por aqui. Minha vida esteve um pouco conturbada  nesses dias: trabalho, correria, saúde meio baqueada, conflitos profissionais que tiveram de ser ‘toureados’, enfim, vida de jornalista é uma caca, mas eu gostcho!
Mas o que interessa é que estamos vivos, fazendo jus aquele velho ditado: “entre mortos e feridos salvaram-se todos”.
Que fique bem claro o seguinte: nem mesmo durante o período de ‘inferno astral’ abandonei o meu amado e querido vício de leitura. Livros e mais livros continuam sendo devorados. Agora estou encarando o calhamaço “O Nome do Vento”, o qual estarei dando a minha opinião brevemente nesse espaço. Mas hoje, quero escrever sobre um livro que mexeu muito comigo. Uma obra densa, pesada e que exige do leitor muito sangue frio. Estou me referindo a “Instinto Assassino”, de William Randolph Stevens.
Li essa obra a uns três ou quatros anos e pela história, baseada em fatos reais, ter despertado tanto interesse resolvi relê-la recentemente. O seu enredo nos dá uma noção exata da complexidade da mente e do modus operandi de um psicopata. Juro que fiquei impressionado demais após as “duas leituras” da obra de Stevens. Impressionado, porque você chega a conclusão que pode estar convivendo, normalmente, ao lado de um psicopata já que a maioria deles camuflam muito bem os seus desvios psicológicos. Às vezes o psicopata pode ser aquele juiz sério e acima de qualquer suspeita em sua cidade, ou aquele filantropo sempre disposto a ajudar as pessoas necessitadas, ou então, como no caso do livro “Instinto Assassino”, o médico amado e querido de uma pequena cidade; um verdadeiro anjo em terra.
Na obra de William Randolph Stevens que também foi o promotor do caso e depois resolveu escrever um livro sobre o assunto, Cristina Henry narra os momentos de terror que passou ao lado de seu marido, o proeminente médico americano, Dr. Patrick Henry com quem chegou a ter um filho.
Ela conviveu durante quase sete anos ao lado de um perigoso psicopata sem perceber nada de anormal, já que o médico insano escondia com perfeição a sua personalidade doentia. Durante todo esse período, Cristina enfrentou várias situações de risco extremo, com a sua vida ficando presa por um fio. O passatempo predileto de seu esposo era armar armadilhas para matá-la ou então fazê-la sofrer, sem que ela nada percebesse.
O ponto alto da perversidade do Dr. Henry é o momento em que ele tenta matar o próprio filho por enxergá-lo como um inimigo. São momentos de pura tensão no enredo de Stevens e nessa hora nos colocamos no lugar de Cristina que sofreu horrores até descobrir a verdade, ganhando assim, coragem para pedir a separação.
Quando chega a conclusão que o seu marido é um perigoso psicopata, ela passa a enfrentar um novo problema: a falta da credibilidade de suas palavras, já que ela não passa de uma simples dona de casa, enquanto o seu esposo é um médico estimado e respeitado por todos. Cristina encara o descrédito de seus familiares, dos seus amigos e dos amigos de seu esposo. Enfim, ela passa a viver um verdadeiro inferno em terra. Mesmo assim, lutando contra todos, ela consegue se separar de Patrick Henry e quando pensa que se livrou do perigo, o seu pesadelo retorna com carga total, já que o ex-marido psicopata que não aceita a separação decide armar um plano diabólico para se vingar. Um plano ao mesmo tempo inteligente e macabro que só uma mente doentia poderia arquitetar.
É nesse ponto da história que entra o personagem real e também autor do livro Dr. William Randolph Stevens, promotor que convence Cristina a levar o seu ex-marido para o banco dos réus. Com Patrick Henry preso, ela ficaria definitivamente liberta de seu pesadelo e a sua vida poderia parar de correr perigo, mas nem tudo é tão simples assim, já que as armadilhas armadas pelo médico foram muito bem engendradas, não deixando qualquer fio de suspeita. Por isso, Cristina correria o risco de ver o seu ex-marido saindo livre do julgamento e ainda furioso com a sua atitude de tentar incriminá-lo, aumentando assim, a sua sede vingança.
