segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Lembranças da Meia Noite

Quando Sidney Sheldon lançou “O Outro Lado da Meia Noite”, em 1973, o livro tornou-se uma verdadeira febre mundial, transformando-se em Bestseller da noite para o dia. A história das personagens Noelle Page e Catherine Alexander, de personalidades tão distintas, encantou milhares de leitores, incluindo o “menino” aqui.
Hoje, após tantos anos, recordo dos tempos que não saía da biblioteca pública municipal da minha cidade, onde vivia locando os livros de Sheldon. Ao terminar de  ler “O Outro Lado da Meia Noite” fiquei desassossegado, porque queria, de qualquer maneira, conhecer o destino de Catherine. Será que ela continuaria para sempre enclausurada naquele convento? Conseguiria, um dia, recuperar a memória? O que Constantin Demiris estaria reservando para ela?
Na época em que li “O Outro Lado da Meia Noite”, a sua sequência “Lembranças da Meia Noite” já havia sido lançada, portanto eu já sabia que a saga de Noelle Page, Larry Douglas e Catherine Alexander tinha uma continuação. Sorte a minha, caso contrário, acho que a frustração seria enorme. Devorei as páginas de “O Outro Lado da Meia Noite” em três dias – devorei não, engoli as páginas – e sem perda de tempo já ‘engatei’ a leitura de “Lembranças...”
Precisava, demais, saber como seria a vida de Catherine a partir do momento em que Sheldon escreveu a última linha de sua obra prima publicada no início dos anos 70.
Você já deve ter percebido que a personagem que me conquistou , por completo, na obra de Sheldon foi Catherine e não Noelle, considerada a protagonista da história. Noelle sempre foi ambiciosa, corajosa, sensual e sem medo de encarar desafios. Esses adjetivos já nasceram com ela e percebemos isso, logo nas primeiras páginas do livro “O Outro Lado da Meia Noite”, com a Noelle ainda criança. Costumo dizer que tais virtudes e defeitos já estavam impregnados na personagem ainda dentro da barriga da mãe. Quanto a Catherine a situação é diferente. A personagem me cativou porque foi conquistando essas características ao longo da história, de acordo com o que a vida lhe oferecia. “O Outro Lado da Meia Noite” começa com uma Catherine ingênua, fraca e sem amor próprio. Com o ‘rolar’ das páginas, a personagem vai crescendo, se desenvolvendo. Como já disse, a própria vida se encarrega desse trabalho. Os tombos, decepções e rasteiras transformam Catherine numa outra pessoa: esperta, corajosa, astuciosa e até mesmo ambiciosa.
Há um determinado momento do romance que ela resolve sair ‘peitando’ todos aqueles que a espezinharam, querendo dar o troco em Larry Douglas e, por tabela, na própria Noelle. E logo Noelle, tão segura de si, chega um ponto da história que não agüenta tanta pressão e decide bolar um plano para assassinar a sua rival, ficando assim com o caminho livre para ter em seus braços o grande amor de sua vida, Larry Douglas, casado com Catherine.
Vibrei, também, quando Catherine resolveu dar um basta naquela vidinha ordinária e cheia de lamúrias quando vivia se rastejando aos pés de Larry como um cachorrinho, ou melhor, uma cadelinha. O safado do cara só faltava pisar na coitada! Humilhação era pouco! Enquanto isso, só saía da boca da mulher: “Aí coitadinho do Larry”, “Larry, eu te amo, não faz isso comigo”, “Larry porque você me humilha dessa maneira? Eu te amo tanto”, e por aí afora. Enquanto lambia a sola do sapato do mau caráter, Catherine ia se deteriorando aos poucos, se transformando numa mulher feia, gorda, enrugada, um verdadeiro trapo humano. Até o momento em que deu aquele ‘click’ em sua cabecinha e ela acordou para a realidade. A partir daí, Catherine entrou numa academia, mudou o seu caráter e se transformou numa mulher bonita, sensual e forte.
Por tudo isso, considero Catherine uma personagem complexa, uma verdadeira “camaleoa” (se bem que o correto seja camaleão feminino, mas sei lá, acho que a palavra não soa bem para a nossa Catherine).
Catherine Alexander nos traços de Raul Magalhães
(http://www.rauldesenhos.blogspot.com/)
Mas deixa eu parar de ‘viajar’, afinal de contas, esse post é sobre “Lembranças da Meia Noite” e não “O Outro Lado da Meia Noite”.
Então, retomando.  Ao começar a leitura de “Lembranças da Meia Noite” percebi que apesar do livro ser fantástico, uma verdadeira teia de aranha que te prende do começo ao fim, Catherine não é a protagonista, ela não aparece como deveria na história e só vai ter uma participação, de fato, ativa, perto do final do enredo.
Na realidade, o livro é sobre Constantin Demiris, o todo poderoso magnata grego, que quer a submissão de todos aqueles que um dia cruzam o seu caminho; Catherine não passa de uma figurante de luxo no enredo. Apesar desse, digamos, probleminha, a personagem não perde o seu carisma; em todas as partes do romance em que aparece, a sua aura domina as páginas. Não importa se é a Catherine tímida e insegura, forte e destemida, ingênua e sonhadora ou sensual e envolvente. Mas afirmar que ela é a personagem principal de a continuação de “O Outro Lado da Meia Noite” é ir longe demais. O livro, como já disse, é de Demiris e ponto final.
Sheldon escreveu “Lembranças da Meia Noite” somente 17 anos depois de “O Outro Lado da Meia Noite”. E conforme o escritor disse em uma entrevista, o seu objetivo não era publicar uma sequência para o seu famoso romance, mas deixar “no ar” o destino de Catherine. Ocorre que esse final aberto não agradou a maioria dos eitores que insistiam em saber o que aconteceu com Catherine. A pressão (no bom sentido, é claro) foi tanta que Sheldon decidiu escrever uma continuação para uma de suas personagens mais marcantes.
Todos que leram “Lembranças da Meia Noite” sabem que após um atentado “maquinado” por Noelle Page e seu amante Larry Douglas (marido de Catherine), a personagem acaba ficando confinada num convento carmelita na Grécia e, para escapar, resolve recorrer ao magnata grego Constantin Demiris. Mas ela não desconfia que está caindo em uma armadilha ardilosamente preparada pelo vilão que vê em Catherine a chance de consumar sua vingança. Dessa maneira, ela passa a ser um joguete nas mãos de Demiris. Mas se ele queria ver Catherine morta, porque  em “O Outro Lado da Meia Noite” acabou salvando a sua vida? Bem, para conhecer a resposta só mesmo lendo o livro. Taí, em suma, esse é o resumo do empolgante romance de Sheldon.
A vingança de Constantin Demiris não é somente contra Catherine, mas contra todos que resolvem cruzar o seu caminho ou então discordar de suas idéias.  Para que o leitor tenha uma idéia do ódio desse magnata, basta citar o seu lema: “O homem que não esquece e nem perdoa”. Será que preciso escrever mais alguma coisa?
Além de Demiris e Catherine, há outros personagens marcantes na história como Napoleon Chotas, Spyros Lambrou e Melina; o primeiro, advogado; o segundo, cunhado e a terceira, esposa de Demiris. E coincidentemente, os três que resolvem peitar Demiris. Grande parte do enredo se resume no embate entre Spyros e Demiris, dois dos maiores armadores gregos, donos de frotas e mais frotas de navios; um querendo engolir o outro. Enquanto Demiris se encaixa na pele de vilão, Sheldon deu à Spyros o papel de bom moço no enredo.
Prestem atenção no plano armado por Melina para incriminar o seu marido. Cara! Fiquei de boca aberta! Após se cansar de apanhar de Demiris ela decide colocar em prática o ditado grego popular: “Os gregos nunca esquecem”.
Outra surpresa para o leitor é o assassino contratado para eliminar Catherine. Quando você descobrir quem é o sujeito, com certeza o seu queixo cairá. Uma prova de que o nosso bom, velho e saudoso Sheldon era um dos mestres dos romances de suspense
Cabe a Chotas a manipulação do final surpresa. Aliás só poderia ser ele para fechar com chave de ouro o enredo de “Lembranças da Meia Noite”. Chotas que, apesar de aparecer muito pouco, já havia brilhado em “O Outro Lado da Meia Noite”.
Enfim, é isso; mais um grande livro escrito por Sheldon.

