terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tróia – O romance de uma guerra

Longe de mim criticar uma obra-prima como Ilíada, de Homero. Agir dessa maneira, seria pura insanidade de minha parte, mas que o poema do autor grego esconde uma enorme quantidade de fatos sobre a antológica Guerra de Tróia não é nenhum segredo para aqueles que conhecem essa obra épica  profundamente.
Li “Ilíada” e “Odisséia” do poeta grego e amei os dois livros, mas não posso dizer que ambos sejam obras completas e relevantes sobre esse evento – que alguns historiadores acreditam ter, de fato, acontecido; enquanto outros juram não ter passado de uma lenda – já que omitem uma quantidade enorme de passagens que aconteceram antes e durante o combate que teria durado 10 anos.
Quem leu “Ilíada” deve saber que o poema de Homero cobre apenas alguns dias do último ano da Guerra de Tróia, omitindo detalhes importantes ocorridos anteriormente, como por exemplo a execução de Ifigênia, filha de Agamenon, chefe supremo da armada grega, que foi dada em sacrifício a Artêmis, com o aval do próprio pai, para que a deusa grega tivesse a sua cólera amenizada e passasse a enviar ventos favoráveis possibilitando que a frota de navios gregos navegasse para Tróia; as bodas de Peleu e Tétis, os pais de Aquiles, considerado o maior guerreiro de toda a Grécia; o plano adotado por Palamedes para desmascarar Ulisses que se fingia de louco para não participar da guerra; o abandono do arqueiro grego Filocteto, que foi deixado sozinho numa ilha deserta, pelos seus próprios companheiros, após ser picado por uma serpente; enfim, esses são apenas alguns exemplos sobre a Guerra de Tróia que não são encontrados em Ilíada.
A obra de Homero se restringe aos momentos em que Aquiles decide abandonar o campo de batalha em retaliação ao chefe supremo Agamenon que num acesso de egoísmo resolveu tomar posse de Briseida, cativa do guerreiro, filho de Tétis e Peleu; à morte de Pátrocolo; ao arrependimento de Agamenon que decide devolver Briseida à Aquiles, juntamente com muitas outras riquezas para ter o seu melhor guerreiro de volta; o retorno de Aquiles com a sua armadura invulnerável forjada por Hefesto no Olimpo e finalmente à luta entre Aquiles e Heitor, seguida do funeral do guerreiro troiano.
E como sempre fui um apaixonado por mitologia grega, principalmente sobre os eventos relacionados à Guerra de Tróia; há muito tempo, queria encontrar um livro que abordasse de maneira profunda esse momento de extrema importância para a história helênica... mas com um detalhe importante: o texto teria de ser em prosa. O motivo? Simples: eu nunca fui fã da literatura em verso. Aliás, me dá sono. Ok, desculpe a sinceridade, mas é isso aí, não consigo digerir textos em verso, sei lá... não vai, não desce. Mas aí, você me questiona: o cara afirma que detesta textos em verso, mas ao mesmo tempo afirma que leu “Ilíada” e ainda por cima amou a obra!! É muita incoerência! Tudo bem... isso é para que você entenda como sou fã incondicional desse período da mitologia grega. Tão fã, mas tão fã que cheguei ao ponto de ler um estilo literário que detesto e ainda por cima, ter amado o que li!
Então, retornando o “fio da meada”: queria um autor que explorasse a Guerra de Tróia em sua totalidade, ou seja, todos os momentos que marcaram os seus 10 anos, e... tudo em prosa, “ romanção” mesmo. Advinha onde fui encontrar tudo isso? Num autor brasileiro! Um gaúcho! Com todo o respeito aos nossos autores; mas não faz parte da cultura dos grandes nomes da literatura brasileira escrever temas relacionados à mitologia grega. Pois é, Cláudio Moreno, autor de “Tróia – O romance de uma guerra” quebrou esse paradigma; juntamente com outro, de que autores gaúchos tem afinidade apenas com temas regionalistas.
Moreno que é formado em Letras, com ênfase para o Português e em Língua e Literatura Grega pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conseguiu escrever uma obra “impar”sobre a Guerra de Tróia. O livro aborda de maneira detalhada todos os principais eventos que marcaram essa batalha que já entrou para o imaginário de todas as pessoas. A linguagem simples, mas ao mesmo tempo detalhista do autor prende os leitores da primeira a última página. As cenas de batalha entre gregos e troianos é narrada de maneira minuciosa fazendo com que o leitor se sinta no meio dos campos de batalha. Fantástico!
