sábado, 1 de outubro de 2011

A besta

Li o livro de Peter Benchley, se não me engano, em dezembro de 2009; e um dos motivos que me incentivou a leitura foi o nostalgismo de uma minissérie de TV – nem me lembro do canal – exibida no início da década de 90. A minissérie também se chamava “A Besta”, o mesmo título do livro.
Anos depois, ao dar uma “fuçada” nos sebos virtuais – uma de minhas manias pelas madrugadas, quando não estou escrevendo – vi um livro do mesmo autor de “Tubarão” com a foto de um tentáculo enorme, cheio de ventosas saindo do mar. O título, em letras ‘garrafais’, estava lá, todo em vermelho: “A Besta”. Foi então que tive um insight, do tipo, “já vi isso em algum lugar antes”. A mente clareou e acabei me lembrando da minissérie que passava todas as noites na TV, por volta das 22 horas. Uma minissérie, aliás, que deve ter passado despercebida pela maioria das pessoas, já que nem pela internet consegui obter informações satisfatórias sobre ela. Mas no meu caso, aquele seriado marcou, ficou na minha mente.
Após algumas pesquisas virtuais descobri, com muito custo, que a minissérie tinha sido baseada numa obra de Peter Benchley, lançada 17 anos depois do bestseller “Tubarão”. Não tive dúvidas e assim, confirmei a compra do livro para recordar aquela minissérie que na minha fase “trintona” (tinha acabado de me tornar balzaqueano) conseguia fazer com que ficasse acordado até tarde da noite para assisti-la.
E à exemplo do mini-seriado de TV, gostei muito do livro. Posso dizer, com certeza, que se você curtiu página por página de “Tubarão”, também irá se prender na narrativa de “A Besta”. Os princípios básicos são os mesmos: Uma fera feroz que surge dos abismos do oceano levando medo e pânico para os moradores de alguma cidade costeira, outrora tranqüila. E como não poderia faltar: o grupo de homens destemidos que saem na captura da fera – geralmente um pescador experiente, um pesquisador especialista em ‘monstros marinhos’, além de um membro da comunidade, de preferência um xerife, prefeito ou empresário corrupto. Todos esses clichês temperados com um final emocionante, onde geralmente um integrante do grupo de caçadores consegue derrotar o bicho, não sem antes sofrer os diabos para isso. Resumindo: tudo o que você encontrou em “Tubarão”, também irá encontrar em “A Besta”.
A diferença entre as duas obras é que em “Tubarão”, Benchley desenvolveu os personagens mais profundamente e deixou o chamado “pega pra capar” da ação para o final do livro, onde o xerife Brody, o pescador Quint e o oceanógrafo Matt Hopper suam a camisa para matar o peixe assassino, que por sua vez, ainda consegue tirar a vida de um dos três heróis. Antes do clímax das páginas finais, o enredo da trama dá ênfase para os relacionamentos conflituosos dos seus personagens, entre eles o triangulo amoroso formado por Brody, sua mulher Ellen e o oceanógrafo garanhão Hopper. Já em “A Besta”, Peter Benchley, optou por desenvolver de maneira superficial os personagens principais e explorar ao máximo a ação e o suspense no mar.
A besta que empresta o nome ao título do livro é uma Architeuthis dux, ou seja, uma lula gigante que devido ao desequilíbrio ecológico provocado pelo homem, começa a atacar e matar banhistas de uma cidade praiana localizada nas costas das Bermudas. Após uma sucessão de ataques fatais, Whip Darling, um pescador especialista em vida marítima, que quer apenas levar uma vida normal ao lado de sua esposa e filha, acaba sendo forçado a caçar o mostro marinho. O pai de uma das vítimas, um poderoso banqueiro, promete 200 mil dólares se Darling aceitar a empreitada de sair em alto mar num barco ultra-equipado juntamente com ele e um professor de oceanografia. Somente os três, num embate de vida ou morte contra a lula gigante. Como Whip Darling recusa a oferta, o banqueiro acaba por ameaçá-lo com um argumento infalível e que não deixa outra opção ao experiente pescador, senão acompanhá-los. E é nesta parte da obra que o negócio pega. No meu caso, não consegui largar o livro de maneira alguma e quando percebi, já eram quase 5 horas da manhã! Mas valeu à pena as horas de sono perdidas. Ação e suspense mesclam a caçada do trio a Architeuthis dux, acredito que bem mais do que em “Tubarão”.
