sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Inferno na torre

Capa do livro de Richard Martin Stern

Em uma das minhas muitas madrugadas vasculhando livrarias e principalmente sebos on line “dei de cara” com  um livro que me fez voltar há décadas e mais décadas no tempo. Ao ver na capa um edifício arranha céu em chamas cercado de helicópteros e com várias pessoas no topo tentando escapar do fogo e da morte eminente, lembrei de um filme que assisti quando tinha 15 anos. Se não me engano, a produção é de 1974, na época em que os filmes apelidados de disaster-movies estavam fazendo história. Lembro-me de alguns: “O Destino do Poseidon”, “Terremoto”, “O Enxame” e é claro “Inferno na Torre” .
A capa do livro em questão é exatamente de “Inferno na Torre”. Não fiquei em dúvida um minuto sequer; comprei logo o livro por um preço módico. E para ser sincero, não me arrependi. O enredo é muito bom e consegue prender o leitor, à exemplo do filme com Paul Newman e Steve McQueen. Em resumo é a história do drama de um grupo de pessoas influentes convidado a participar da inauguração da Torre, considerado o edifício mais alto do mundo com 125 andares. Após um defeito num dos sistemas de segurança, o prédio acaba sofrendo um incêndio que vai se alastrando, deixando completamente isolados no último andar: prefeitos, governador, senadores, empresários, milionários e outros convidados ilustres. Enquanto isso, um corajoso bombeiro e o arquiteto que projetou a Torre se unem – apesar das divergências – para tentar salvar as pessoas que estão presas no topo do edifício cercadas pelas chamas.
Aqui vale uma curiosidade para aqueles que assistiram o filme de 1974. A superprodução cinematográfica dirigida por Irwin Allen foi baseada em dois livros: “The Glass Inferno”, de Thomas N. Scortia e “Torre de Vidro”, de Richard Martin Stern, que nas edições posteriores teve o seu nome trocado para “Inferno na Torre”, pegando uma “rabeira” no mega-sucesso do filme nos cinemas.
O livro de Martin Stern que emprestou parte de sua história para a criação do filme, por sua vez, é muito diferente do próprio filme. Enquanto Irwin Allen apostou nas cenas de ação onde não faltam explosões, quedas, tomadas de cenas frenéticas e muita pirotecnia; Martin Stern procurou mesclar adrenalina com drama. Estou tentando explicar que o livro “A Torre de Vidro” ou “Inferno na Torre” não se resume a ação, cedendo um espaço considerável para os conflitos pessoais, familiares e profissionais dos seus personagens principais.
O conflito central envolve o casal Nat e Zib. Ao projetar a Torre, Nat, um jovem e respeitado arquiteto exigiu que o engenheiro responsável pela obra utilizasse equipamentos de segurança – principalmente elétricos – de última geração para evitar acidentes graves como um incêndio. Nat ama Zib com quem é casado há vários anos, mas a sua dedicação ao trabalho acaba provocando um distanciamento entre os dois. O autor vai contando o drama do casal que vai aumentando a cada dia: Nat só pensando no trabalho e Zib fica fantasiando relações com outros homens. E justamente quando explode o incêndio na Torre, Nat se ausenta ainda mais de casa, fazendo com que a sua mulher tenha um caso extra-conjugal com um outro sujeito. Quem? Leia o livro e garanto que você irá se surpreender com o “Ricardão”, já que ele era amigo do arquiteto, antes do incêndio, e tem uma papel fundamental na tragédia da Torre.
Cena do filme "Inferno na Torre"
Martin Stern nos mostra ainda como pessoas importantes, verdadeiros líderes mundiais acostumados a tomar decisões difíceis capazes de modificar a vida de milhares de pessoas, se comportam numa situação de extremo perigo, quando a sua própria vida está risco. Neste contexto conhecemos o governador Bent Armitage que assume o controle da situação quando o incêndio começa a se alastrar, atingindo o último andar. Ele prova ser capaz de dar a própria vida para salvar um cidadão comum, provocando a ira de seus assessores e guarda-costas. O senador Jake Peters, adversário político de Armitage, também é outro personagem que me cativou. O velhinho é fogo! Não tem papas na língua, o que tem para dizer, diz “na lata”, mas por outro lado, tem a mesma personalidade altruística de Armitage. Peters se transforma no braço direito do governador no controle daquele momento dramático quando a morte passa a rondar o 125º andar.
O comandante dos bombeiros também tem uma relação conflituosa com Nat e vive dizendo à ele coisas do tipo: “nossa função é apagar o fogo dos arranha-céus que vocês constroem”. Mas no final, ambos se tornam aliados na esperança de encontrar meios de controlar as chamas.
Na trama de Martin Sterm há também os maus caráter; alguns tão bem construídos pelo autor que são capazes de despertar raiva e ódio nos leitores. Milionários que tentam enganar as pessoas na esperança de se salvarem; políticos que se julgam no direito de serem os primeiros a saírem do prédio em chamas por se sentirem mais importantes do que os pobres mortais, e assim por diante.
Mas de todos os personagens destituídos de valor, com certeza, o pior deles é o engenheiro Paul Simmom, responsável direto pelo incêndio da Torre já que não seguiu as especificações técnicas do projeto de Nat. Ele optou por comprar materiais elétricos de quinta categoria pagando um preço bem menos por eles. Depois, Simmons, simplesmente, embolsou o dinheiro que sobrou com a economia de materiais. A irresponsabilidade do engenheiro acabou causando o incêndio da Torre.
Martin Stern capricha nas relações dramáticas de seus personagens, mas por outro lado, não esquece da ação que também norteia a história. O trabalho incessante de bombeiros, engenheiros e construtores que juntamente com Nat tentam encontrar meios de salvar as pessoas presas no último andar do arranha-céu em chamas prende o leitor como uma teia de aranha. Quando o grupo descobriu um meio de retirar, pelo menos algumas  as pessoas do edifico, juro que agarrei as páginas do livro e não parei a leitura até a conclusão do contexto.
Enfim, “Inferno na Torre” ou “A Torre de Vidro” é um livro que vale a pena ser lido, e como vale. Depois, de “lambuja”, você ainda pode assistir ao filme de Irwin Allen que também é magnífico.
Boa leitura... e bom filme!
                 

3 comentários:

  1. Eu peguei este livro emprestado do meu amigo, apesar de estar no começo do livro ja é esclareçedor que o incendio foi causado por uma causa eletrica se não estou errada bom , eu aconselho a ler pois é um otimo livro obrigado pelas conclusoe eu so queria saber se existe um filme pois eu ja assisti um filme chamado A torre de Richard Martin Setern, e acho que n é o mesmo

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    1. Corrigindo-me baseado num livro de Richard Martin Stern.

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    2. Olá Emily, tdo na Paz?
      Há um filme sobre o livro de Stern sim. Chama-se "Inferno na Torre" e passou nos cinemas em 1974. O diretor Irwin Allen foi o mesmo de "O Destino do Poseidon". Graças à grandes interpretações de Steve McQueen, Richard Chamberlein,Paul Newman,Willian Holden, Fred Astaire e Faye Dunaway; além dos efeitos pirotécnicos inovadores para aquela época, Inferno na Torre atingiu o topo na história do cinema-catástrofe. Um verdadeiro marco na década de 70. Vale a pena conferir.

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