Após ler as mais de 300 páginas da obra em apenas dois dias, tomei conhecimento de fatos relacionados a Guerra de Tróia que desconhecia completamente. O livro de Cláudio Moreno vai muito mais além do que outras obras semelhantes traduzidas para o português. Não pense que o enredo de “Tróia – O romance de uma guerra” fique restrito apenas a passagens comuns e do conhecimento de qualquer iniciante em mitologia grega, como “O Pomo da Discórdia” ou a “Morte de Aquiles”; “A fuga de Helena e Páris” ou a “Morte de Heitor”. O livro de Moreno vai muito, mas muito mais além de desses temas básicos.
Lendo “Tróia...” você tomará conhecimento de detalhes importantes sobre o nascimento de Helena – que ficou conhecida através dos tempos como “Helena de Tróia; uma mulher que conseguiu com a sua beleza provocar a queda de um dos reinos mais poderosos do mundo antigo. O autor explora o romance que Helena teve em sua adolescência com o herói Teseu. A filha de Zeus e da mortal Leda, já provava ser uma mulher fatal desde a infância, quando em sua tenra idade conseguiu virar a cabeça de um dos heróis mais importantes da mitologia grega: Teseu, o matador do Minotauro. Moreno conta em profusão de detalhes como foi esse relacionamento tão atípico e de que maneira Cástor e Pólux, irmãos de Helena, nada satisfeitos com essa união - por Teseu ser bem mais velho do que a garota - conseguiram libertá-la do compromisso e trazê-la de volta para casa.
O amadurecimento de Páris como guerreiro também é mostrado de maneira gradativa pelo autor. No início, vemos apenas um Páris sedutor e covarde que sempre opta por fugir do combate, preferindo ficar nos braços de Helena, a sua grande conquista. Essa atitude fica evidente quando, o ex- pastor de ovelhas, filho de Príamo, se acovarda na frente de todos os guerreiros troianos no instante em que Menelau o desafia para uma luta de vida ou morte, cujo premio seria Helena. Páris ao invés de enfrentar o grande guerreiro grego prefere se esconder no meio dos seus soldados. Mas, com o desenrolar dos anos, Páris vai crescendo como guerreiro, principalmente após a lição de moral dada por seu irmão, Heitor. O ex-pastor se torna assim, um exímio arqueiro, fazendo questão de estar sempre à frente do exército de Tróia, ao lado de Heitor.
A infância e adolescência de Aquiles também é abordada com riqueza de detalhes por Cláudio Moreno. Como foi o seu treinamento, ministrado pelo centauro Quiron, que o transformou num herói grego lendário; o seu relacionamento com a mãe, a nereida Tétis, que fez de tudo para evitar que o filho seguisse para guerra; o confronto de Aquiles com Tenes, filho e sacerdote de Apolo que selaria o destino do guerreiro na Guerra de Tróia. Enfim,  as várias fases da vida de Aquiles são exploradas em detalhes no romance do autor gaúcho.
Mas o que me agradou, de fato, no livro foi a feliz opção do escritor em fazer com que os deuses do Olimpo também participassem da guerra. Zeus, Hera, Atena, Ares, Apolo, Poseidon e muitos outros decidem ajudar troianos ou gregos e assim, acabam descendo para o campo de batalha, passando a se degladiar entre eles. Esta opção do autor acabou deixando as cenas de batalha muito mais envolventes, verdadeiras montanhas –russas.
No final de “Tróia – o romance de uma guerra”, Moreno brinda os seus leitores com um glossário onde estão incluídos os nomes de todos os personagens que fazem parte de seu romance. E diga-se, de passagem, não só o nome, mas também um breve e interessante currículo.
“Tróia – O romance de uma guerra”consegue dar aos leitores a verdadeira dimensão do que foi a famosa guerra entre gregos e troianos pelo amor de uma mulher.
Vale à pena conferir. As pessoas interessadas, com certeza irão encontrar esse livro facilmente. Compre já e inicie uma verdadeira aventura no mundo mágico de Aquiles, Heitor, Agamenon, Ulisses, Páris, Menelau e tantos outros heróis que participaram de uma guerra que ficou na história da mitologia grega: a “Guerra de Tróia”...

2 comentários:

  1. Adorei seus textos. Uma pena que eu não ter mais tanto tempo para me dedicar aos livros como antes, mas como você mesmo disse, as madrugadas servem para isso. Se quiser, siga-me:
    http://vocenaoacredita.blogspot.com/

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  2. Mas é esta a intenção mesmo dos textos. Não dá para reproduzir tudo. E outros estudos sobre a mitologia grega é que vão explicando, de fato, outros eventos.Estou terminando este livro. É realmente muito bom.

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