O combate final entre Darling e a lula é eletrizante. O pescador enfrenta a besta, em seu barco, armado com uma serra elétrica, deixando o leitor com a adrenalina nas últimas. Quem conhece o estilo de Benchley sabe que ele era detalhista aos extremos em seus livros. Em “A Besta” não é diferente. O duelo final, homem versus monstro é por demais minucioso; tão minucioso que em algumas cenas, o leitor chega a ficar com o estômago embrulhado. Confira a compilação da narrativa de alguns trechos desse embate: “Darling não pensou, não hesitou, não calculou. Agarrou a serra e puxou o cabo de partida...” “...um dos braços da besta passou na frente de seu rosto e Darling enfiou a serra nele. Os dentes de aço entraram na carne e Darling recebeu um banho de amoníaco...”... uma chuva de pedaços de carne explodiu em sua volta e ele estava ensopado de gosma verde e tinta negra”. Acho que chega né? E olha que não revelei nem um milésimo desse combate. Deixei o mais emocionante para aqueles que pretendem ler o livro, principalmente o trecho em que a criatura se aproxima de Whip Darling para engoli-lo com o seu bico.
Mas o livro de Peter Benchley tem outras passagens tão tensas e emocionantes como esta que acabei de descrever, como por exemplo, o ataque da lula gigante à uma cápsula, do tipo Voyager, de uma revista especializada na cobertura de matérias marinhas. O mini-submarino é totalmente destroçado pelo monstro, e para variar, Benchley faz questão de narrar em detalhes o ataque. Cara! Me deu uma agonia ler esse capítulo, pois o autor explora de maneira detalhista, como se fosse um “voyeur”, o terror enfrentado pelos tripulantes da sonda aquática em seus últimos momentos. “Só podiam ver uma parte da enorme lula, pois era maior do que a portinhola, muito maior. Um bico curvo afiado como uma foice cor-de-âmbar, com a ponta fina e aguçada fazendo pressão no vidro da Voyager”. Deu prá imaginar o terror dos tripulantes da cápsula? O pior veio depois... só lendo para sentir.
Há ainda o ataque monstro à uma baleia assassina, a qual parte em pedaços com a maior facilidade; a destruição de um barco de pesquisa; além de muitas outras cenas de ação distribuídas ao longo do livro. Foi por isso que escrevi no início deste post, que “A Besta” é uma obra com muito mais ação e cenas de suspense do que “Tubarão”, que como já citei, optou por aprofundar melhor os seus personagens.
A besta de Peter Bentchley também é bem mais assustadora do que o seu turbarão. Vejam bem: O que falar de um monstro marinho com um corpo imenso, arredondado e bulboso que termina numa cauda em forma de ponta de flecha, com oito braços sinuosos, dois tentáculos duas vezes mais longos do que o corpo, um bico curvo cor-de-âmbar capaz de fazer estragos imensuráveis e dois olhos gigantescos. Quer mais? Então vamos lá: os seus tentáculos são cobertos por ventosas que não param de mexer como bocas famintas e no meio de cada uma delas há uma lâmina brilhante curva mais afiada do que uma navalha.
Agora, me responda uma coisa; será que os aficionados por livros de aventura e suspense terão como resistir à uma história com todos esses ingredientes?
Então, só resta dizer: torçam para encontrar a edição da Rocco, de 1992, em algum sebo... e boa leitura!

Um comentário:

  1. Oi, José Antônio!!
    Apesar da sua resenha super entusiasmada, esse não é o meu tipo de livro... Acho que tenho um pouco de trauma dos filmes que sempre tinham uma criatura terrível que tinha que ser derrotada no final, mas antes matava meio mundo...
    Mas o que eu mais gosto no seu blog é que você trás resenhas de livros mais antigos, é bom conhecer outros livros além dos últimos lançamentos!!!

    ^^

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