domingo, 29 de maio de 2011

Esfera

Imagine um grupo de cientistas isolado num laboratório submarino à mais de mil pés de profundidade com a missão de estudar uma nave misteriosa – supostamente alienígena – capaz de transformar os seus piores medos em realidade. Como bônus, imagine esse grupo de pesquisadores sendo atacados por uma lula gigante, parecida com aquela que Júlio Verne criou em seu romance “20 mil Léguas Submarinas. Ah! Depois do ataque da lula assassina, eles enfrentam ainda uma serpente marinha e algumas medusas que colam no corpo dos mais ousados que resolvem dar uma saidinha do laboratório para explorar o mar. E então? Ficaram com vontade de assistir esse filme? Aqui vai uma recomendação: fujam dele; é péssimo dos péssimos! Troquem, sem pensar, a produção cinematográfica dirigida por Barry Levinson pelo livro de Michael Crichton.
O filme baseado na obra do escritor não tem nada do thriller psicológico com um tempero de terror encontrado no livro, que de fato, vale a pena ser lido.
Esfera foi escrito por Crichton em 1987 e um ano depois seria adaptado para o cinema. O livro é dividido em quatro capítulos: “A Superfície”, “O Fundo”, “O Monstro” e “O Poder”. No primeiro deles, o leitor toma contato com o problema que deverá ser solucionado por um grupo de renomados cientistas: uma nave espacial de dimensões descomunais que se encontra intacta no fundo do mar no Pacífico Sul, há mais de 300 anos. O exército americano acredita que se trata de uma espaçonave alienígena que apresentou problemas e por isso caiu no mar.
Ainda neste primeiro capítulo, é apresentada ao leitor a equipe de cientistas que tentará solucionar o enigma. O time de peso é formado por Norman Johnson (psicólogo), Beth Halpern (Zoóloga e Bioquímica), Ted Fielding (Astrofísico) e Harry Admas (Matemático) e Arthur Levine (Biólogo Marinho). Cada um deles com personalidades distintas. Temos o arrogante, o inseguro, o apaziguador, o retraído, enfim uma verdadeira miscelânea de individualidades. Imagine agora, uma equipe dessas fechada por vários dias num laboratório submarino, com os seus integrantes sendo obrigados a conviverem juntos e mais do que isso, pressionados a solucionar um enigma. Michael Crichton explora de uma maneira profunda os conflitos vividos pelos cientistas, algo que não acontece no filme. Mas apesar da diferença de personalidades, a equipe consegue trabalhar bem entrosada, esquecendo – pelo menos temporariamente o egocentrismo – pensando apenas em desvendar os segredos da espaçonave e da esfera misteriosa que ela carrega em seu interior. Esta esfera, inclusive, tem o poder de transformar em realidade os piores medos que vivem escondidos no subconsciente de cada um dos integrante do grupo de pesquisadores.
Mas o “bicho realmente pega pra capar” no penúltimo capítulo: “O Monstro”, quando algum cientista com um pavor incontrolável de lula deixa os seus pensamentos serem dominado pela esfera que os transformam em realidade. E pronto! Ta feito o estrago. Um monstro gigantesco, parecido com o do livro “20 mil Léguas Submarinas” resolve dar as caras, atacando o laboratório e matando uma oficial que se estava acompanhando a equipe de cientistas. A sua morte é descrita em detalhes por Crichton, causando arrepios no leitor.
No filme de Barry Levinson, a Lula não aparece; a sua forma só é captada através do sonar do laboratório, perdendo um pouco do clima de terror e tensão. Já no livro, Crichton a descreve em detalhes, transferindo o medo sentido pela equipe que se encontra no fundo do mar para os leitores.
Já no último capítulo: “O Poder”, como o próprio nome já diz, os sobreviventes da equipe descobrem que ganharam um grande poder após manterem contato com a esfera da nave que esta no fundo do mar. Depois do resgate, após refletirem, enquanto se encontram na câmara de descompressão do barco da marinha americana, eles decidem usar esse poder de uma maneira inteligente. Acredito que Crichton quis com isso, passar uma lição de vida, do tipo: “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Êpa! Acho que ouvi isso em algum filme do Homem Aranha.
Já vou adiantando que alguns membros da equipe de cientistas, morrem e que a espaçonave – que descansa há 300 anos no fundo do mar - não tem nada de alienígena, na realidade o seu segredo é bem diferente e com certeza deixará os leitores perplexos, pelo menos eu fiquei.
Portanto, você que acabou de ler esse post, esqueça o filme e dedique-se à leitura do livro, é muito melhor, apesar de não ser um dos melhores de Crichton.
Inté!
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