No início, a personagem teme pela sua vida e de seu filho, mas encorajada pelo promotor Dr. William Randolph Stevens, ela resolve entrar na briga “de cabeça” contra todo poderoso Patrick Henry. Começa então, o trabalho minucioso de colhimento de provas pela equipe da promotoria, comandada por Stevens, com o objetivo de juntar subsídios consistentes que possam levar o Dr. Henry à júri popular.
Logo de cara, “Instinto Assassino” já começa com um plano maquiavélico do Dr. Henry para assassinar Cristina, quando eles já estão separados. O médico é detido no aeroporto com uma maleta contendo estranhos equipamentos para um médico e que seriam utilizados por ele no crime. Após abrir a maleta, uma equipe de investigadores procura por Cristina que revela de maneira surpreendente: “com certeza, ele viria me matar”. O médico caba sendo solto por falta de provas, já que é, apenas, a sua palavra contra a palavra de sua ex-mulher.
Neste momento da obra, Cristina começa a narrar em flashback como foi o seu relacionamento com o Dr. Henry, desde o momento em que se conheceram até os instantes finais, quando ela descobriu que estava vivendo com um terrível psicopata.
Como já disse no início desse post, é uma leitura muito tensa que faz o coração do leitor acelerar a cada susto ou perigo vivido pela personagem. Ela narra, por exemplo, como ocorreu o primeiro acesso de loucura de Henry, após estarem casados. O médico chamou uma gatinha para brincar e como o animal fugiu, o psicopata passou a persegui-lo pela casa furiosamente, até conseguir agarrá-lo e arremessá-lo com toda força no chão. Depois disso, tremendo e com os olhos vidrados de ódio ele começaria a gritar para a sua mulher: “Ninguém foge de mim! Nada!” Tempos depois da separação, Cristina passaria a entender o verdadeiro significado dessas palavras, quando precisou passar parte de sua vida se escondendo de seu ex-marido.
Outro trecho do livro que retrata a loucura do personagem é o instante em que ele filma a sua mulher fugindo do ataque de um crocodilo. Cristina está nadando num rio, despreocupadamente, quando ele a incentiva a chegar perto do animal sem que ela desconfie de nada; então, Henry estimula a mulher a nadar cada vez mais rápido, enquanto a fera começa a persegui-la. Tudo isso, sem que Cristina perceba o perigo que está correndo. Enfim, esses são apenas alguns momentos narrados em flasback pela mulher; mas há muitos outros que deixam o leitor com taquicardia e torcendo para que o diabólico médico seja condenado.
Em tempo: “Instinto Assassino” foi transformado em uma minisérie na Rede Globo no início dos anos 90. Quanto aWilliam Randolph Stevens , que eu saiba, escreveu apenas esse livro; mas valeu a pena, já que se trata de uma grande obra.
Quanto ao Dr. Patrick Henry, se chegou a ser condenado, de fato, dando assim, paz para a sua ex-mulher, só mesmo lendo o livro.
Inté!

3 comentários:

  1. Por favor, gostaria muito de ter acesso a essa minissérie. Já li esse livro dezenas de vezes. Infelizmente não consegui assisti-lo.

    Att. Larissa Sathler

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    Respostas
    1. Acesse esse link, há várias opções, a maioria em VHS. Se não me engano, vi apenas uma versão compacta em DVD.
      Abcs!
      http://lista.mercadolivre.com.br/instinto-assassino

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  2. Olá. Vim parar aqui pois comecei hoje a assistir a um documentário (The Keepers) sobre dois assassinatos que aconteceram em Baltimore. Logo me lembrei deste livro Instinto Assassino. Eu tinha uns 13 anos quando li (hoje estou com 36) e foi uma história que nunca me esqueci.

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