5 comentários:

  1. esse livro , me encantou . Confesso ! acobo de ler e ja estou com saldades , nao li , O Outro Lado Da Meia Noite , mais Tambem nao quero ler . Quero que esse seja Enredo oficial na minha mente . Parabens pela analise .

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    1. Olá!
      Posso lhe dar um conselho? Leia "O Outro Lado da meia Noite" porque vc irá se aprofundar nos personagens, conhecer melhor Noele, Larry Douglas e Catherine. Sheldon explorou as mínimas nuances desses personagens especiais, sem contar no advogado de Noele que é uma figura à parte.
      Grde abc!!

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  2. Adorei sua resenha. Disse tudo o que eu sinto em relação à Catherine e algo mais. É até hoje minha personagem preferida de Sheldon. Mas curto mais a Catherine de O Outro lado da Meia Noite, pois a da continuação achei mais superficial. Em meu blog fiz uma lista sobre mulheres que drama volta por cima e incluí Noelle. Mas lendo sua resenha acho que eu deveria ter escolhido, pois seus infortúnios foram muito maiores que o de Noelle, que apenas foi abandonada pelo amante, enquanto Catherine viveu uma verdadeira saga. Parabéns pelo blog, estou seguindo. Se quiser me fazer uma visita seja bem vindo.
    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/2014/09/sete-mulheres-que-deram-volta-por-cima.html

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    1. Olá Ronaldo! Fico feliz que tenha gostado da resenha de "Lembranças da Meia Noite". Catherine é uma personagem fantástica! Me apaixonei por ela.
      Quanto ao seu blog, vc o iniciou em abril, estou certo? Pois é, apesar do pouco tempo, o conteúdo de sua página tem muita qualidade. Resenhas bem interessantes.
      Abcs!

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  3. Ahhh amigo não gostei de lembranças da meia noite não.
    Noelle page sempre será minha favorita é nunca vou perdoar Sidney Sheldon por mata lá .
    Larry Douglas sim deveria morrer,e Catherine é chata demais.
    Lembranças da meia noite é um livro pra se esquecer nem uma continuação pode ser chamado.

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