quinta-feira, 28 de abril de 2011

Histórias sombrias da mitologia grega


                    


Apesar da mitologia grega ser povoada de deuses e heróis, raramente encontramos uma obra individualizada sobre esses mesmos deuses e heróis. É muito difícil descobrirmos um livro que discorra somente sobre a vida de Aquiles ou Ajax ou Agamenon ou ainda Cadmo ou quem sabe Hércules. A maioria dos livros conhecidos procura abordar a mitologia grega num todo, optando em não dar espaço para um único protagonista. Essas obras dão preferência para os combates que se tornaram verdadeiras epopéias, como a Guerra de Tróia ou então a Odisséia, envolvendo centenas de deuses, heróis e semi-deuses. Aliás, até mesmo Odisséia que é inteiramente dedicada a Ulisses omite alguns fatos de sua infância ou então de como ele veio se tornar um rei poderoso; tudo para poder explorar melhorar as suas agruras após a batalha de Tróia, em seu regresso à Ítaca, sua terra natal. Por sua vez, a Guerra de Tróia, que aparece em todos os livros e enciclopédias direcionados a mitologia grega, narra as aventuras de vários heróis mas deixa de lado detalhes importantes sobre as suas vidas.
Quem já leu “O Livro de Ouro da Mitologia”, obra que considero referência no assunto, sabe do que estou “falando”, ou melhor, sobre o que escrevendo (rs). No livro, informações sobre Aquiles são pouquíssimas; com relação a Médéia, também; além de capítulos curtos dedicados à três ou mais deuses ou heróis, como é o caso do capítulo 20 que inclui as histórias de Teseu, Dédalo, Castor e Pólux. Então você me pergunta: “O livro é ruim?” De maneira nenhuma! Pelo contrário, é excelente! Ele nos dá uma noção geral sobre mitologia grega, apenas não trata os personagens de maneira individualizada, e quando o faz, omite várias características.
Então, após ler o “Livro de Ouro da Mitologia”, me interessei pela vida de alguns heróis, entre eles, Aquiles. Fiquei com uma vontade enorme de saber se ele lutou outras batalhas antes da famosa Guerra de Tróia, e também como foi a sua infância, o seu treinamento até se tornar um dos mais importantes heróis de toda a mitologia grega. Na época não encontrei nenhum livro que preenchesse a minha curiosidade, mas na semana passada tive uma grata surpresa. Estava “vasculhando na net quando dei de cara com uma coleção intitulada: “Histórias Sombrias da Mitologia Grega”. E mais: um dos volumes era inteiramente dedicado ao grande guerreiro Aquiles. Cara! Que sorte a minha! Nem pensei duas vezes: arrisquei comprar o tal livro... e adorei. É muito bom e me deu informações detalhadas sobre a vida desse trágico personagem que conheci somente através da Guerra de Tróia.
Neste livro e também nos demais da coleção, a vida dos respectivos personagens são contextualizadas em forma de romance tornando a leitura muito mais fluida e agradável.
A obra escrita por Mano Gentil explica detalhadamente o episódio em que a mãe de Aquiles o mergulha, ainda recém nascido, no fogo para torná-lo invulnerável, mas como ela o segurou pelo calcanhar, aquele ponto do corpo do menino deixou de ser banhado tornando-se vulnerável.
Após um minucioso trabalho de pesquisa, o autor conseguiu explorar um assunto que nunca vi ser tratado em outros livros sobre mitologia: os primeiros amores de Aquiles e como eles influenciaram a sua vida. O leitor vai descobrir também que o herói lutou outras batalhas, além de Tróia, tornando-se um guerreiro temido e respeitado.
À exemplo dos outros volumes da série, o livro “Os Combates de Aquiles” traz um glossário explicando vários termos encontrados na história, além de informações importantes sobre a origem do herói.
Li, quer dizer, destrinchei as 120 páginas sobre o mito Aquiles em apenas um dia. Como estava fazendo um final de semana atípico com aquela chuvinha gostosa convidando à leitura, já aproveitei e emendei mais um volume da série, desta vez: “Orfeu Encantador”. E posso dizer que é tão especial quanto “Os Combates de Aquiles”.
Eu conhecia a história do mito Orfeu de forma superficial, mas o livro de Guy Jimenez pertencente à série “Histórias Sombrias da Mitologia Grega” me deu todos os subsídios necessários para se aprofundar na vida dramática
do herói.
No livro ficamos sabendo que Orfeu, ainda menino, foi presenteado com uma lira pelos deuses. Desse instrumento, o pequeno Orfeu passou a tirar notas melodiosas e mágicas vindo a se transformar num músico célebre em todo mundo antigo. Tão famoso que chegou a ser convidado para integrar o “time” dos principais heróis gregos que embarcaram no navio Argos em busca do velocino de ouro na Cólquida. Estes heróis ficaram conhecidos na mitologia grega como os argonautas, tendo à frente o valente Jasão.
