domingo, 30 de outubro de 2011

O Fã Clube

Fez, pisou e sentou em cima. Com certeza essa é a definição que caberia melhor para a “brilhante” idéia do escritor Irwing Wallace em escrever um romance como o “O Fã Clube”, publicado em 1974.
Não faz o meu gênero ficar “descendo o pau” em obras literárias, afinal de contas, escrever um livro não é fácil, demanda pesquisas e mais pesquisas, viagens para outros países ou regiões distantes, manter contato com culturas diferentes, sem contar as horas de sono perdidas. No final, o livro é tratado como um filho para o escritor. Por tudo isso, prefiro elogiar ao invés de criticar. Já deu pra você perceber aqui no blog, né? Na maioria dos meus posts, procuro comentar obras que li e gostei. Entendo que é duro uma pessoa gastar grande parte de sua vida num trabalho e depois ver a sua obra ser massacrada. Mas no caso do livro de Irwing Wallace não tem como fugir ou pelo menos mascarar a crítica. “O Fã Clube” é repugnante. Uma obra verdadeiramente asquerosa. Imagine uma mulher famosa sendo seqüestrada por quatro homens que a mantém como sua escrava sexual. A pobre vítima fica presa num quarto, onde passa a ser estuprada com freqüência. Pronto! Esta é a essência do romance escrito por Wallace.
Vou ser mais detalhista: o livro conta a história fictícia de uma famosa atriz de Hollywood chamada Sharon Fields, conhecida como a “Deusa do Sexo” por causa de sua grande sensualidade. Quando aparece em seus filmes, a loira estonteante e de corpo escultural é capaz de levar os seus fãs à loucura. Ela é a estrela de cinema mais comentada do momento e alvo da imprensa em todo o mundo.
Ao vê-la na TV, quatro amigos resolvem tornar realidade o mais impossível e arriscado dos sonhos: ter a “Deusa do Sexo” inteira só para eles e mais ninguém. Então, os quatro aventureiros elaboram um plano para seqüestrar a atriz nas proximidades de sua mansão. A ação acaba dando certo mais pela segurança falha de Sharon Fields do que pelos méritos dos seqüestradores. A partir daí começa o drama da pobre moça. Em resumo, esse é o enredo do livro de Wallace.
O autor mescla os momentos de sodomização praticados pelos algozes da atriz com os trabalhos de investigação da polícia que tenta encontrar as pistas do esconderijo para onde a vítima foi levada. Os investigadores só ficam sabendo quem é o líder dos seqüestradores perto do final do romance. Posso garantir que nas 527 páginas de “O Fã Clube”, Wallace se preocupou quase exclusivamente em mostrar os momentos de perversão sexual praticados contra Sharon. E quando digo perversões, ainda estou sendo bem ameno, porque os quatro torturadores da atriz revelam o lado mais sórdido de suas personalidades, obrigando-a a fazer coisas doentias.
No início, Sharon chora, tenta se matar, se humilha, esperneia, etc; mas quando vê que nada disso resolve e após sofrer as mais terríveis humilhações por parte dos seus quatro verdugos, ela decide entrar no jogo, ou seja, se transformar em sua famosa personagem do cinema. Assim, ela usa a sua sensualidade para instigar os quatro homens, jogando uns contra os outros. O leitor percebe que Sharon Fields faz de tudo para controlar  o asco de manter relações sexuais e fingir que sente prazer com homens que a torturam sem piedade, tratando-a como um verdadeiro animal. Mas para ela, a liberdade vale qualquer preço... até esse que resolve pagar.
O interessante nisso tudo, é que Sharon Fields não tem nada do personagem que representa nos cinemas. Na realidade é uma mulher, até certo ponto, recatada e com relacionamentos estáveis. Ela só se transforma quando veste a pele de sua personagem atrás das câmaras.
Acredito que se não fosse o exagero na descrição das cenas de sodomia, fazendo jus aquele ditado: em termos de sexo vale tudo, o livro “O Fã Clube” até que poderia ser classificado como uma obra razoável. O filme de Chris Columbs, “Uma Noite com o Rei do Rock” (1988) – guardada as devidas diferenças – é uma prova cabal disso. Neste filme, um garoto resolve ajudar sua mãe a realizar seu grande sonho: conhecer Elvis Presley. Então, ele pega o cadillac cor-de-rosa dela, arquiteta um plano com os seus amigos,  e rapta o rei do rock, para que sua mãe o veja de perto. No início, Elvis fica P. da vida, demonstrando toda a sua arrogância, mas depois vai se transformando porque descobre que esse lado mais simples da vida, longe de pessoas influentes e do estresse dos palcos, é na realidade o que sempre quis viver. O filme foi um grande sucesso em sua década. Perceberam como o enredo de Columbus tem alguma coisa parecida com o de Wallace.
Mas infelizmente, o escritor de “O Fã Clube” transformou a sua obra numa leitura pesada e repugnante.
Li esse livro há muitos anos atrás, influenciado por outra obra de Wallace: “Os Sete Minutos”, esta sim, um verdadeiro clássico da literatura mundial; um dos melhores livros que li em toda a minha vida e que brevemente estarei comentando por aqui. Mas , ao contrário de “Os Sete Minutos”, Wallace errou a mão – e feio – em “O Fã Clube”.