Os argonautas viveram inúmeras aventuras e enfrentaram muitos perigos até conquistarem o velocino de ouro. Foi graças ao canto de Orfeu que eles conseguiram passar incólumes pelas perigosas sereias. Vale lembrar que o músico aprendeu a sua arte com o deus da música Apolo e seu canto era tão divino que ele conseguiu anular a hipnose das sereias com a sua música e salvou todos os argonautas do naufrágio. Em “Orfeu Encantador”, o autor Guy Gimenez narra em detalhes essa façanha do lendário músico.
Mas a maior prova de Orfeu e que o tornou um dos heróis mais famosos da mitologia grega aconteceu após o seu retorno da expedição com Jasão e os Argonautas. Ele se apaixonou por uma ninfa de beleza rara, chamada Eurídice e após um período de feliz convivência, os dois se casaram. O amor que Orfeu sentia por Eurídice era infinito, incomparável, mas no dia do noivado, porém, Eurídice foi picada por uma serpente e veio a morrer. Após entrar em desespero, Orfeu desceu aos Infernos - reino do temido deus Hades, de onde ninguém retorna - para trazer Eurídice de volta à vida.
Com sua arte, Orfeu conseguiu comover até mesmo Hades, que contrariando toda lógica, acabou permitindo que o jovem herói levasse sua amada de volta, passando pelo diabólico cão Cérbero e o barqueiro Caronte, mas com a condição de que no caminho, aconteça o que for,  ele nunca olhe para trás. Mas, o amor de Orfeu por Eurídice é tão grande que ele não consegue resistir e temendo pela segurança de sua amada, ele acaba olhando para trás para confirmar se ela o está seguindo, então... bem, o final da história, como muitos sabem, é dos mais trágicos.
À exemplo dos outros volumes da coleção, “Orfeu Encantador”  traz um mapa da Grécia antiga, uma árvore genealógica das personagens, um glossário e um apêndice sobre a origem do mito e as várias interpretações que recebeu, além de apresentar as obras de arte inspiradas por ele, inclusive algumas realizadas no Brasil.
Histórias Sombrias da Mitologia Grega é uma coleção direcionada ao público jovem, mas nada impede que os adultos já velhinhos se deliciem com a sua leitura. E o exemplo maior é esse blogueiro que já está perto do cinqüentenário.
Além de “Os Combates de Aquiles” e “Orfeu Encantador”, a série “Histórias Sombrias da Mitologia Grega” da editora Companhia das Letras trás ainda a história completa de outros dois mitos fechando, assim, a coleção de quatro livros. Estou falando de Medeia e Antígona. Confira abaixo o resumo desses dois livros segundo informações do site Companhia das Letras. Vou me eximir de comentar esses dois volumes porque ainda não os li. Seguem os resumos da editora:
 Medéia, A Feiticeira
Para recuperar o trono do reino de Iolco, o grego Jasão tem uma tarefa: conquistar uma relíquia preciosa - o tosão de ouro - na distante Cólquida. Mas Eetes, rei do lugar, só permitirá que ele leve o tosão se vencer alguns desafios. Apaixonada pelo jovem, Medeia, a filha do rei, o ajuda a cumprir sua tarefa. É então considerada traidora, e tem de abandonar a terra natal fugindo com Jasão para a Grécia.
Anos mais tarde, para ganhar prestígio, Jasão aceita se casar com Glauce, a filha do rei Creonte. Medeia é obrigada a partir, sozinha: os dois filhos que teve com Jasão devem ficar com o pai. A feiticeira é tomada pela loucura, e, para se vingar, usa seus conhecimentos mágicos e arquiteta um terrível plano de vingança.
Antígona, A Rebelde
Depois da morte de Édipo, seu pai, Antígona regressa à sua terra natal, a cidade de Tebas. Mas essa viagem só traz preocupações à jovem: amaldiçoados por Édipo, seus irmãos Polinice e Eteocle se desentenderam e estão prestes a entrar em guerra.
Antígona tenta dissuadi-los, mas não consegue impedir o confronto. Polinice se sente traído por Eteocle, a quem acusa de roubar o trono de Tebas. O desfecho da guerra não pode ser mais trágico: os irmãos acabam por matar um ao outro.
Creonte, o novo rei da cidade, proíbe que se enterre Polinice, pois o considera um traidor. Mas Antígona não pretende deixar o irmão sem sepultura. A quem ela deverá obedecer? À lei da cidade ou à voz de sua consciência?
Em grande parte inspirada na tragédia escrita por Sófocles em 441 a.C., esta narrativa em prosa apresenta uma das mais notáveis heroínas da Antiguidade clássica.
Bem é isso aí. Espero que tenham gostado. Ah! Em tempo! Você deve estar se perguntando porque os editores da Companhia das Letras escolheram um título tão fúnebre para essa coleção de livros, ou seja: “HISTÓRIAS SOMBRIAS da mitologia grega. É que todos os heróis abordados na coleção – Aquiles, Orfeu, Medeia e Antígona – tiveram destinos bastante trágicos.
E aí galera? Prontos para mais essa viagem?