18 comentários:

  1. Olá, José Antonio,

    Estava pesquisando no Google para encontrar a capa do livro O FÃ CLUBE, pois o que tenho, apesar de cuidados que temos com livros, está um tanto "machucado", e pensei em baixar a capa para refazer o livro, guardá-lo e, veja bem, voltar a lê-lo daqui, sei lá, alguns anos, como das vezes anteriores. Já o li por 2 vezes.
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    Então,meu amigo, desculpe, mas a minha opinião é totalmente contrária à sua. O livro é uma obra de arte. É violento? É. São repugnante as ações dos "pilantras"? São! São aviltantes os momentos que eles fazem a moça passar, mas é uma história muito verídica do ponto de vista literário.
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    O Irwing, em 1974, 38 anos atrás, quando a vida era vista e movida por outras regras, mostrou cenas e situações, que nos dias de hoje são muito comuns. Lamentável, mas verdade. E, na minha opinião, o sequestro, apesar de ser o ponto inicial da trama, não é o que o autor queira mostrar. Ele mostra que o verdadeiro "crime" foram os abusos sexuais, inclusive com todas aquelas situações provocadas entre a vítima e o sequestrador, muito comentadas entre psiquiatras, onde a vítima passa a ter "afinidades" e "simpatia" pelo seus algozes. Ele foi muito feliz nesse relato. O que realmente conta, foi como em todos os livros dele, é o final surpreendente. Gostei. Sugiro ler mais uma vez. Quem sabe mude a sua opinião.
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    Durante a minha juventude li muito Irwing Wallace. Ele, junto com Harold Robbins e Sidney Sheldon, foram guias da minha iniciação como escritor, apesar de eu ter seguido a linha da ficção.
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    Para completar, OS SETE MINUTOS é algo para ficar gravado dentro de quem o lê, como exemplo e respeito pelo próximo, que nunca pode morrer. Um dos melhores livros que já li.
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    Mas você falou de uma coisa importante: "OS FILHOS DOS ESCRITORES". Realmente, quando a gente se dedica a um trabalho, como o de escrever um livro por tanto tempo, passa a ver as suas personagens como uma extensão da sua vida, mesmo que eles nada tenham conosco. Ainda assim, filhos que nunca esqueceremos. Tenho 7 livros escritos e vários "filhos". São, como você mesmo disse, trabalho de um, dois ou mais anos até ter a obra finalizada.
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    Faça uma visita ao meu site. Se gostar de algum, entre em contato. Terei o maior prazer em submeter meu trabalho à sua apreciação.

    Um abraço,

    Valdir R. Silva
    www.angaar.com.br

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    1. Obrigado, José Antonio,

      Vou passar a visitá-lo mais vezes. Seu trabalho é bem feito.
      Quanto ao AnGaar, estamos de portas abertas.

      Muita sorte,

      Valdir R. Silva

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    2. Vlw Valdir!
      Boa sorte em seu trabalho como escritor. Já favoritei a sua página.
      Abcs!

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    3. Fala sério. .. Dizer que Fã Clube é repugnante chega a ser doentio. A história do livro é top.

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    4. li quando adolescente queria tanto reler achei massa

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  2. Valdir, discordo com relação ao "Fã Clube", mas respeito a sua opinião e as suas colocações. Afinal de contas,o que seria da democracia, se todos tivéssemos a mesma opinião. Qto a "Os Sete Minutos", tem toda a razão, pois trata-se de uma obra-prima para ficar gravada através dos tempos.
    Visitei o seu site e tive acesso as suas obras. Muito interessantes. Adorei "Omael - O Anjo da Guarda"... Parabéns pelo conto, muito bom mesmo!
    Quero desejar muita luz em sua jornada de escritor. Que Deus lhe ilumine!
    Abcs!!