2 comentários:

  1. Olá José, como vai?

    Bem, você sabe me dizer se, ao final do livro, os autores apresentam as referências que utilizaram para expor a vida de cada personagem?

    Visto que nem na obra que é base para a cultura grega não são apresentados detalhes (como você mesmo disse), queria saber que tipo de fontes e referências os autores tivera, e se as apresentam..

    Grata
    Camila Machado
    Resenhas de uma Leitora

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    Respostas
    1. Olá Camila,
      Os livros não trazem fontes ou referências, à exemplo da maioria das obras de Menelaos Stephanides, conhecido escritor e pesquisador grego. Tudo indica que "Histórias Sombrias da Mitologia Grega"
      teve o seu texto original aprimorado por por estudiosos em mitologia grega, aqui do Brasil, que se aprofundaram nas pesquisas já realizadas e digamos que... readaptaram o texto para a a realidade dos leitores brasileiros como diz a própria Companhia das Letras nesse trecho em seu site: "A edição em português contou com especialistas para atualizar a pesquisa sobre a presença das personagens nas diversas manifestações artísticas. Nessa seção será possível encontrar referência aos compositores brasileiros que se inspiraram no mito de Orfeu, como Tom Jobim e Vinicius de Moraes, em "Orfeu da Conceição", e José Miguel Wisnik, com a canção "Orfeu".
      A obra também não dá informações sobre as pessoas responsáveis por essa pesquisa textual. Enfim, Camila, nada de referencias.
      Por isso, quais foram os materiais utilizados nas pesquisas para compor o contexto das obras, só mesmo os autores originais ou quem sabe, os tais pesquisadores que, digamos... prepararam o texto.
      Abcs!!

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