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  3. Olá, José Antônio!


    Você traduziu exatamente o que senti quando li este livro na década de 90.
    Repugnante, asqueroso. Senti náuseas em alguns momentos.
    Não gostei do livro e não indico.
    Abraços,
    Luciana

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    1. Vocês vivem em que mundo? Respeitar a opinião alheia é uma coisa, mas vocês distorcem totalmente o livro. O sentido dele.
      Parece até que estpuros, latrocínios e etc e etc são de outro mundo.

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  4. Pois é, temos opiniões semelhantes (rss).. Mas nem todos compactuam essa idéia e consideram esse livro de Irvin Wallace um dos melhores de sua carreira de escritor. Bem, eu já prefiro, "Os Sete Minutos". Esse, sim, uma obra de arte..
    Abcs!!

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  5. Olá Antônio, venho discordar em partes de suas colocações. Acho que a arte e a literatura te permitem isso, passear por entre o lado obscuro dos homens, bem como o lado iluminado. Wallace fez exatamente isto, trouxe uma faceta obscura neste romance.

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  6. Um dos melhores livros que já li, justamente por causas dos sentimentos controversos que causa. Uma mistura de ódio e resignação, justiça e desonra... Muito bom, faz jus ao nome e estilo de Wallace.

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  7. Também não gostei muito do livro, realmente ele é muitoooo pesado, não recomendaria. Apesar de achar que todo autor deve ser realista em suas obras, achei que foi muito exagero mesmo. Mas é aquela coisa, não quer sofrer, simplesmente não leia. Concordo com sua opinião.

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    1. Pois é Letícia, "O Fã Clube" , por ser muito polêmico, é um livro do tipo "me ame ou me deixe". Eu preferi deixá-lo. Sinceramente não gosteio nada. E pelo jeito, você também não (rs).
      Obrigado pela visita e volte sempre!
      Abcs!

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    2. Se você não gostou de lê-lo e resolveu deixá -lo , então por que criar este post? Meio que esquisito sua postagem.

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    3. Olá Eagle, acho que você não entendeu ou talvez, eu tenha me expressado mal. Quando escrevi no comentário que "preferi deixá-lo" não quis dizer que abandonei a leitura. Se vc acompanha o blog, sabe que dificlmente abandono um livro, mesmo a obra não me agradando, pois tenho o compromisso de resenhá-la. Já imaginou se eu criasse um blog dedicado somente aos livros que gostei de ler? Seria bem esquisito e principalmente piegas. "Preferi deixá-lo" é uma menção ao ditado popular que usei no post: "Me Ame ou Me Deixe". Quanto a sua opinião, é claro, que respeito. Como disse no comentário acima, muito leitores amaram "O Fã Clube", mas outros detestaram. O importante, creio eu, é saber respeitar ambas opiniões.
      Abcs e volte sempre!

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    4. Sim, eu entendo o respeito à opinião alheia. Mas são os argumentos, entende? Eu li também "Os seres minutos " gostei muito também. Só não entendo o sentido da crítica, principalmente quando dizem que o livro é pesado, sendo que enredo gira em torno de uma paixão doentia e um sequestro. À propósito, já leu algum livro de Martin CruZ Smith?

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    5. Pois é Eagle, não é à tôa que essas obras - "O Fã Clube", "Os Sete Minutos", "Madame Bovary", "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (de Saramago), "Os 120 Dias de Sodoma", etc e mais etc - ganharam o status de polêmicas não compactuando com a unanimidade. Algumas delas, mesmo sendo odiadas por muitos, se tornaram verdadeiros divisores de água na literatura, ganhando o status de antológicas. É a vida (rss). Quanto a Smith li, já faz um bom tempo,"Parque Gorki", acho que depois se tornou um filme. Não tenho certeza.
      Abcs!

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  8. Concordo c nd q esse kra criticou.É uma ficçao,eo kra parece mais preocupado em militar feminismo,do q propriamenre avialiar o livro.A historua do livro é d um bando d doentes q sequestram uma bela atriz p ser escrava sexual deles.Q tao horripilante em ler uma obra d ficçao.Kra parece q tava lendo um documentario

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